
As incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio voltaram a pressionar as expectativas econômicas no Brasil. Pela segunda semana consecutiva, o mercado financeiro elevou a previsão da inflação para 2026, que agora chega a 4,17%. Apesar da alta, o índice permanece dentro do intervalo de tolerância da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que possui teto de 4,5%.
Em fevereiro, o custo de vida já havia dado sinais de aceleração, fechando em 0,7% devido ao reajuste nos setores de transportes e educação. No entanto, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, marcando a primeira vez que o indicador fica abaixo dos 4% desde maio de 2024.
Selic e o impacto das tensões internacionais
Para conter a alta dos preços, o Banco Central utiliza a Taxa Selic, atualmente fixada em 14,75% ao ano. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o colegiado optou por um corte cauteloso de 0,25 ponto percentual. A expectativa anterior era de uma redução mais agressiva, de 0,5 ponto, plano que foi alterado após a escalada das tensões entre Irã e Israel.
O mercado também revisou para cima a estimativa da taxa de juros ao término de 2026, subindo de 12,25% para 12,5% ao ano. O BC reforçou, em ata, que o ciclo de baixa pode ser revisto caso as incertezas globais continuem a pressionar a economia doméstica. Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro para o consumidor, o que desestimula o consumo e ajuda a frear a inflação.
Crescimento do PIB e cotação do dólar
Mesmo com o cenário de juros elevados, a projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026 teve uma leve melhora, passando de 1,83% para 1,84%. O resultado ocorre após um 2025 positivo, no qual o país registrou expansão de 2,3%, impulsionado principalmente pela agropecuária e marcando o quinto ano consecutivo de alta no Produto Interno Bruto (PIB).
No câmbio, a previsão para o dólar encerrou a semana em R$ 5,40. Para os anos seguintes, o mercado financeiro projeta uma estabilização gradual: a inflação deve ficar em 3,8% em 2027, enquanto a Selic pode recuar para 10,5% no mesmo período.
Com informações da Agência Brasil.
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