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Conselho do BNB referenda nome de Paulo Câmara para presidência

Sob a gestão de Paulo Câmara, BNB teve lucro recorde
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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Paulo Câmara
Paulo Câmara: cerimônia de posse ainda não foi definida/ Foto: Fernando Cavalcante

O economista Paulo Câmara recebeu sinal verde para reassumir a presidência do Banco do Nordeste (BNB). Segundo fontes próximas, ele deverá retornar à instituição já na próxima segunda-feira (9). A cerimônia de posse, porém, ainda não tem data definida. O retorno foi oficializado nesta quinta-feira (5), após o Conselho de Administração do banco referendar a indicação feita pelo Ministério da Fazenda.

Durante o período de afastamento — necessário para cumprir os critérios da Lei das Estatais, que estabelece quarentena para ex-dirigentes partidários antes de assumirem cargos de comando em empresas públicas — a presidência do banco foi exercida interinamente por Wanger Antônio de Alencar Rocha, diretor Financeiro e de Crédito da instituição.

Paulo Câmara esteve à frente do BNB entre março de 2023 e outubro de 2025. Durante sua gestão, o banco registrou crescimento expressivo em seus resultados financeiros. Em 2024, a instituição alcançou lucro líquido de R$ 2,3 bilhões, o maior de sua história, resultado cerca de 11,6% superior ao registrado em 2023. Os indicadores operacionais também avançaram no período: o resultado operacional chegou a R$ 4,2 bilhões, com crescimento de 24,1%.

O retorno de Câmara ocorre em um momento estratégico para o Banco do Nordeste, operador do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), principal instrumento de fomento da região. Para 2026, o orçamento operacional do fundo prevê aplicações recordes de aproximadamente R$ 40 bilhões, com diretrizes voltadas à neoindustrialização e ao fortalecimento da economia verde.

BNB principal financiador da transição energética

Nesse contexto, o BNB deve consolidar seu papel como um dos principais financiadores da transição energética no país. Atualmente, o banco responde pelo crédito de cerca de 80% dos parques eólicos e solares instalados no Nordeste. A meta para este ciclo é acelerar o desembolso para projetos de hidrogênio verde e infraestrutura sustentável — setores nos quais a região possui vantagem competitiva global e que exigem articulação técnica e institucional com o Ministério da Fazenda e investidores internacionais.

Durante a primeira gestão de Paulo Câmara, uma das mudanças relevantes foi o reposicionamento da carteira de crédito. O volume de financiamentos destinados a micro e pequenos empreendedores passou de 51% para 62%, consolidando a estratégia de ampliar o acesso ao crédito para pequenos negócios e fortalecer a base produtiva regional.

Outro indicador positivo foi o controle da inadimplência, que permaneceu abaixo da média do sistema financeiro nacional, mesmo com a expansão das operações voltadas para pequenos empreendedores.

Auditor de carreira do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), Paulo Câmara governou Pernambuco por dois mandatos, entre 2015 e 2022, e também atuou como secretário estadual da Fazenda e da Administração. Possui mestrado em Gestão Pública pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com foco em desenvolvimento regional.

Com a posse, a diretoria executiva do Banco do Nordeste passa a ter a seguinte composição: Paulo Henrique Saraiva Câmara na presidência; Wanger Antônio de Alencar Rocha na Diretoria Financeira e de Crédito; Raimundo Vandir Farias Júnior na Diretoria de Negócios; Ana Teresa Barbosa de Carvalho na Diretoria Administrativa; Leonardo Victor Dantas da Cruz na Diretoria de Controle e Risco; José Aldemir Freire na Diretoria de Planejamento; e Antônio Jorge Pontes Guimarães Júnior na Diretoria de Ativos de Terceiros.

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