
O Nordeste deve encerrar 2026 com um crescimento de 2,2%, superando a média nacional de 2,0% e se consolidando como a terceira região com maior dinamismo econômico do país, segundo a mais recente Resenha Regional do Banco do Brasil. O desempenho é impulsionado pelo Ceará (3,8%) e pela Paraíba (3,5%), que figuram entre as dez maiores projeções estaduais do Brasil.
A performance nordestina coloca a região à frente de polos tradicionais como o Sudeste (1,7%) e o Centro-Oeste (1,8%), que enfrentam desaceleração devido à base de comparação elevada. No cenário nacional, o Nordeste só fica atrás das regiões Sul (3,0%), que lidera o ranking impulsionada pela recuperação do agronegócio gaúcho, e Norte (2,5%).
Ceará e Paraíba: os motores do PIB regional
Dentro do recorte estadual, o Ceará aparece como a maior força do Nordeste para este ano. Com uma projeção de crescimento de 3,8%, o estado ocupa a 4ª posição no ranking nacional. O relatório aponta que o dinamismo cearense é sustentado pela consolidação de investimentos estruturantes e pelo vigor do setor de serviços.
Logo em seguida, a Paraíba confirma sua trajetória de expansão consistente com uma alta estimada de 3,5% para o PIB em 2026. O estado, que já havia registrado um crescimento de 5,5% no ano passado, figura no “top 10” das maiores projeções do país (6ª posição), ancorado na solidez do comércio e na continuidade de investimentos públicos e privados.
Ao Movimento Econômico, o secretário da Fazenda do Ceará, Fabrízio Gomes, ressaltou que o estado tem liderado o crescimento econômico no Nordeste há alguns anos. Em 2024, destacou o gestor, o PIB cearense alcançou um crescimento de 6,5%, quase o dobro da média nacional, que marcou 3,4%.
“Os números mostram a política fiscal e econômica que o estado tem feito de uma forma muito equilibrada e com as contas públicas equilibradas. Junto com esse equilíbrio o Estado pôde fazer vários investimentos públicos. Em 2025, fechamos com investimento público de R$ 4.8 bilhões, o maior investimento da história do Ceará”, afirmou Gomes.
O secretário considera a projeção para 2026 muito importante porque mostra a continuidade de políticas públicas acertadas no segmento econômico e fiscal. “Então, acredita-se que 2026 será o ano que manterá esse crescimento acima da média nacional com desemprego baixo e melhorando cada vez mais a renda da população.”

Cenário de serviços e consumo sob vigilância
Apesar do otimismo com o crescimento acima da média nacional, a Resenha Regional pondera que o setor de serviços e o comércio — pilares do PIB nordestino — seguem sensíveis ao cenário de juros. No entanto, o avanço da massa salarial e a resiliência do mercado de trabalho na região têm garantido a sustentação da demanda, permitindo que estados como Ceará e Paraíba operem em patamares superiores à média do país.
A economia paraibana mantém sua trajetória de expansão e deve registrar, em 2026, o terceiro ano consecutivo de destaque no cenário nacional. De acordo com o secretário da Fazenda do estado, Marialvo Laureano, os dados reforçam a solidez da atividade econômica local, posicionando o estado entre os maiores crescimentos do País de forma recorrente. O secretário destacou o histórico recente de liderança do estado para contextualizar o momento atual.
“Em 2024, ficamos em primeiro lugar do Brasil com a expansão do PIB em 6,6%, enquanto em 2025, crescemos 5,5%. Agora, já nessa primeira projeção nos destacamos na Região Nordeste. Isso demonstra as ações assertivas da gestão João Azevêdo que, com a parceria do setor privado, tem gerado emprego e renda de forma contínua, melhorando assim a qualidade de vida do povo paraibano.”
Recuperação do Sul e o novo mapa do crescimento
O levantamento do Banco do Brasil destaca que 2026 será marcado por um “efeito rebote” expressivo na região Sul. O Rio Grande do Sul lidera o país com projeção de 4,6%, recuperando-se de perdas climáticas anteriores. Esse movimento puxa a média da região Sul para 3,0%, a maior do Brasil.
Já a região Norte, com estados como Roraima e Amapá projetando altas de 4,5%, mantém a segunda posição regional. O relatório indica que, enquanto o Sudeste e o Centro-Oeste lidam com a maturação de ciclos industriais e agrícolas, o arco Norte-Nordeste e a reconstrução do Sul ditam o ritmo da economia brasileira no encerramento deste ciclo.
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