
O setor de serviços registrou expansão de 2,8% em 2025, consolidando o quinto ano consecutivo de crescimento no Brasil. O desempenho foi impulsionado por quatro dos cinco segmentos pesquisados na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Rio de Janeiro, com destaque para serviços profissionais, administrativos e complementares, que avançaram 7,1% no ano. O resultado coloca o setor 15,7% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, e 11,3% superior ao ponto mais baixo da série histórica, observado em maio de 2020.
Apesar do resultado anual positivo, dezembro de 2025 apresentou retração de 0,4% em relação a novembro, interrompendo quatro meses consecutivos de alta. A queda foi influenciada principalmente pelos segmentos de serviços prestados às famílias, que recuaram 3,6%, e informação e comunicação, com retração de 1,7%. Na comparação com dezembro de 2024, o volume de serviços avançou 1,8%.
Rodrigo Lobo, gerente da PMS no IBGE, afirmou que “o acumulado do ano mostrou avanço de 2,8%, o que mantém a trajetória de crescimento do setor pelo quinto ano consecutivo”. Segundo ele, o setor de serviços já se encontra 15,7% acima do nível pré-pandemia e está a apenas 3,3% de atingir o ponto mais alto da série histórica, registrado em novembro de 2014. A análise do IBGE aponta que a manutenção do emprego formal, a expansão do crédito e o aumento da massa salarial foram os principais fatores que sustentaram o crescimento do setor ao longo de 2025.
Serviços profissionais lideram expansão com avanço de 7,1% em 2025
O segmento de serviços profissionais, administrativos e complementares liderou o crescimento do setor em 2025, com alta de 7,1%, resultado que supera em 2,5 vezes a média nacional do setor. Esse segmento, que inclui atividades jurídicas, contábeis, de engenharia, arquitetura, consultorias, agências de publicidade, seleção de pessoal, segurança privada e facilities, apresentou desempenho superior ao registrado em 2024, quando avançou 5,2%. A expansão foi sustentada pelo aumento da demanda por serviços corporativos e pela retomada de contratos de terceirização em empresas de médio e grande porte.
Os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio registraram crescimento de 3,6% em 2025, resultado ligeiramente inferior ao de 2024, quando o segmento avançou 4,1%. A desaceleração foi observada principalmente no transporte rodoviário de cargas, que enfrentou custos crescentes de combustível e pedágio, além de pressões inflacionárias sobre pneus e peças. O transporte aéreo de passageiros, por outro lado, manteve trajetória de expansão, impulsionado pela recuperação do turismo doméstico e pela ampliação da malha aérea em destinos regionais.
Os serviços prestados às famílias, que incluem atividades de alimentação, hospedagem, eventos, lazer e cuidados pessoais, registraram alta de 3,2% em 2025, mantendo desempenho consistente após crescimento de 3,8% em 2024. Esse segmento foi beneficiado pela manutenção do emprego formal, pelo aumento da massa salarial e pela retomada de eventos corporativos e sociais, que haviam sido severamente impactados durante a pandemia.
Outros serviços avançaram 2,2% no ano, com destaque para atividades de reparação e manutenção de equipamentos, serviços de estética e atividades associativas. O desempenho foi inferior ao de 2024, quando o segmento cresceu 3,5%, refletindo menor dinamismo em serviços de reparação automotiva e redução na demanda por manutenção de equipamentos eletrônicos de uso pessoal.
Informação e comunicação recuam 1,3% e interrompem sequência de altas
O único segmento que apresentou retração em 2025 foi informação e comunicação, com queda de 1,3% no acumulado do ano. O resultado interrompeu uma sequência de dois anos de crescimento e foi influenciado principalmente pela desaceleração nos serviços de telecomunicações, que enfrentaram aumento da concorrência, redução de margens e migração de clientes para planos de menor valor. Os serviços audiovisuais, de streaming e de produção de conteúdo digital também registraram desempenho abaixo do esperado, refletindo a saturação de algumas plataformas e a redução de investimentos publicitários.
A queda do segmento de informação e comunicação contrasta com o desempenho robusto observado em 2023 e 2024, quando o setor cresceu impulsionado pela ampliação do acesso à internet de alta velocidade e pela expansão de serviços digitais. Em 2025, a retração foi atribuída à estabilização da base de usuários de telecomunicações e à redução de receitas por assinante, especialmente em planos de telefonia móvel.
Dezembro fecha o ano com retração de 0,4% e queda em três segmentos
Apesar do resultado positivo no acumulado de 2025, o mês de dezembro apresentou retração de 0,4% em relação a novembro, com três dos cinco segmentos registrando queda. Os serviços prestados às famílias lideraram a retração mensal, com queda de 3,6%, resultado atribuído à redução sazonal da demanda por atividades de alimentação fora do domicílio e hospedagem após o pico de novembro. O segmento de informação e comunicação também recuou 1,7% em dezembro, enquanto outros serviços caíram 0,2%.
Os segmentos que apresentaram crescimento em dezembro foram transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com alta de 1,1%, e serviços profissionais, administrativos e complementares, que avançaram 0,3%. O desempenho positivo desses segmentos foi insuficiente para compensar a retração dos demais, resultando na queda de 0,4% do índice geral. Na comparação com dezembro de 2024, o volume de serviços cresceu 1,8%, refletindo a base de comparação favorável.
Setor em 2026 depende de emprego, crédito e consumo das famílias
O setor de serviços depende diretamente da evolução do emprego formal, do crédito e da massa salarial para sustentar o crescimento em 2026. A manutenção de taxas de desemprego em patamares historicamente baixos, observada ao longo de 2025, foi um dos principais fatores de suporte ao setor, especialmente nos segmentos voltados às famílias e aos serviços profissionais. A expansão do crédito consignado, do crédito imobiliário e das linhas de financiamento para empresas também contribuiu para o dinamismo do setor.
Para 2026, a trajetória do setor de serviços dependerá da evolução da política monetária, da inflação e da capacidade de manutenção do poder de compra das famílias. Segmentos como serviços profissionais, transportes e serviços prestados às famílias devem continuar crescendo, enquanto informação e comunicação enfrenta desafios estruturais relacionados à saturação de mercados e à pressão competitiva. O setor de serviços representa cerca de 70% do PIB brasileiro e emprega a maior parte da força de trabalho formal, sendo determinante para o desempenho econômico nacional.
*Com informações da Agência IBGE
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