- Publicidade -

Nordeste cresce em área plantada, mas produzirá menos grãos em 2026

Conab projeta expansão de 2,5% na área regional, mas rendimento de 3.113 kg/ha fica 26% abaixo da média nacional de 4.244 kg de grãos por hectare
- Publicidade -
Produção de soja Conab grãos previsão safra Nordeste
A soja, junto com o milho, responde pela maior parte da produção de grãos no Brasil, com áreas do Nordeste sendo afetadas na safra pelas condições climáticas. Foto: Noemi Pacheco/Fotos Públicas

A safra brasileira de grãos 2025/26 está estimada em 353,4 milhões de toneladas, volume 0,3% superior ao ciclo anterior, revela o 5º Levantamento de Safra, documento de 112 páginas divulgado nesta quinta-feira (12) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Brasília. A safra 2025/26 abrange três ciclos de plantio: primeira safra (agosto a dezembro de 2025), segunda safra (janeiro a abril de 2026) e terceira safra (maio a julho de 2026), com colheita concentrada no ano civil de 2026.

A Região Nordeste projeta colheita de 32 milhões de toneladas, equivalente a 9% da produção nacional, com área de 10,3 milhões de hectares, crescimento de 2,5% sobre a safra anterior. A produtividade média regional é de 3.113 kg/ha, retração de 0,5% e 26,6% inferior à média nacional de 4.244 kg/ha.

A expansão de área no Nordeste supera a média nacional de 1,9%, mas o desempenho produtivo permanece limitado pelas características climáticas da região, com predomínio de cultivos de sequeiro, menor densidade tecnológica e irregularidade das precipitações, especialmente no semiárido. No contexto nacional, o desempenho da safra é sustentado pela expansão de área e por ajustes na produtividade em diferentes culturas. Soja e milho respondem por 92% do volume total projetado.

Guilherme Bastos, superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, afirmou que “desde 2020 temos crescimento quase todo ano, com ênfase para a soja e o milho, que representam a maior parte da produção brasileira de grãos”. A companhia ressalta que a projeção ainda pode sofrer alterações conforme o avanço das colheitas e o comportamento climático nos próximos meses, especialmente nas regiões produtoras de milho segunda safra.

Bahia lidera produção nordestina com algodão e milho

A Bahia consolida posição de maior produtor de grãos do Nordeste, com participação expressiva em algodão e milho. No algodão em pluma, o estado responde por 17,16% da produção nacional, concentrada no Extremo Oeste Baiano. As lavouras apresentam bom desenvolvimento e aspecto fitossanitário satisfatório, sem danos significativos provocados por pragas ou doenças. A regularidade das chuvas nos últimos dois meses favoreceu o desenvolvimento das lavouras, que se encontram, segundo o documento, em diferentes estágios fenológicos, incluindo floração, enchimento de grãos, maturação e colheita.

No milho primeira safra, a Bahia representa 7,38% da produção nacional, com lavouras em diferentes estádios fenológicos, abrangendo desenvolvimento vegetativo, floração, enchimento de grãos e colheita. As precipitações foram bem distribuídas e regulares nas regiões oeste e centro-sul. Apenas as áreas da microrregião de Jacobina e no Senhor do Bonfim, centro-norte, tiveram a capacidade produtiva reduzida devido à restrição hídrica.

No feijão, o plantio foi finalizado no estado, confirmando condições positivas das lavouras. A regularidade das chuvas, ocorrida nos últimos dois meses, favoreceu o desenvolvimento das lavouras, que apresentam bom desempenho e bom aspecto fitossanitário.

Maranhão e Piauí ampliam área de milho com plantio atrasado

O Maranhão projeta área de 315,1 mil hectares de milho primeira safra, expansão de 5,7% em relação ao ano anterior. O plantio foi iniciado em dezembro e se estende até meados de fevereiro, alcançando até o momento mais de 80% da área semeada prevista para a atual safra. As lavouras encontram-se em emergência e desenvolvimento vegetativo. O atraso na regularização das chuvas obrigou os produtores a paralisarem diversas vezes a operação de plantio.

Na região sul do estado, áreas tradicionais de arroz foram abandonadas devido à falta de chuvas, inclusive com substituição pelo cultivo da soja em algumas outras regiões. A menor intenção de plantio tem ocorrido devido à dificuldade na comercialização, ao crédito para custeio e ao aumento nos custos de produção, principalmente quando relacionado às pequenas áreas de produção da agricultura familiar.

No Piauí, a cultura de milho teve a semeadura realizada em quase sua totalidade em dezembro na região do Cerrado piauiense, no sudoeste. As lavouras seguem se desenvolvendo em boas condições, apesar dos volumes de chuva em janeiro terem sido abaixo da média histórica. As áreas plantadas no início da janela já se encontram em enchimento de grãos. No algodão, há previsão de leve incremento na área, com lavouras em boas condições e cenário promissor para a expansão nas próximas safras.

Irregularidade climática afeta estabelecimento de lavouras no Nordeste

A porção leste da Região Nordeste registrou volumes de chuva inferiores a 50 mm em janeiro, reduzindo os níveis de umidade do solo e dificultando o estabelecimento de lavouras. No Matopiba, que abrange sul do Maranhão, sudoeste do Piauí, oeste da Bahia e leste do Tocantins, os acumulados foram superiores a 150 mm, favorecendo o desenvolvimento dos cultivos de primeira safra. A região concentra a maior parte da produção tecnificada de grãos do Nordeste, com destaque para soja, milho e algodão.

A previsão climática para os próximos três meses indica chuvas acima da média na maior parte da Região Nordeste, especialmente no Maranhão, oeste da Bahia e do Piauí. Este cenário favorecerá a elevação do armazenamento de água no solo nessas áreas. No centro-leste da região, as chuvas previstas ainda não serão suficientes para recuperar os níveis de umidade do solo, mantendo condições desafiadoras para cultivos de sequeiro.

Soja atinge novo recorde nacional com 178 milhões de toneladas

A produção nacional de soja está estimada em 178 milhões de toneladas, volume 3,8% superior ao ciclo anterior e novo recorde para a cultura. A área plantada alcançou 48,4 milhões de hectares, expansão de 2,3%, enquanto a produtividade média projetada é de 3.675 kg/ha, crescimento de 1,5%. O desempenho da oleaginosa é sustentado pela regularidade das chuvas no Centro-Oeste e pela recuperação da produtividade no Rio Grande do Sul.

A colheita da soja alcançou 17,4% da área na primeira semana de fevereiro, dentro do padrão histórico. As lavouras beneficiam-se de condições climáticas favoráveis na maior parte das regiões produtoras, com exceção de áreas pontuais do Rio Grande do Sul, onde a redução das precipitações na segunda quinzena de janeiro afetou o potencial produtivo em lavouras em fase de enchimento de grãos.

Milho reduz produção com queda na segunda safra

A produção nacional de milho está estimada em 138,4 milhões de toneladas, retração de 1,9% sobre o ciclo anterior. A área plantada deve alcançar 22,5 milhões de hectares, crescimento de 3,1%, mas a produtividade média de 6.146 kg/ha representa queda de 4,9%. O volume projetado reflete a redução na segunda safra, que representa cerca de 75% da produção nacional de milho e é cultivada principalmente após a colheita da soja.

A primeira safra de milho deve alcançar 26,7 milhões de toneladas, volume 7,1% superior ao ciclo anterior, com área de 4 milhões de hectares, expansão de 7,2%. A colheita já foi iniciada no Rio Grande do Sul, onde alcançou 33% da área no final de janeiro, com produtividades satisfatórias. A segunda safra, plantada entre janeiro e março, depende do comportamento climático nos próximos meses.

Arroz e feijão registram retrações por preços desfavoráveis

A produção nacional de arroz está estimada em 10,9 milhões de toneladas, queda de 14,4% em relação à safra anterior. A área plantada deve recuar 11,6%, alcançando 1,6 milhão de hectares, enquanto a produtividade média projetada é de 6.997 kg/ha, redução de 3,3%. A redução é atribuída aos preços considerados não atrativos ao longo da janela de semeadura e à substituição parcial do arroz por soja em áreas de várzea.

A produção total de feijão, somando as três safras, está estimada em 3 milhões de toneladas, retração de 3,1% em relação ao ciclo anterior. A primeira safra apresenta redução de 11,4% na área plantada, totalizando 804,7 mil hectares, com expectativa de produção de 967,2 mil toneladas, 9% inferior à safra passada. A redução é atribuída aos preços menos atrativos em relação a outros cultivos e ao alto custo de produção.

Perspectivas dependem de clima e confirmação da segunda safra de grãos

A confirmação do volume de produção de grãos depende diretamente do comportamento climático nos próximos meses, especialmente nas regiões produtoras de milho segunda safra. Eventuais atrasos no plantio da soja ou irregularidades nas chuvas durante o desenvolvimento do milho safrinha podem comprometer a produtividade e reduzir o volume final colhido.

A Conab realiza levantamentos mensais até o encerramento da safra, com ajustes nas estimativas conforme o avanço das colheitas e a evolução das condições de campo. O setor de grãos responde por parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro e é determinante para o saldo da balança comercial do país.

*Com informações da Conab

Leia mais: 135 anos da Usina Cucaú: tradição, inovação e permanência

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -