
O Nordeste do país terá R$ 25,9 bilhões em créditos do Plano Safra para financiar a produção rural nos próximos 12 meses. O montante terá o Banco do Nordeste (BNB) como o principal agente financeiro responsável por operar e distribuir esses recursos na região. O valor total programado representa um crescimento de 18% em comparação ao ciclo 2025/2026, injetando R$ 4 bilhões adicionais na economia regional.
A distribuição dos créditos federais reflete a relevância do setor produtivo local. Do montante global estabelecido, R$ 13,4 bilhões serão direcionados para impulsionar projetos empresariais de mini, pequenos, médios e grandes produtores.
O foco principal dessas contratações corporativas sob a operação do BNB envolverá o incentivo a sistemas de irrigação, estruturas de armazenagem e técnicas de agricultura de baixo carbono.
Fortalecimento e liderança na agricultura familiar do Nordeste
Outra parcela expressiva do programa federal, fixada em R$ 12,5 bilhões, será voltada exclusivamente para o atendimento da agricultura familiar. Segundo os dados oficiais do Banco Central, a relevância do BNB na aplicação desse crédito é majoritária, sendo a instituição financeira responsável por mais de 94% dos contratos firmados e por aproximadamente 70% de todo o volume financeiro movimentado pelo Plano Safra em sua área de cobertura.
O novo ciclo do programa tem início programado para esta quarta-feira, 1º, estendendo-se até o fim de junho de 2027. Os recursos têm origem no Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e em fontes complementares.
Impacto socioeconômico e combate ao êxodo rural
Especialistas avaliam que o anúncio de R$ 25,9 bilhões em crédito rural para o Plano Safra 2026/2027 representa uma medida estratégica para o desenvolvimento econômico do Nordeste.
De acordo com o economista e coordenador de pós-graduação da Unit, Edgar Leonardo, a atividade agropecuária possui um papel fundamental na geração de emprego e segurança alimentar na região.
Com o aumento nos recursos em relação ao ciclo anterior, o economista aponta que haverá maior capacidade de investimento em tecnologia, processos de irrigação, armazenagem e práticas sustentáveis. Segundo ele, esse cenário contribui diretamente para elevar a produtividade e aumentar o setor diante dos desafios climáticos apresentados na região.
Em um ambiente de custos elevados e maior competitividade, a ampliação do crédito fortalece a capacidade produtiva e a permanência do produtor na sua atividade.
“A destinação do cursos pra agricultura familiar e a manutenção de linhas de financiamento pra pequenos e médios produtores tem uma importância especial pra região Nordeste, onde esses agricultores representam a maior parte dos estabelecimentos rurais e são responsáveis por parcela significativa da produção de alimentos para os mercados locais”, explica ao Movimento Econômico.
O acesso ao crédito permite investir na modernização das propriedades, melhorar a produtividade, agregar valor à produção e ampliar a geração de renda no campo. Segundo detalhou Edgar Leonardo, além de beneficiar diretamente os produtores, esses investimentos movimentam o comércio de insumos, o transporte e os serviços, produzindo um efeito multiplicador sobre a economia regional.
Dessa forma, os aportes financeiros colaboram para um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável da região. “O Plano Safra e outras políticas públicas que historicamente são implementadas ano a ano precisam ser de fato respeitadas e alinhadas para que possamos ter o melhor desenvolvimento do campo, que reflete nas cidades inclusive pela redução do êxodo, pela maior produção de alimentos, pela segurança e pela melhor qualidade de vida do trabalhador”, avalia o especialista.
Resultados obtidos no exercício anterior
O balanço do ciclo federal que se encerrou consolida o histórico de repasses do banco na região. Entre o mês de julho de 2025 e o mês de junho deste ano, o Banco do Nordeste efetuou a liberação de R$ 22,5 bilhões em crédito rural por intermédio do programa governamental.
Desse total distribuído no período anterior, a quantia de R$ 11,9 bilhões foi destinada especificamente ao custeio e investimento da agricultura familiar. A aplicação do capital resultou no atendimento de aproximadamente 836 mil contratações, o que correspondeu a 98% de todas as operações rurais realizadas pela instituição financeira.
Inclusão e transformação social no meio rural
Para a gestão do banco, os efeitos desse financiamento federal se estendem além do aspecto puramente financeiro, modificando de forma direta as relações de gênero e a demografia no agronegócio regional. De acordo com o superintendente de Agronegócios e Microfinança Rural do BNB, Luiz Sérgio Farias Machado, a agricultura familiar representa mudanças profundas no campo.
“A principal transformação é a atuação da mulher no campo. Hoje, 54% das contratações do Agroamigo, o programa de Microfinança rural do BNB, são assinados por mulheres”, afirmou Luiz Sérgio Farias Machado.
Visão institucional sobre o desenvolvimento regional
O plano econômico nacional foi apresentado de forma conjunta pelas lideranças políticas e da instituição bancária em Brasília. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), justificou a prioridade dada ao setor de abastecimento em relação a outros investimentos públicos do Governo Federal.
“Você sabia que a melhor arma que um país tem que ter é alimento? Você sabia que nós temos que ter soberania alimentar?”, questiona o presidente Lula. De acordo com o chefe do Executivo, se o país não tiver produção consolidada de alimentos, ele não aguenta dois dias de guerra.
Já o presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, ressaltou que os recursos anunciados impactam em duas frentes necessárias para o desenvolvimento sustentável do país. “O Plano Safra proporciona produção de alimentos que vão para a mesa do brasileiro e, simultaneamente, gera emprego e renda à população. Seguimos a orientação do presidente Lula em alavancar desenvolvimento com inclusão”, conclui o executivo.
A região atendida pelas operações bancárias abrange a totalidade dos estados nordestinos, além de incluir municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.
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