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Sudene anuncia plano para adaptar o Nordeste aos impactos da reforma tributária

Iniciativa guiará ações de 2028 a 2031 com foco em transição energética, neoindustrialização e atração de R$ 144 bilhões em investimentos para a região
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  1. Sudene elabora plano regional para o ciclo 2028-2031 preparando economia nordestina para reforma tributária.
  2. Carteira com mais de 100 projetos estruturantes soma demanda de R$ 144 bilhões em investimentos.
  3. Pesquisadores investigarão vazamento de renda e desenharão alternativas para reter recursos financeiros regionais.
  4. Atividades técnicas iniciam ainda este ano com diagnósticos; fase participativa ocorrerá em 2027.
  5. Plano inclui sete eixos estratégicos focando desenvolvimento produtivo, inovação, infraestrutura, educação e sustentabilidade.
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A intenção é desenhar alternativas fiscais e operacionais para conter o fenômeno do vazamento de renda e ampliar a retenção dos recursos financeiros dentro dos próprios territórios nordestinos. Foto: José Paulo Lacerda/CNI

A Sudene iniciou oficialmente a elaboração do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE) para o ciclo de 2028 a 2031. O principal instrumento de planejamento regional do Nordeste terá como missão central preparar a economia da região para os impactos da nova reforma tributária e mapear as oportunidades ligadas à inovação, neoindustrialização e transição sustentável.

​A estratégia busca qualificar projetos para captar investimentos por meio de uma carteira com mais de 100 iniciativas estruturantes desenvolvidas junto aos governos estaduais.

Essa carteira soma uma demanda estimada em R$ 144 bilhões. A meta é atrair capital da iniciativa privada, de organismos internacionais e de bancos de desenvolvimento como o BNDES e o BNB.

​As atividades técnicas começam ainda neste ano com diagnósticos e pesquisas sobre as realidades econômica e social nordestinas. Em 2027, o processo avança para uma fase participativa, que reunirá contribuições de ministérios, governos estaduais e representantes da sociedade civil para a consolidação de metas e programas.

Efeitos da reforma tributária e retenção de riquezas

​O novo plano de trabalho foi aprovado pela Diretoria Colegiada da Sudene e contará com o suporte técnico de uma rede composta por mais de 40 pesquisadores. O grupo de especialistas recebeu a orientação de focar com urgência nos impactos fiscais e nas dinâmicas de transferência de capital na economia local.

​A equipe investigará o fenômeno do vazamento de renda, termo que descreve a perda da riqueza gerada no Nordeste para outras regiões do país. A intenção é desenhar alternativas fiscais e operacionais para conter esse movimento e ampliar a retenção dos recursos financeiros dentro dos próprios territórios nordestinos.

​“O PRDNE é o principal instrumento de planejamento regional do Nordeste e da Sudene. É por meio dele que organizamos prioridades e alinhamos esforços para que as políticas públicas e os investimentos produzam resultados para a população”, explica o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre.

“Nós vamos olhar para as transformações que já estão acontecendo, como a reforma tributária, a transição energética, sempre com o objetivo de ampliar oportunidades e melhorar a qualidade de vida na Região”, acrescenta.

Impacto de investimentos sobre emprego e renda

De acordo com o órgão, o documento trará projeções econômicas e simulações que demonstram os efeitos de diferentes estratégias sobre os indicadores de produção regionais. O modelo atualizado manterá a estrutura tradicional baseada em sete eixos estratégicos: Desenvolvimento Produtivo; Ciência, Tecnologia e Inovação; Infraestrutura Econômica, Urbana e Rural; Educação; Desenvolvimento Social; Meio Ambiente e Segurança Hídrica; e Capacidades Governativas.

​O projeto técnico também foi desenhado para atuar em total harmonia com os planos de longo prazo do Governo Federal. O PRDNE 2028-2031 será alinhado ao Plano Brasil 2050, à Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) e ao Plano Plurianual (PPA) da União.

​O respaldo jurídico da medida está fixado pela Lei Complementar nº 125/2007. As diretrizes estabelecidas servirão de guia essencial para o direcionamento de incentivos e para a definição de prioridades na concessão de financiamentos operados pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e pelo Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE).

​Projetos estruturantes dependem de viabilidade financeira

As iniciativas prioritárias da carteira da Sudene estão concentradas nos segmentos de infraestrutura logística, segurança hídrica e desenvolvimento produtivo focado na transição energética. Por reunirem propostas em diferentes níveis de maturidade técnica, as obras não possuem um cronograma unificado de licitação.

​Os projetos que compõem o grupo atual se tornam automaticamente prioritários perante o Conselho Deliberativo da Sudene (Condel). No entanto, a liberação real das verbas anuais dos fundos controlados e a abertura de concorrências públicas dependem da demanda individual e da engenharia financeira apresentada por cada estado.

​“O novo plano regional já nasce apoiado em uma experiência importante. Vamos contar com uma rede de mais de 40 pesquisadores na elaboração dos estudos. Nos últimos anos, fortalecemos a articulação com os ministérios, o que permitiu integrar o plano aos instrumentos de planejamento do Governo Federal e dar mais efetividade à agenda territorial do Nordeste”, desta o coordenador-geral de Cooperação e Articulação de Políticas da Sudene, Danilo Campelo.

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