
A primeira usina de etanol de milho e sorgo do Piauí entra na fase final de implantação nesta quinta-feira (2), quando a BrasBio Brasil Bioenergia acende a caldeira de sua unidade em Uruçuí, no sul do estado, às 9h, com presença do governador Rafael Fonteles. O equipamento é o coração do processo produtivo: gera o vapor que alimenta a geração de energia e todas as etapas industriais. Com ele em operação, a usina entra na fase de testes e ajustes antes do início comercial, com capacidade para processar 1.500 toneladas de grãos por dia e produzir 226 milhões de litros de etanol por ano.
O empreendimento foi erguido com R$ 1,18 bilhão em investimentos, dos quais R$ 531 milhões financiados pelo Banco do Nordeste (BNB). A Secretaria da Fazenda do Piauí (Sefaz) concedeu 100% de incentivo de ICMS para viabilizar a implantação. A fase de construção gerou cerca de 2 mil empregos e a operação da usina deve manter aproximadamente 180 postos diretos em Uruçuí. A empresa já iniciou processo seletivo para profissionais de engenharia, logística, tratamento de água e áreas operacionais.
A matéria-prima é milho e sorgo produzidos no próprio Matopiba, a região de cerrado que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e concentra parte da produção de grãos do Nordeste.O Grupo Progresso, fundado em 2001 pelo gaúcho Cornélio Sanders com cinco fazendas no sul do Piauí e 95 mil hectares cultivados, é o principal fornecedor de grãos e parceiro no empreendimento. Além do etanol, a unidade produzirá DDGS e WDG, proteínas secas para nutrição animal, e 24 toneladas diárias de óleo de milho, aproveitando integralmente a matéria-prima ao longo da cadeia.

Piauí consome 263 milhões de litros de etanol e produz 43 milhões
O desequilíbrio entre consumo e produção é o argumento de mercado central do empreendimento. O Piauí consome cerca de 263 milhões de litros de etanol por ano e produz apenas 43 milhões de litros, dependendo da importação de outros estados, o que eleva o custo do combustível nas bombas. “Esta única planta da BrasBio aqui no Piauí é capaz de abastecer todo o estado com etanol de milho”, afirmou o diretor industrial da empresa, Neilton Barbosa. O faturamento anual previsto é de R$ 1,1 bilhão.
O projeto foi concebido para crescimento em fases. Na capacidade máxima, a usina poderá processar 4.500 toneladas de grãos por dia, triplicando o volume inicial, com sete armazéns de 200 mil toneladas cada. Uruçuí acumulou crescimento entre 27% e 28% desde o início do século, consolidando-se como polo de desenvolvimento no Matopiba, e a BrasBio chega como o maior investimento industrial recente da cidade.
Etanol de milho no Matopiba
A BrasBio não é um caso isolado. No Matopiba, pelo menos outros três projetos de etanol de milho somam investimentos que ultrapassam R$ 4,98 bilhões: a Inpasa, inaugurada em Balsas (MA) em agosto de 2025; a unidade autorizada pela ANP em Luís Eduardo Magalhães (BA); e a Lida Bioenergia, com licença de construção em Santa Rita de Cássia (BA). A região desponta como nova fronteira do setor bioenergético no Brasil, deslocando para o Nordeste e o Oeste baiano um segmento até então concentrado no Centro-Oeste e no Sudeste.
O movimento tem respaldo regulatório. A Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) autorizou o aumento do teor de etanol na gasolina de 27% para 30%, medida aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em junho de 2025 e em vigor desde 1º de agosto de 2025. O E30 amplia estruturalmente a demanda por etanol no Brasil, o que torna a entrada de novas usinas racionalmente fundada em sinal de mercado, não apenas em incentivo fiscal. A localização em Uruçuí não é coincidência: a cidade está no traçado da Transnordestina, a ferrovia que, quando concluída, conectará o sul do Piauí ao Porto do Pecém, no Ceará, abrindo escoamento ferroviário para a produção agroindustrial da região.
*Com informações do Governo do Piauí
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