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BNDES e ABDE lançam iniciativa para monitorar dados de crédito no Brasil

​Nova plataforma tornará públicos os impactos econômicos e sociais de investimentos de longo prazo, auxiliando na criação de políticas públicas
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O foco da plataforma está nas operações regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ou vinculadas a orçamentos destinados a investimentos de médio e longo prazos. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) lançam, nesta quarta-feira (1º), em Brasília, o Observatório do Crédito para o Desenvolvimento (OCD). A iniciativa inédita tem como objetivo central reunir e dar transparência aos dados sobre o crédito direcionado no país, permitindo uma análise profunda de como esses recursos afetam a economia e o desenvolvimento nacional.

​O foco da plataforma está nas operações regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ou vinculadas a orçamentos destinados a investimentos de médio e longo prazos. Esses recursos atendem, prioritariamente, aos setores imobiliário, rural e de infraestrutura, sendo provenientes de depósitos à vista, cadernetas de poupança e fundos públicos.

​Inteligência de dados para políticas públicas

A proposta do observatório vai além do simples armazenamento de números. Ele busca mensurar resultados concretos na sociedade. Segundo o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, a ferramenta trará embasamento científico para as decisões governamentais.

​“Com o observatório, será possível avaliar impactos importantes do crédito, como a geração de emprego e renda, e até mesmo a redução nas emissões de gases de efeito estufa. Além disso, vai promover o debate técnico-científico de alto nível, fundamentado em dados”, explica.

​Para a presidente da ABDE, Maria Fernanda Coelho, a plataforma possui uma função estruturante ao oferecer suporte para órgãos reguladores e formuladores de políticas.

​”O observatório estruturará metodologias capazes de mensurar efeitos econômicos, sociais e ambientais, monitorando a eficiência do crédito e apoiando a tomada de decisão por formuladores de políticas e órgãos reguladores. É inteligência aplicada ao serviço de desenvolvimento”, destaca.

​Cronograma e desenvolvimento do sistema

O projeto contará com financiamento inicial do BNDES pelos primeiros 12 meses e prevê a integração de outras instituições do Sistema Nacional de Fomento (SNF). Durante este primeiro ano, a ABDE firmará parceria com uma instituição de ensino superior, que ainda será definida, para atuar na curadoria dos dados e no desenvolvimento das metodologias técnicas.

​A formalização dessa parceria acadêmica está prevista para o próximo mês de maio. A expectativa é que as atividades técnicas ganhem ritmo logo em seguida, com as primeiras publicações e análises do observatório chegando ao público ainda no segundo semestre de 2026.

Fomento à infraestrutura e transição energética

​O banco tem intensificado o apoio à neoindustrialização por meio do programa BNDES Mais Inovação, que destinou bilhões para projetos de digitalização e sustentabilidade no setor fabril.

O foco atual é o financiamento de máquinas e equipamentos com alto índice de eficiência energética e o desenvolvimento de soluções em Inteligência Artificial para a indústria 4.0.

Esse movimento busca reverter o processo de desindustrialização precoce do país, garantindo que o crédito chegue a empresas que investem em tecnologia de ponta e em processos que reduzem a pegada de carbono.

​No setor de infraestrutura, o crédito direcionado tem focado na logística intermodal e na transição energética. O BNDES ampliou as linhas de financiamento para o setor de hidrogênio verde e para a recuperação de ferrovias estratégicas, utilizando estruturas de project finance que atraem capital privado para operar em conjunto com os recursos públicos.

Além disso, o banco consolidou parcerias com bancos regionais de desenvolvimento para pulverizar o crédito a micro e pequenas empresas, garantindo que o fomento alcance a base da pirâmide produtiva e estimule a economia local em regiões menos industrializadas.

Com informações da Agência BNDES.

Leia também: Com R$ 7,8 bi de crédito, BNB impacta emprego e renda em PE

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