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CEO da Equatorial defende renováveis e alerta para perdas no setor elétrico

CEO da Equatorial afirma que renováveis são irreversíveis, aponta perdas como desafio e destaca expansão da infraestrutura em Alagoas
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CEO grupo Equatorial, Augusto Miranda
Equatorial apresentou balanço de investimentos em Alagoas e destacou novas estratégias para fortalecer sistema elétrico no estado. Foto: Wagner Santana

O avanço das energias renováveis e da geração distribuída deve ser tratado como realidade consolidada no setor elétrico brasileiro e não como entrave às distribuidoras. A avaliação é do CEO do Grupo Equatorial, Augusto Miranda, durante entrevista ao Movimento Econômico, durante o evento Conexões Equatorial, realizado na terça-feira (31), em Maceió.

O executivo afirmou que energia é um insumo essencial para o desenvolvimento dos estados e destacou o plano de investimentos do grupo em Alagoas. Segundo ele, a companhia já aplicou R$ 2,9 bilhões no estado ao longo de sete anos e prevê investir mais R$ 700 milhões em 2026, com obras voltadas à ampliação da capacidade do sistema elétrico.

“Desde que chegamos aqui, há sete anos, já investimos R$ 2,9 bilhões. Neste ano, estamos investindo mais R$ 700 milhões, construindo linhas de transmissão, subestações e alimentadores, de forma que a gente possa fomentar o crescimento do estado”, disse.

Na leitura do CEO, o reforço da infraestrutura elétrica é condição para acompanhar o crescimento da economia e dar suporte à expansão de empreendimentos em diferentes regiões. A fala se soma ao balanço apresentado pela Equatorial Alagoas no evento, onde foram apresentados indicadores operacionais. 

A companhia ampliou em 31% a capacidade de energia disponível no estado entre 2019 e 2025 e construiu oito novas subestações em regiões como Agreste, Sertão, Litoral Norte e Maceió. Para a Equatorial, esse reforço da rede busca garantir oferta de energia com mais segurança para sustentar o crescimento econômico de Alagoas.

Perdas seguem como gargalo para distribuidoras

Ao comentar os desafios da distribuição no país, Augusto Miranda reconheceu que as perdas no sistema elétrico seguem entre os gargalos do setor. O tema tem peso estratégico para as concessionárias porque afeta a sustentabilidade econômico-financeira da operação, a segurança da rede e a própria capacidade de investimento.

Em Alagoas, a Equatorial reduziu o índice de perdas de energia de 30% em 2019 para menos de 16% no ano de 2025. Parte dessas perdas está ligada ao processo técnico de distribuição, mas a maior parcela historicamente vinha de perdas comerciais, especialmente furto de energia.

Na avaliação da distribuidora, reduzir esse indicador significa não apenas melhorar a saúde financeira da concessão, mas também diminuir riscos de acidentes e distorções no mercado. Durante a apresentação, o presidente da Equatorial Alagoas, Sérgio Oliveira, argumentou que as ligações clandestinas afetam a arrecadação pública, comprometem a segurança e geram concorrência desleal, especialmente quando envolvem consumidores comerciais e industriais.

Geração distribuída exige disciplina, não resistência

Questionado pelo Movimento Econômico sobre os impactos da geração distribuída e do avanço das renováveis sobre as distribuidoras, o CEO do Grupo Equatorial defendeu que esse movimento já está consolidado e deve ser incorporado ao funcionamento do setor.

“Geração distribuída e energias renováveis são realidades que vieram para ficar. Você não pode ser contra isso. O que precisa, às vezes, é disciplinamento, mas é uma realidade que veio para ficar”, afirmou.

Ele também defendeu uma convivência harmônica entre os diferentes agentes do mercado e disse que o avanço dessas fontes também deve ser encarado como oportunidade para as empresas de energia. “O Brasil tem a maior matriz renovável do mundo e uma oportunidade para as distribuidoras também. Acho que você tem que tirar proveito disso. A gente faz parte da sociedade e, de forma harmônica, pode conviver com isso”, acrescentou.

Echoenergia Equatorial
Grupo Equatorial tem diversificado investimentos em energia eólica e solar, além de avançar com serviços em outros segmentos. Foto: Divulgação

Equatorial amplia atuação em renováveis e saneamento

A posição do CEO Augusto Miranda também dialoga com o próprio movimento de diversificação do Grupo Equatorial nos últimos anos. Em 2022, a companhia concluiu a aquisição da Echoenergia por cerca de R$ 7 bilhões, operação que ampliou sua presença em geração renovável e adicionou capacidade de até 2,4 GW em projetos eólicos e solares, dos quais 1,2 GW já estavam em operação à época.

Além disso, a Equatorial também atua em geração solar distribuída por meio da Enova, empresa adquirida em 2021 e apontada pelo grupo como uma das pioneiras nesse mercado, com atuação no Nordeste. No braço da Echoenergia, a expansão da fonte solar seguiu com o desenvolvimento de novos projetos próprios, como os complexos Ribeiro Gonçalves, no Piauí, e Barreiras I, na Bahia.

Juntamente com empresas dos segmentos tradicionais do setor elétrico, o Grupo também investe em outras frentes, como saneamento (Concessionária do Amapá), telecomunicações (Equatorial Telecom) e soluções para atividades backoffice, vendas e call center (Equatorial Serviços).

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