
Os valores emprestados pelo Banco do Nordeste (BNB) aumentaram 25% em Pernambuco durante o ano passado, com uma contratação de crédito total de R$ 7,8 bilhões, contra os R$ 6,3 bilhões financiados em 2024. A liberação destes recursos contribuiu para gerar ou manter 49 mil empregos diretos e indiretos, elevou a massa salarial em R$ 85 milhões no estado e provocou um incremento de R$ 210 milhões na arrecadação tributária, segundo um estudo feito pela instituição bancária.
“Foi um aumento expressivo num momento em que algumas variáveis, como a taxa Selic estava em alta, a inadimplência elevada, fatores que influenciam bastante o crédito. E, ainda assim, conseguimos fazer a nossa entrega de maneira significativa. Pelos números, a gente percebe que o desenvolvimento da região passa pelo crédito do BNB”, resume o superintendente do BNB em Pernambuco, Hugo Queiroz.
Do total financiado em 2025 em Pernambuco, R$ 5,6 bilhões vieram do Fundo Constitucional do Nordeste (FNE) que registrou um aumento de 21% nas liberações para os empreendedores do Estado. Em 2024, o FNE emprestou R$ 4,6 bilhões aos empreendimentos instalados em Pernambuco.
Os setores que mais se destacaram e puxaram alta dos financiamentos foram o comércio e serviços com liberações de R$ 2,57 bilhões e um aumento percentual de 11,8% dos valores emprestados, comparando com 2024.
Percentualmente, o setor que mais cresceu foi o de infraestrutura com uma liberação de R$ 1,3 bilhão e um aumento de 170% nos valores emprestados. “A energia é um setor forte em financiamentos e começamos a fazer saneamento”, comenta Hugo. O BNB é um dos financiadores de uma Parceria Público-Privada (PPP) que vai implantar um parque solar para fornecer energia à Compesa.
As micro e pequenas empresas pernambucanas receberam R$ 1 bilhão em financiamentos em 2025, com aumento de 9,6% em relação a 2024, totalizando cerca de 6 mil operações. Desse total, 80% foram destinados aos setores de comércio e serviços. Outra informação relevante, 57% destes empréstimos ocorreram no semiárido pernambucano. Durante muito tempo, se falou que esta região não tinha demanda por este tipo de crédito. “A nossa intenção é dar prioridade a algumas regiões e as políticas públicas de incentivo também contribuem para esta demanda aparecer”, explica Hugo.
Na divisão por setores, a pecuária recebeu R$ 1,26 bilhão em 2025, com aumento de 0,28%, porque é um setor que tradicionalmente pega crédito no BNB, segundo Hugo. Já os empreendimentos na área de agricultura totalizaram R$ 705 milhões aplicados, com incremento de 40%, enquanto a indústria recebeu R$ 1,13 bilhão em financiamentos, o que representou uma alta de aproximadamente 25%. No estado, o destaque do setor industrial foi o financiamento de uma fábrica do setor cloroquímico no ano passado.

O BNB e o microcrédito do Crediamigo
O programa Crediamigo movimentou R$ 1,04 bilhão em 2025 em Pernambuco, com um crescimento de 24,4% nos valores liberados, quando comparado com o ano anterior, totalizando 304 mil operações. “Houve um projeto de expansão do programa. Foram 1200 operações por dia no Crediamigo”, conta Hugo.
No Crediamigo, 66% das operações realizadas em Pernambuco, no ano passado, foram por mulheres. “É um avanço na sociedade e às mulheres estão mais à frente dos negócios”, afirma Hugo.
O ticket médio desta linha foi de R$ 3.400 e a renda média mensal dos beneficiários ficou entre R$ 1.000 e R$ 3.000 no ano passado. A expansão do programa incluiu a ampliação da estrutura de atendimento no estado, que dobrou de tamanho.
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