
O Orçamento federal deste ano comprova uma mudança profunda na dinâmica do poder em Brasília. Com R$ 61 bilhões destinados a emendas parlamentares, um valor recorde, o debate deixou de ser apenas técnico e passou a revelar quem, de fato, comanda parcelas crescentes da verba pública no país. O volume inédito consolidou o protagonismo do Congresso Nacional sobre o Orçamento e reduziu, de forma estrutural, a margem de decisão do governo federal.
Historicamente, cabia ao Executivo formular a proposta orçamentária e definir prioridades, enquanto o Congresso ajustava e fiscalizava. Esse equilíbrio começou a se alterar em 2015, quando as emendas individuais se tornaram impositivas, obrigando o governo a executá-las. Em 2019, a ampliação desse mecanismo para as emendas de bancada aprofundou a mudança. O Parlamento passou a ter não apenas influência, mas controle direto sobre uma fatia relevante do Orçamento.
A evolução é expressiva. Em 2015, as emendas representavam cerca de 2,5% da verba discricionária. Hoje, se aproximam de 22%, com impacto ainda maior em ministérios com maior flexibilidade orçamentária. Em algumas pastas, a maior parte dos recursos “livres” já nasce comprometida com indicações parlamentares, antes mesmo de qualquer decisão estratégica do governo.
Na prática, o Executivo perdeu capacidade de planejar. Embora continue responsável pela execução, pela legalidade e pela entrega das políticas públicas, o governo passou a operar escolhas feitas fora do seu planejamento. Deputados e senadores definem valores, destinos e ministérios executores, moldando políticas públicas a partir de interesses regionais e eleitorais. O Orçamento deixa de refletir uma estratégia nacional e passa a ser fragmentado em múltiplas demandas locais.
Esse movimento fortaleceu o Congresso como eixo central da governabilidade. O controle sobre recursos tornou-se mais relevante do que cargos ou alianças formais. Ao mesmo tempo, aumentou o risco de decisões orientadas pelo calendário eleitoral, em detrimento de investimentos estruturantes e de longo prazo. O poder público passa a responder menos a um projeto de governo e mais a uma lógica distributiva.
Com um orçamento cada vez mais parlamentarizado, o Supremo Tribunal Federal pede mais transparência, rastreabilidade e limites institucionais.
O desafio é político e institucional e impõe uma solução para conciliar governabilidade, planejamento e equilíbrio entre os Poderes em um Orçamento que já não pertence apenas ao governo.

Navios
Na temporada 2025/2026, segundo a CrewCenter, Salvador (BA) será a capital do Nordeste que receberá mais navios de cruzeiro, com 21 embarcações previstas. Maceió (AL) lidera em número de escalas, com 35 paradas programadas. Já em volume de passageiros, Maceió também deve superar as demais capitais nordestinas, com estimativa de até 150 mil turistas desembarcando até abril de 2026. Recife (PE) aparece em terceiro lugar em escalas, com cerca de 17. Esses dados consolidam o crescimento do turismo marítimo na região.
Segurança
Na última quarta-feira, a orla da capital alagoana estava repleta de visitantes que chegaram no MSC Seaview e deixaram parte dos R$ 110 milhões que devem ser injetados na economia local nesta temporada. O que chamava atenção era o forte policiamento desde o porto e por toda orla, com presença até da cavalaria.
Cartão para empreendedoras
A fintech pernambucana Ella Bank, criada para impulsionar o empreendedorismo feminino, lançou oficialmente seu cartão próprio. Além de garantir segurança nas compras, o cartão dá acesso à Universidade Ella, mentorias com especialistas e a um ecossistema de negócios, produtos e serviços voltado ao protagonismo feminino. Está disponível para download no Brasil, Portugal e países de língua portuguesa. A proposta do Ella vai além da inclusão financeira: busca oferecer ferramentas concretas para que mulheres ampliem sua autonomia, renda e rede de conexões.
Leia mais:
Com Orçamento aprovado, União busca receitas extras para o caixa em 2026
Temporada de cruzeiros em Maceió inclui embarques e paradas de navios










