
O Carnaval é a festa dos recicláveis. O aumento do consumo de bebidas em poucos dias gera uma quantidade considerável de resíduos, como latinhas, garrafas PET e de vidro, aumentando a renda dos catadores no período. Somente a Central de Reciclagem do Recife – que recebe os resíduos gerados nos polos oficiais da folia realizada pela Prefeitura do Recife – deve superar o recebimento de 40 toneladas de recicláveis entre a quinta-feira (12) da semana pré-carnavalesca até a quarta-feira de cinzas (18).
“A quantidade de resíduos aumenta a cada ano durante o Carnaval, ultrapassando a quantia do ano anterior. Em 2025, coletamos 40 toneladas de recicláveis”, diz o diretor de limpeza urbana da Emlurb/Prefeitura do Recife, José Mário Antonino. Em 2023, a central recebeu 16 toneladas de recicláveis e, no ano seguinte, esta quantia ficou em 33 toneladas.
A central trabalha 24 horas por dia e mobiliza uma equipe de 308 catadores de cooperativas que recebem os resíduos coletados por mais de mil catadores de rua. “O importante é distribuir renda para as pessoas mais vulneráveis, fazer a destinação correta do resíduo e deixar a rua mais agradável pra quem vem brincar”, resume José Mário.
A estrutura da central também não implicou em mais gastos para o município. Uma parte dos patrocinadores banca uma parte da operação. A central também gera receita com a venda dos recicláveis para a indústria, sendo que uma parte dos recursos é distribuída com os 308 catadores que atuam na central e o restante vai para o custeio da própria operação.
Os ganhos dos catadores de rua chegam a aumentar até 200% no mês em que tem Carnaval comparando com os demais, segundo informações da Associação do Ciclo de Recicladores que atua no Grande Recife. Segundo a entidade, o volume da reciclagem está aumentando a cada ano porque a sociedade civil está mais consciente, mas ainda é baixo o valor pago por quilo de material reciclável.

Reciclagem alta de latinhas
A reciclagem de latas de alumínio no Brasil chega a 95%, segundo a Recicla Latas. A reciclagem de vidro no País atinge 33% de todas as garrafas que saem da indústria. “Isso significa cerca de 600 mil toneladas de vidro reciclado por ano. Essa quantia daria mais de 3 bilhões de garrafas long neck de 200 gramas”, explica o CEO e presidente executivo da Circula Vidro, Alexandre Macário.
Ele diz que o Carnaval tem impacto nesta reciclagem porque há um aumento do consumo de bebidas concentrado em poucos dias, mas é difícil mensurar, em termos percentuais o quanto das embalagens são recolhidas na época do Carnaval.
Segundo Alexandre, a reciclagem também ajuda a diminuir a falsificação de bebidas. Ocorreram várias mortes no País por causa da adição de metanol, principalmente em bebidas destiladas. “É importante que os bares, hotéis e consumidores descaracterizem as garrafas, descartando corretamente, rasgando o rótulo e tirando a tampa própria da garrafa”, comenta o executivo, se referindo principalmente aos destilados.
A reciclagem do vidro também faz o setor, como um todo, gastar menos matéria-prima e energia. “Na reciclagem do vidro, não há perda. É 100% reciclável. A matéria-prima original derrete a 1.500 graus centígrados, enquanto o caco (de vidro) derrete totalmente com 800 graus”, afirma Alexandre, acrescentando que a reciclagem também contribui para preservar o meio ambiente.
No Nordeste, existem duas grandes fábicas de garrafas de vidro, que reciclam este tipo de material . Uma fica em Pernambuco, que é a CIV, e a outra fica em Sergipe. “Estes estados conseguem fazer o ciclo completo, o que é interessante para a economia”, conclui Alexandre.
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