
Por Daniel Torres Araripe*
A Ferrovia Transnordestina, para a região de desenvolvimento econômico do Sertão do Araripe Pernambucano – RD3, começa a mostrar toda a sua força produtiva. Foi feito o primeiro carregamento de calcário dolomítico, 1.000 toneladas, para a região do MATOPIBA, para o sul do Piauí, onde irá beneficiar as terras produtivas de soja e milho.
Este fato do primeiro carregamento mostra a potencialidade da região em criar cargas para a ferrovia. Muitos empresários do ramo mineral estão animados com a entrada em operacionalização da ferrovia, onde está sendo resolvido o grande gargalo da produção na região, que era o preço do frete, que muitas das vezes se tornava muito mais caro que o preço do produto. Segundo eles, a grande vantagem não é só a questão do preço, porém a grande quantidade do produto que o trem leva por vez.
A região, além do calcário, a grande força é a gipsita in natura, na forma de gesso agrícola, que também é muito usado nas lavouras, principalmente na produção de soja. Brevemente será embarcado um comboio de trem com gesso agrícola para o sul do Piauí. Como também gesso para fabricação de placas drywall (gesso acartonado), que irá para uma fábrica no Ceará.
A região do Sertão do Araripe se desponta como uma das maiores bacias leiteiras do Estado de Pernambuco. Existe um plantel na região de mais de 261 mil bovinos, que têm na sua alimentação milho e soja. Já existem tratativas com o setor para que o trem traga do sul do Piauí estes insumos. A potencialidade gerada pelo criatório de bovinos gera por mês mais de 400 mil litros de leite, que são aproveitados nas queijarias instaladas na região.
Chapada do Araripe, uma nova fronteira
Uma nova fronteira começa a surgir na região, propriamente na Chapada do Araripe, onde se começa a usar o acrônimo PEPICE, que representa os Estados de Pernambuco, Piauí e Ceará. Empresários mato-grossenses estão adquirindo terras na Chapada do Araripe, do lado dos Estados de Pernambuco, Piauí e Ceará, para plantação de soja e milho, além do desenvolvimento da cultura da mandioca, que já existe em larga escala na região. Isso vai demandar cargas para escoamento da produção para outras regiões, como para exportação, através dos Portos de Pecém e, futuramente, por Suape, como também insumos para o preparo da terra, que poderão vir de outros países; o principal adubo para o desenvolvimento da soja vem do Canadá.
Com todas essas potencialidades, a região do Sertão do Araripe Pernambuco, juntamente com outras regiões fronteiriças entre os Estados de Pernambuco, Piauí e Ceará, em um raio de 150 km, prova a força e viabilidade econômica que se sobressai comparado com outras regiões do Sertão do Estado, onde futuramente poderá ser instalada uma central de distribuição de cargas ao longo da ferrovia, tanto cargas indo como vindo através dos portos para distribuição em toda região fronteiriça. Para uma região ser promissora não basta ser bem localizada, tem que mostrar produção, viabilidade econômica.
*Daniel Torres Araripe e empreendedor social e CEO da TORRES Consultoria & Negócios
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