
Com receita do século XIX trazida por um missionário alemão ao Sertão paraibano, o Queijo Bola do Lastro recebeu o primeiro Certificado de Registro de Estabelecimento (nº 001) emitido pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM) de Lastro, município de cerca de 5 mil habitantes localizado na região do Alto Sertão da Paraíba, a aproximadamente 420 quilômetros de João Pessoa. A certificação garante o cumprimento de padrões sanitários e abre caminho para comercialização do produto em outros estados. Na mesma ocasião, o município chancelou o projeto para a instalação da primeira fábrica artesanal padronizada da região, estruturada para expandir a capacidade de produção em escala comercial sem alterar os métodos tradicionais de fabricação.
A produção do Queijo Bola do Lastro não ultrapassa 60 peças por mês, segundo a justificativa do Projeto de Lei nº 2.446/2024, de autoria do deputado estadual Jutay Meneses (Republicanos), que resultou no reconhecimento do produto como patrimônio imaterial. Cada peça exige 12 litros de leite e é fabricada de forma totalmente artesanal, sem conservantes.
A coloração vermelha da casca é uma das marcas identitárias do produto, assim como o método de preparo, mantido em sigilo pelos produtores. José Hamilton, um dos produtores históricos do queijo, não revela os segredos da receita. A técnica original, de origem germânica, foi adaptada ao leite de vaca e à cultura sertaneja ao longo de gerações desde 1889, quando um missionário alemão ensinou a receita a fazendeiros do Alto Sertão paraibano.
O Queijo Bola do Lastro é reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado da Paraíba pela Lei Estadual nº 2.246/2024, aprovada pela Assembleia Legislativa da Paraíba. O texto legal justifica o reconhecimento por se tratar de “um produto único, ligado à cultura, à história, à economia e por seu papel de divulgação dos queijos artesanais paraibanos”. A receita foi transmitida entre famílias ao longo de gerações e adaptada ao leite de vaca e à cultura local.
Bola do Lastro premiado gera procura por queijo
A principal referência de produção contemporânea do Queijo Bola do Lastro é a Queijaria Dona Nenega, conduzida pelo empreendedor Renato Almeida e sua esposa Carla. A unidade produz 250 peças por mês, cada uma com processo artesanal que dura um mês inteiro da fabricação até o produto final. “É um queijo resiliente que sobreviveu esse tempo todo porque tem uma qualidade única, uma identidade especial. É um queijo 100% artesanal”, afirmou Almeida.
O empreendedor estima que seria necessário triplicar a produção mensal para atender à demanda gerada por eventos como o 2º Salão do Queijo da Paraíba, realizado em outubro de 2025 em João Pessoa. Naquele mês, o produto conquistou a medalha de ouro no 3º Concurso de Queijos da Paraíba, competição promovida pelo Instituto Social do Queijo (Isaque) com apoio do Sebrae, Sistema Faepa, Senar e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
O acompanhamento do Sebrae/PB à queijaria incluiu capacitações, orientações técnicas, análises físico-químicas e microbiológicas e preparação para feiras e concursos. “O grande objetivo é estruturar os processos de produção para emissão da certificação, o que permitirá a distribuição comercial para outros estados do país”, afirmou Almeida.
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