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Queijo paraibano Bola do Lastro ganha 1º registro e projeto de fábrica artesanal

Patrimônio Cultural Imaterial da PB, o Queijo Bola do Lastro recebe o 1º certificado sanitário e aprovação para a primeira fábrica artesanal padronizada do Sertão paraibano
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  1. Queijo Bola do Lastro registrado oficialmente
  2. Queijaria Dona Nenega produz 250 peças por mês
  3. Produto reconhecido como Patrimônio Cultural paraibano
  4. Produção exige 12 litros de leite por peça
  5. Queijo ganha medalha de ouro em concurso estadual
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Queijaria Dona Nenega consegue produzir 250 peças do Queijo Bola do Lastro por mês e conquistou medalha de ouro no 3º Concurso de Queijos da Paraíba realizado em outubro de 2025. Foto: Sebrae-PB/Divulgação

Com receita do século XIX trazida por um missionário alemão ao Sertão paraibano, o Queijo Bola do Lastro recebeu o primeiro Certificado de Registro de Estabelecimento (nº 001) emitido pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM) de Lastro, município de cerca de 5 mil habitantes localizado na região do Alto Sertão da Paraíba, a aproximadamente 420 quilômetros de João Pessoa. A certificação garante o cumprimento de padrões sanitários e abre caminho para comercialização do produto em outros estados. Na mesma ocasião, o município chancelou o projeto para a instalação da primeira fábrica artesanal padronizada da região, estruturada para expandir a capacidade de produção em escala comercial sem alterar os métodos tradicionais de fabricação.

A produção do Queijo Bola do Lastro não ultrapassa 60 peças por mês, segundo a justificativa do Projeto de Lei nº 2.446/2024, de autoria do deputado estadual Jutay Meneses (Republicanos), que resultou no reconhecimento do produto como patrimônio imaterial. Cada peça exige 12 litros de leite e é fabricada de forma totalmente artesanal, sem conservantes.

A coloração vermelha da casca é uma das marcas identitárias do produto, assim como o método de preparo, mantido em sigilo pelos produtores. José Hamilton, um dos produtores históricos do queijo, não revela os segredos da receita. A técnica original, de origem germânica, foi adaptada ao leite de vaca e à cultura sertaneja ao longo de gerações desde 1889, quando um missionário alemão ensinou a receita a fazendeiros do Alto Sertão paraibano.

O Queijo Bola do Lastro é reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado da Paraíba pela Lei Estadual nº 2.246/2024, aprovada pela Assembleia Legislativa da Paraíba. O texto legal justifica o reconhecimento por se tratar de “um produto único, ligado à cultura, à história, à economia e por seu papel de divulgação dos queijos artesanais paraibanos”. A receita foi transmitida entre famílias ao longo de gerações e adaptada ao leite de vaca e à cultura local.

Bola do Lastro premiado gera procura por queijo

A principal referência de produção contemporânea do Queijo Bola do Lastro é a Queijaria Dona Nenega, conduzida pelo empreendedor Renato Almeida e sua esposa Carla. A unidade produz 250 peças por mês, cada uma com processo artesanal que dura um mês inteiro da fabricação até o produto final. “É um queijo resiliente que sobreviveu esse tempo todo porque tem uma qualidade única, uma identidade especial. É um queijo 100% artesanal”, afirmou Almeida.

O empreendedor estima que seria necessário triplicar a produção mensal para atender à demanda gerada por eventos como o 2º Salão do Queijo da Paraíba, realizado em outubro de 2025 em João Pessoa. Naquele mês, o produto conquistou a medalha de ouro no 3º Concurso de Queijos da Paraíba, competição promovida pelo Instituto Social do Queijo (Isaque) com apoio do Sebrae, Sistema Faepa, Senar e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

O acompanhamento do Sebrae/PB à queijaria incluiu capacitações, orientações técnicas, análises físico-químicas e microbiológicas e preparação para feiras e concursos. “O grande objetivo é estruturar os processos de produção para emissão da certificação, o que permitirá a distribuição comercial para outros estados do país”, afirmou Almeida.

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