
O iFood Pago, fintech criada pela iFood, já emprestou cerca de R$ 3 bilhões a donos de restaurantes de todo o Brasil desde 2020. Desse montante, R$ 472 milhões foram liberados em crédito para restaurantes nordestinos, com destaque para Pernambuco, responsável por R$ 93,3 milhões do total regional. Ceará e Bahia aparecem logo em seguida, com R$ 89,8 milhões e R$ 86,2 milhões, respectivamente. Alagoas soma R$ 36 milhões e o Piauí, R$ 21,5 milhões.
O volume acompanha uma estratégia que vai além do delivery. O iFood tem ampliado sua atuação como parceiro financeiro dos restaurantes, apostando em crédito, ferramentas de gestão e inteligência de dados para impulsionar crescimento e profissionalização dos negócios. Atualmente, a empresa mantém cerca de R$ 1 bilhão em crédito pré-aprovado disponível para empreendedores.
Segundo o COO do iFood e CEO do iFood Pago, Bruno Henriques, a proposta da fintech é atuar como alavanca de expansão dos restaurantes. “O Pago serve para ajudar a prosperidade desse restaurante com investimento. O restaurante hoje tem uma carência de investimento. Como ele vai abrir uma segunda unidade? Como vai expandir? É o crédito. O iFood Pago conhece esse restaurante e aposta no futuro desse empreendedor”, afirmou.
O modelo de concessão se diferencia por utilizar dados da própria operação do restaurante dentro da plataforma, reduzindo burocracias e ampliando o acesso ao financiamento. Uma pesquisa Ipsos-Ipec citada pela empresa mostra que 63% dos empreendedores que recorreram ao iFood Pago não conseguiram aprovação em bancos tradicionais.
A estratégia reforça uma mudança de posicionamento do iFood, que busca ocupar espaço não apenas como aplicativo de entrega, mas como plataforma integrada de serviços para restaurantes.

Crédito para expansão e capital de giro
O crédito disponibilizado pelo iFood Pago atende perfis variados de negócios. Há operações menores, voltadas para capital de giro, e outras destinadas à expansão física ou modernização das cozinhas. “Tem restaurantes que pedem R$ 10 mil, R$ 40 mil, e outros que chegam a pedir R$ 1 milhão ou mais. Depende muito do plano de investimento e da jornada daquele restaurante”, explicou Bruno Henriques.
Os impactos aparecem também na gestão. De acordo com o levantamento apresentado pela empresa, 79% dos restaurantes que utilizaram crédito da plataforma relataram impacto positivo nos negócios, enquanto 81% apontaram melhora na organização financeira após o uso das soluções digitais do iFood Pago, como conta digital e ferramentas de pagamento.

iFood amplia operação B2B e aposta em escuta ativa
A nova fase do relacionamento com os restaurantes passa também pelo fortalecimento da área B2B da companhia. A diretora de Experiência do Restaurante, Rayana Peled afirma que o desafio da operação está na complexidade do público atendido.
“Quando a gente faz produto para o restaurante, está pensando em uma comunidade de pessoas diferentes, com acessos diferentes e necessidades diferentes. É muito mais complexo do que um produto voltado apenas para o consumidor final”, explicou.
A executiva destaca que o iFood mudou a forma de desenvolver ferramentas para os parceiros nos últimos anos. A empresa passou a construir soluções em conjunto com os próprios restaurantes, ouvindo operadores, gestores e donos de estabelecimentos antes do lançamento das funcionalidades.
“Antes, a gente criava uma ferramenta dentro do escritório e acreditava que ela funcionaria. Quando chegava no restaurante, a realidade era completamente diferente. Hoje, a construção é feita de forma coletiva”, afirmou.
A área liderada por Rayana reúne mais de 60 profissionais e atua tanto na operação diária quanto no desenvolvimento de ferramentas de gestão financeira, desempenho e atendimento.
Inteligência artificial e personalização ganham protagonismo
Um dos principais focos do iFood em 2026 é o uso de inteligência artificial para oferecer recomendações mais personalizadas aos restaurantes. A ideia é transformar dados operacionais em insights acionáveis, sem exigir que o empreendedor precise navegar por relatórios complexos. “O restaurante já tem acesso aos dados. O desafio agora é entregar isso de forma personalizada e proativa. A IA vai ajudar justamente nisso”, afirmou Rayana Peled.
Entre os exemplos citados pela executiva estão recomendações automáticas sobre ampliação de raio de entrega, ajustes de preço, inclusão de fotos no cardápio e oportunidades promocionais com base no comportamento de restaurantes semelhantes.
A empresa também pretende ampliar a visibilidade do programa Super Restaurante, selo que reconhece operações com melhor desempenho em critérios como pontualidade, baixa taxa de cancelamento e qualidade da experiência entregue ao consumidor.
Segundo Rayana, muitos restaurantes utilizam os indicadores do programa como ferramenta de gestão interna. “Eles imprimem os indicadores e colocam na cozinha para acompanhar metas de atraso e cancelamento. Isso acaba ajudando o restaurante a melhorar sua operação”, explicou.
Expansão regional e investimento no Nordeste

O movimento de aproximação regional tem sido tratado como prioridade estratégica pela companhia. Em 2026, o iFood pretende realizar 65 eventos presenciais em diferentes regiões do País, sendo 25 deles no Norte e Nordeste.
Os encontros fazem parte do programa iFood Day, voltado para capacitação, escuta ativa e troca de experiências com os parceiros locais. “O iFood já tem maturidade suficiente para olhar o Brasil de forma regionalizada. O Nordeste é extremamente relevante para a companhia”, afirmou a diretora de marketing B2B do iFood, Beatriz Pentagna.
Segundo a executiva, o iFood Move Mais, realizado em Salvadorno final de abril e acompanhado pelo Movimento Econômico como veículo credenciado, reforçou a importância de aproximar a empresa da realidade dos empreendedores fora do eixo Sudeste. “É o Brasil de verdade construindo junto com a gente”, disse.
A companhia também anunciou investimento de R$ 17 milhões em iniciativas voltadas para retenção e crescimento dos restaurantes parceiros, sendo R$ 6 milhões direcionados especificamente para ações de expansão dos estabelecimentos.
Plataforma amplia atuação em publicidade e grandes marcas
Além do crédito e das ferramentas operacionais, o iFood vem ampliando sua frente de publicidade digital. A área de iFood Ads conecta marcas e indústrias ao ecossistema da plataforma, utilizando dados de consumo para campanhas direcionadas.
Diretora sênior de Ads da companhia, Ana Paula Duarte explica que a operação já reúne mais de 200 anunciantes ativos e cresce acima de 100% ao ano. “Hoje o iFood conhece profundamente a jornada do consumidor. Isso permite ajudar as marcas a entender quais são as melhores alavancas para vender mais”, afirmou.
As ações incluem desde anúncios dentro do aplicativo até ativações em grandes eventos patrocinados pela empresa, como Carnaval, Rock in Rio e Copa do Mundo. O iFood também firmou parcerias ligadas à transmissão da Copa e a eventos presenciais de watch parties em diferentes cidades brasileiras.
Segundo Ana Paula Duarte, segmentos como bebidas e alimentos estão entre os que mais devem investir na plataforma durante a Copa do Mundo, impulsionados pelo aumento do consumo em momentos de celebração e entretenimento.
Como parte da estratégia de aproximação com o consumidor durante a Copa do Mundo de 2026, o iFood também anunciou o lançamento dos “Canarinhos iFood”, coleção de cinco pelúcias inspiradas na mascote das seleções brasileiras de futebol criada pela CBF. A ação integra a campanha “iFood. É do Brasil. É tudo pra mim” e reforça a aposta da empresa em experiências de engajamento ligadas ao entretenimento e à cultura popular.
Cada pelúcia faz referência a um dos cinco títulos mundiais conquistados pelo Brasil e será distribuída de forma surpresa no momento do resgate pelo aplicativo. Produzidos em poliéster e algodão, os itens têm cerca de 25 centímetros de altura e estarão disponíveis em todo o País a partir deste mês.
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