
Cada estado do Nordeste tem sua particularidade quando o assunto é delivery. Preferências gastronômicas, clima, cultura e até movimentos econômicos locais ajudam a explicar o que chega às mesas dos nordestinos por meio dos aplicativos. Um levantamento da iFood mostra como esses hábitos se consolidam e se transformam, com destaque para Pernambuco, Bahia e Ceará, três dos principais mercados da região.
Para o CEO da empresa, Diego Barreto, compreender essa diversidade é central para a estratégia da companhia. “O Nordeste para nós hoje é uma das regiões mais dinâmicas que existem. Essa região já é a segunda maior em número de pedidos no Brasil, com capitais como Recife e Salvador se destacando fortemente”, afirmou.
Segundo ele, o avanço do delivery está diretamente ligado à capacidade de entender o consumidor em diferentes momentos de consumo. “A forma como as pessoas se alimentam vai se equilibrar ao longo do tempo, entre cozinhar em casa, receber e comer fora. O que a gente quer é estar em todas essas ocasiões”, explicou.

Ceará: liderança em volume e foco na praticidade
O Ceará lidera o Nordeste em volume de pedidos e ocupa a oitava posição no ranking nacional, com crescimento de 15,19% em 2025. Fortaleza é o principal polo de consumo, concentrando mais de 72% dos pedidos do estado, mas o interior também apresenta avanço relevante, com destaque para cidades como Quixeramobim, Tianguá e Pacajus, que registraram altas expressivas no período.
O padrão de consumo cearense é marcado pela praticidade. A marmita lidera o crescimento entre as categorias, com alta de 21%, refletindo a busca por soluções rápidas no dia a dia.
O domingo é o dia mais movimentado, representando quase 20% do volume semanal, com forte concentração no período da noite. Esse padrão reforça o papel do delivery como alternativa consolidada para as refeições noturnas, especialmente nos fins de semana.
Bahia: crescimento acelerado e influência do clima
Na Bahia, o delivery vive um ciclo de expansão acima da média nacional. O estado registrou crescimento de 26% no volume de pedidos em 2025, tornando-se o que mais avançou no Nordeste e consolidando sua posição como o segundo maior mercado regional da plataforma. O desempenho reforça o papel estratégico da Bahia no ecossistema do setor, impulsionado tanto pelo volume das capitais quanto pelo avanço consistente do interior.
O comportamento do consumidor baiano também revela forte influência do clima e da cultura local. A categoria de sorvetes lidera o crescimento, com alta superior a 63%, enquanto a tapioca avançou mais de 55%, seguida pelas marmitas, com crescimento acima de 48%.
A culinária baiana também segue em expansão, refletindo a valorização da identidade regional no ambiente digital. Fora da capital, municípios como Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e Porto Seguro puxam o crescimento, sinalizando um movimento de interiorização com impacto direto na economia local.
Pernambuco: tradição, diversidade e novos hábitos
Em Pernambuco, o delivery reflete uma combinação entre tradição gastronômica e abertura a novas influências. O estado registrou crescimento de 18% no volume de pedidos, com destaque para a culinária árabe, que lidera a expansão com alta de quase 52%.
Ao mesmo tempo, itens tradicionais seguem ganhando espaço. A tapioca cresceu 49% no período, enquanto a culinária nordestina avançou 33%, reforçando a valorização dos sabores regionais.
As marmitas continuam sendo um dos principais motores do delivery, com crescimento de 31% e mais de 1 milhão de pedidos no ano, o maior volume absoluto entre os estados nordestinos.
O comportamento de consumo também é bastante definido. O domingo à noite concentra o maior número de pedidos, com pico por volta das 19h, consolidando o jantar como principal momento do delivery no estado.
Interiorização e identidade regional impulsionam novos mercados
Se nos grandes centros o delivery já está consolidado, em estados como Piauí e Alagoas o avanço recente revela um movimento ainda mais estratégico, com a expansão para além das capitais.
No Piauí, o volume de pedidos cresceu 24% em 2025, posicionando o estado como o segundo que mais avançou no Nordeste, atrás apenas da Bahia. O crescimento ocorre mesmo diante de uma base menor de pedidos, o que indica um potencial significativo de expansão do mercado local.
Um dos dados mais emblemáticos do Piauí é o protagonismo da culinária nordestina, que registrou crescimento superior a 180%, o maior entre todas as categorias monitoradas no estado. Ao lado disso, categorias como marmitas (+54%), hambúrgueres (+35,7%), doces e bolos (+35,4%) e sorvetes (+35,2%) também avançaram acima da média estadual.
Em Alagoas, o comportamento segue uma lógica semelhante, mas com forte influência da geografia litorânea. O estado apresentou crescimento de mais de 7% no volume de pedidos e se destaca pela preferência por frutos do mar, categoria que registrou alta superior a 64%, o maior avanço percentual local.
Além disso, o consumo em Alagoas também é impulsionado por categorias ligadas à praticidade, como as marmitas, que cresceram 28%, e pela culinária nordestina, com avanço de mais de 23%.
Embora Maceió concentre a maior parte dos pedidos, o crescimento mais acelerado ocorre no interior, com destaque para cidades como Marechal Deodoro, que mais do que dobrou seu volume de pedidos.
Nordeste: diversidade, dados e estratégia para delivery
De forma mais ampla, o levantamento aponta que o Nordeste reúne algumas das características mais particulares do país no consumo via delivery. Segundo Diego Barreto, a região apresenta comportamentos únicos em comparação com outras partes do Brasil.
“Aqui é onde o consumo de sorvetes mais cresce, onde a terça-feira tem mais relevância e onde o domingo é disparado o dia mais importante para pedidos, diferente do Sul e Sudeste, onde o pico é no sábado”, destacou.
Para o executivo, a chave está no uso de dados para adaptar a operação às especificidades locais. “Quando entendemos que o sorvete cresce mais, por exemplo, isso impacta diretamente a logística, porque o tempo de entrega passa a ser ainda mais crítico. Nosso papel é usar essas informações para ajustar a operação e apoiar os restaurantes”, afirmou.
Ele também reforça que o crescimento do setor depende de um ecossistema equilibrado. “A gente precisa respeitar a característica de cada restaurante. A entrega complementa o negócio, mas muitas vezes é o salão que constrói a marca. Quanto mais os restaurantes aprenderem a operar diferentes canais, com delivery, salão, WhatsApp, mais eles vão prosperar. E a gente precisa ser parte dessa engrenagem”, concluiu.
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