
A apicultura do Sertão pernambucano ganhou um reforço importante para aumentar sua competitividade e agregar valor à produção local. A Associação dos Criadores de Abelha do Município de Petrolina (Ascamp), que reúne 37 apicultores e produz cerca de 15 toneladas de mel por ano, foi contemplada no segundo edital do programa PE Produz com um projeto para implantação de uma unidade de beneficiamento de cera de abelha.
A iniciativa promete reduzir custos pela metade, além de ampliar a produção para 20 toneladas de mel por ano e fortalecer toda a cadeia apícola da região.
Executado pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), o PE Produz tem como objetivo apoiar arranjos produtivos locais e estimular o desenvolvimento econômico dos territórios. No caso da Ascamp, o investimento permitirá transformar um insumo estratégico da apicultura em uma oportunidade de geração de renda e de ampliação da produtividade.
Investimento para estruturar a cadeia
Segundo o associado da Ascamp, Natalício Luiz de Sá, o projeto recebeu R$ 120 mil em recursos não reembolsáveis do programa, além de uma contrapartida de R$ 16 mil da própria associação. Os recursos foram destinados à construção da unidade de beneficiamento, erguida em uma área de seis hectares pertencente à entidade, em Petrolina.
“Jamais uma associação comum teria condição de adquirir um recurso como esse com recursos próprios. Com esse processo, a gente consegue uma estrutura boa e facilitada para o nosso desenvolvimento”, afirmou.
A nova unidade foi projetada para realizar exclusivamente o beneficiamento da cera de abelha, considerada atualmente um dos insumos mais caros para os produtores. A associação já dispõe de um derretedor elétrico de cera e pretende adquirir novos equipamentos gradualmente para completar a operação.
Mais eficiência com a cera de abelha
Atualmente, muitos produtores precisam comprar cera de outras localidades de Pernambuco e da Bahia para renovar os enxames. Com a nova estrutura, a expectativa é aproveitar melhor a matéria-prima gerada pelas próprias colmeias.
“O beneficiamento vai melhorar muito para a gente. Vamos aproveitar mais a nossa própria matéria-prima. Os opérculos que a gente tira dos quadros e as ceras mais velhas poderão ser beneficiados e transformados em uma cera nova”, explicou Natalício.
O processo permite reaproveitar resíduos gerados durante a extração do mel e renovar as lâminas utilizadas pelas abelhas na construção dos favos. Isso reduz a necessidade de aquisição de material externo e acelera o desenvolvimento das colmeias.
A expectativa da associação é que a nova unidade gere uma redução de aproximadamente 50% nos custos relacionados à aquisição de cera. “Não só pode aumentar a produção de mel, como também vai diminuir nossos custos”, destacou o apicultor.
Impacto na produção de mel em Petrolina
Embora o foco do projeto seja o beneficiamento da cera, os efeitos devem alcançar diretamente a produção de mel. Isso porque a renovação dos favos contribui para melhorar as condições das colmeias e aumentar a eficiência do trabalho das abelhas.
A produção da Ascamp, no entanto, enfrenta desafios climáticos. Segundo Natalício, a estiagem e as altas temperaturas registradas este ano reduziram a disponibilidade de flores e néctar para alimentação dos enxames.
“Foi um ano muito ruim. Tivemos temperatura muito alta e praticamente sem chuva. A gente depende de uma boa florada e de um bom inverno para produzir mais”, afirmou.
Mesmo diante das dificuldades, a associação mantém uma produção média anual de cerca de 15 toneladas de mel, comercializadas para programas públicos de alimentação e também para o mercado local.
Fortalecimento da agricultura familiar
Além dos ganhos econômicos para os associados, o projeto tem potencial para beneficiar outros produtores da região. Caso a capacidade de beneficiamento seja ampliada, a associação poderá fornecer cera para apicultores vizinhos e outras entidades do Vale do São Francisco.
A iniciativa reforça ainda o papel da apicultura na agricultura familiar e na preservação ambiental. Responsáveis pela polinização de diversas culturas agrícolas, as abelhas são fundamentais para a produção de alimentos e para a manutenção da biodiversidade.
Com a nova unidade em fase final de construção, a expectativa dos produtores é iniciar as operações assim que os equipamentos complementares forem adquiridos.
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