
Os consumidores do Nordeste são os que mais aproveitam o fim do imposto de importação para artigos de baixo valor, popularmente chamado de “taxa das blusinhas”. Um levantamento recente realizado pela consultoria Plano CDE, a pedido da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), revela que a região supera a média do país no acesso às compras online internacionais.
Segundo os dados apresentados, a nova realidade do e-commerce atinge diretamente o comportamento da população regional. O impacto é perceptível sobretudo nas faixas de menor renda.
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A pesquisa aponta que 64% dos nordestinos pertencentes às classes C, D e E compraram itens importados nos últimos três meses. O número supera com folga a média do Brasil para o mesmo segmento socioeconômico, que registrou 56%.
Lojas brasileiras garantem espaço nas preferências
O interesse renovado por produtos vindos do exterior não significou abandono do comércio varejista brasileiro. A grande maioria dos moradores do Nordeste pretende continuar consumindo em plataformas locais.
A sondagem encomendada pela Amobitec aponta que 57% dos consumidores regionais pretendem aumentar o volume de pedidos em sites internacionais. No entanto, exatamente os mesmos 57% afirmam que vão manter a frequência de compras nas lojas nacionais, enquanto apenas 18% planejam reduzir.
Analisando o cenário nacional, o levantamento traz dados parecidos de intenção. Em todo o país, 66% dos entrevistados afirmam que manterão o nível de pedidos em lojas brasileiras, e 21% pretendem comprar ainda mais no mercado interno.
Prazos menores e logística no Nordeste
Fatores logísticos têm ajudado a segurar o interesse das pessoas nos estabelecimentos comerciais brasileiros. O fortalecimento de centros de distribuição e de hubs de entregas em estados nordestinos otimizou prazos para quem compra pela internet.
Ao mesmo tempo em que a infraestrutura regional avança, os programas de integração das grandes plataformas globais reduziram o tempo do envio internacional. O resultado é a convivência equilibrada entre o consumo de marcas locais e os pedidos de fora.
”A tributação sobre as compras internacionais de até US$ 50 foi um erro econômico que prejudicou principalmente as classes de menor aquisitivo. As pesquisas de opinião mostram que a população está ciente de que foi prejudicada pela taxa e que está de olho na atuação do Congresso Nacional sobre o tema”, alerta André Porto, diretor-executivo da Amobitec.
Rejeição ao imposto mobiliza o eleitorado
A reprovação ao imposto para compras de até 50 dólares segue consolidada no país e ganha força entre os moradores do Nordeste. Ao todo, 65% das pessoas ouvidas na região declararam ser contrárias ao retorno da cobrança.
Além da insatisfação no bolso, 65% dos nordestinos concordam que a cobrança pune os mais pobres e reduz o poder de compra. Outros 57% avaliam que o imposto de importação não gerou o estímulo esperado para o comércio local.
Taxa das blusinhas
A tributação sobre compras internacionais de baixo valor, apelidada de “taxa das blusinhas”, consistia em uma alíquota de 20% do Imposto de Importação federal cobrada sobre encomendas do exterior de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas em plataformas de e-commerce.
A medida havia sido aprovada pelo Congresso Nacional e entrou em vigor em agosto de 2024, permanecendo ativa por quase dois anos. No entanto, a cobrança federal foi temporariamente revogada em maio de 2026 por meio de uma Medida Provisória (MP 1.357/2026) com validade de 120 dias.
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