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Jogos do Brasil impõem novo teste ao sistema elétrico nacional

Os jogos da seleção brasileira na Copa estão trazendo mais um desafio: manter o equilíbrio do sistema elétrico com as quedas bruscas de consumo de energia
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  1. Consumo de energia cai 21% durante jogos da seleção brasileira, desafiando o sistema elétrico nacional.
  2. Oscilações rápidas de carga dificultam equilíbrio entre geração e distribuição, podendo provocar apagões.
  3. Jogo contra Japão no horário de pico solar agravou desafio ao sistema elétrico nacional.
  4. Microgeração distribuída nos telhados não sofre cortes, tornando equilíbrio do sistema mais complexo.
  5. Cortes de geração de renováveis custaram R$ 6 bilhões ao país em desperdiço energético.
Copa do Mundo venda de televisores alimentos estudo Fecomércio-PE - Foto: Restaurante Bargaço/Divulgação
Os jogos da seleção brasileira é um dos raros momentos em que o consumo de energia cai abruptamente. Copa do Mundo é um dos raros momentos em que o consumo de energia cai abruptamente. Foto: Restaurante Bargaço/Divulgação

A tradição de parar tudo pra assistir ao jogo na frente de uma TV, quando a seleção brasileira entra em campo, faz o consumo de energia cair bruscamente, trazendo mais um desafio ao Sistema Interligado Nacional (SIN) que abastece 99% do País. No último jogo da canarinha contra o Japão, o consumo chegou a cair 21% com a carga de todo o País ficando em 66.515 megawatts (MW) às 14h47m, o menor consumo registrado durante a partida. Essas oscilações exigem ajustes na operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), pois reduções e aumentos rápidos da carga dificultam o equilíbrio entre geração e distribuição, podem contribuir para provocar apagões. Nos três jogos anteriores da seleção, a carga do SIN caiu, respectivamente, em média 8,6%, 9,6% e 14,4%, em relação a dias equivalentes sem partidas, que foram tomados como referências.

Geralmente, o comportamento do consumo de energia é o seguinte: começa a cair uma hora antes das partidas da seleção brasileira começar, provocada pela interrupção das atividades em diversos setores. Esse comportamento permanece até o fim do primeiro tempo. No intervalo da partida há uma rápida elevação da carga, quando as pessoas realizam outras atividades, seguida por uma nova rampa de aumento ao término do jogo.

Para o leitor ter ideia na rampa pós-jogo do Brasil e Japão, o consumo voltou a crescer 12.784 MW, o que representou 19% a mais, num período de 60 minutos. No intervalo, a carga chegou a registrar uma elevação de 2.659 MW, subindo 4% em 9 minutos.

O jogo desta segunda-feira (29) foi classificado, por técnicos do setor, como o grande desafio do sistema elétrico, porque além das movimentações bruscas na carga, a partida ocorreu justamente no horário de pico da geração solar, quando há maior excedente de energia, sendo produzida por este tipo de fonte, especialmente nas usinas de micro e minigeração distribuída (MMGD), que inclui as pequenas usinas instaladas nos telhados das casas.

A maior parte das pequenas usinas da MMGD não sofre com os cortes de geração e isso torna mais difícil equilibrar o sistema elétrico. Quando a geração de energia está muito maior do que a carga (consumo), o ONS manda várias usinas de energia eólica e solar produzirem menos para equilibrar o SIN, o que recebe o nome de cortes de geração. No ano passado, estes cortes trouxeram um prejuízo estimado em R$ 6 bilhões, principalmente para as eólicas e solares instaladas no Nordeste. O País desperdiçou 20,6% de toda a energia renovável que poderia ter produzido.

O ONS e os jogos da Copa

Um pouco antes da Copa começar, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) adotou um esquema no domingo (07), pedindo para 12 distribuidoras de energia cortarem 1 mil MW de geração entre as 10h e 14h em pequenos sistemas de geração renováveis administrados por empresas, seguindo um planejamento do ONS. Na época, chegou a ser cogitado que isso poderia ocorrer nos dias de jogos da seleção brasileira como forma de reduzir o excedente da geração de renováveis. Também foi divulgado que a medida tinha sido adotada devido à combinação de elevada geração de energia – das renováveis – e o baixo consumo durante o feriado prolongado de Corpus Christi.

Ainda para acompanhar os impactos da Copa do Mundo sobre o consumo de energia, o ONS está divulgando boletins sobre o comportamento da carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) até a manhã seguinte às principais partidas.

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