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Milho, amendoim e macaxeira: Sergipe amplia produção para o São João

Perímetros irrigados projetam crescimento de até 15% no milho em 2026, com amendoim e macaxeira também em alta, garantindo abastecimento no período junino em Sergipe
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  1. Sergipe projeta 8 mil toneladas de milho em 2026, crescimento de 12% a 15% para período junino.
  2. Macaxeira e amendoim expandem produção nos perímetros irrigados sergipanos entre 2023 e 2025.
  3. Produtores relatam dobro de faturamento durante São João com demanda ampliada de alimentos típicos.
  4. Sergipe lidera produtividade nacional de grãos com 5.989 quilos por hectare na safra 2024/25.
  5. Milho atingiu 1,1 milhão de toneladas, maior marca histórica estadual com crescimento de 17,9%.
Perímetros irrigados do Governo de Sergipe impulsionam produção de milho, alimento típico do São João
Perímetros irrigados de Sergipe impulsionam produção de milho, alimento típico do São João. Foto: Erick O’Hara/Ascom SE

Os perímetros irrigados de Sergipe devem produzir cerca de 8 mil toneladas de milho em 2026, crescimento de 12% a 15% sobre o ano anterior, segundo a Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), volume equivalente a 24,2 milhões de espigas que chega ao mercado às vésperas do período junino, época de maior demanda do ano. Em 2025, os perímetros Califórnia (Canindé de São Francisco), Jacarecica I (Itabaiana), Jacarecica II (Areia Branca, Malhador e Riachuelo), Poção da Ribeira (Itabaiana) e Piauí (Lagarto) já haviam registrado 7.110,5 toneladas de milho, 13% superior ao de 2024.

Macaxeira e amendoim acompanham a expansão. Entre 2023 e 2025, os perímetros produziram 11.636,8 toneladas de macaxeira em 611,46 hectares, movimentando R$ 22,9 milhões. De janeiro a março de 2026, a produção da raiz foi de 909,6 toneladas, crescimento de 9,3% sobre o mesmo período de 2025. O amendoim registrou 870,3 toneladas em 2025, avanço de 9,5% sobre 2024, com valor estimado de R$ 5,3 milhões, alta de 20% em relação ao ano anterior, segundo a Coderse.

O impacto financeiro chega diretamente aos produtores. No Perímetro Piauí, em Lagarto, o agricultor Antônio Barbosa descreve o salto de faturamento que o período junino representa: em meses comuns, sua produção gira em torno de 10 toneladas de milho, com faturamento médio de R$ 20 mil. No São João, a demanda dobra e a comercialização sobe para entre 30 e 40 toneladas, com receita de até R$ 50 mil. Já o produtor Adelmo Bispo da Silva relata que o amendoim praticamente dobra de volume antes mesmo de junho: a média mensal passa de 30 a 40 toneladas para 100 a 120 toneladas na época junina. “O amendoim continua sendo a principal cultura da minha propriedade e a principal fonte de renda da família”, afirmou.

O abastecimento junino é o reflexo imediato de uma trajetória mais longa: Sergipe liderou o ranking nacional de produtividade de grãos por hectare pelo segundo ano consecutivo. Na safra 2024/25, o estado registrou média de 5.989 quilos por hectare e produção total de 1,1 milhão de toneladas, crescimento de 17,7% sobre a safra anterior, segundo o 12º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em setembro de 2025. Em 2024, a produtividade já havia sido de 5.107 kg/ha, suficiente para o primeiro lugar nacional naquele ano.

Milho puxa desempenho agrícola em Sergipe

O milho puxou o resultado: a cultura saltou de 966,9 mil toneladas para 1,1 milhão na safra 24/25, crescimento de 17,9% e maior marca da série histórica estadual. O arroz consolidou Sergipe como terceiro maior produtor do Nordeste, com 41.153 toneladas e produtividade média de 9.000 kg/ha, acima da média nacional, que varia entre 6.587 e 7.600 kg/ha segundo a Conab. O estado combina área cultivada relativamente pequena, 199 mil hectares na safra 24/25, com alto rendimento por unidade de área, padrão que explica a liderança em produtividade sem figurar entre os maiores produtores absolutos do país.

O governo estadual atribui parte do desempenho ao Programa Sementes do Futuro, executado pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro). Entre 2023 e 2026, o programa distribuiu 1.330 toneladas de sementes de milho e arroz para 76.802 famílias em 67 municípios, com investimento declarado de R$ 18,3 milhões, sendo R$ 10,9 milhões destinados ao milho e R$ 7,4 milhões ao arroz, voltado a cerca de 1.600 produtores em seis municípios do Baixo São Francisco. A redução da alíquota do ICMS sobre a comercialização do milho é apontada pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) como fator adicional de competitividade.

Ceasa registra crescimento no abastecimento

A Central de Abastecimento de Sergipe (Ceasa), em Aracaju, já sente o aumento da produção. Só em maio, a unidade recebeu cerca de 45 mil quilos de milho, equivalente a 142 mil espigas. Segundo o gestor Roberto Marques, os preços tiveram reajuste moderado de 10% a 12% sobre 2025, e a expectativa é de crescimento nas vendas ao longo do período junino. O movimento aquecido refletiu também na geração de emprego: a Ceasa registrou crescimento de 20% no cadastro de carregadores em relação a 2025, com cerca de 291 permissionários ativos na unidade.

A liderança estadual tem base na agricultura familiar. O produtor José Adriano dos Santos, beneficiário do Programa Sementes do Futuro neste ano, calculou a economia gerada pelo acesso às sementes subsidiadas. “Se fosse comprar, eu ia gastar bastante, porque um saco de sementes de milho está custando entre R$ 300 e R$ 350. Então foi uma grande ajuda”, afirmou. O retorno financeiro estimado pelo governo estadual para o programa de arroz no Baixo São Francisco é de R$ 70,5 milhões, valor calculado pela própria Seagri, sem metodologia independente publicada.

*Com informações do Governo de Sergipe

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