
Em tempos de crise, como a que o setor sucroenergético está vivendo no Nordeste após a tarifação do açúcar nos Estados Unidos mesmo dentro da pequena cota estabelecida anualmente, não há limites de esforços para mudar a situação.
São várias frentes. As indústrias mantêm contato permanente com o governo federal, insistindo para que se abra uma janela de negociação com Donald Trump, e os canavieiros traçam planos em paralelo.
Nesta terça-feira, o apelo deverá ser feito diretamente ao presidente Lula, que cumpre agenda em Pernambuco, em Cupira, e na Refinaria Abreu Lima, em Ipojuca, em companhia da governadora Raquel Lyra.
Alexandre Lima, presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), e Gérson Carneiro Leão, do Sindicato Estadual dos Cultivadores de Cana (Sindicape) esperam apresentar diretamente as reivindicações, a partir da constatação de que o “preço da cana caiu 40% desde a implantação do tarifaço agora em 40%”, como explica Lima.
Desde agosto a AFCP vem pedindo para que o governo federal aprove uma subvenção de R$ 12 a tonelada de cana no Plano Soberano. O governo deixou de fora o setor, que agora espera mudanças na MP específica em tramitação na Câmara dos Deputados.
Etanol na conta
Outra linha de ajuda federal, para minimizar o “desespero de 9 mil canavieiros afetados, dos quais 92% não produzem mais de 1 mil toneladas ano”, é a inclusão da cana na Política de Garantia de Preço Mínimo (PGPM), operada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Para o governo estadual, a demanda dos canavieiros é a inclusão do crédito presumido do ICMS – que permite uma base de cálculo por suposição de crédito e acarreta benefício tributário -, na produção adicional de etanol anidro. Este mix da indústria não é o forte de Pernambuco, mas o presidente da AFCP acredita que a articulação do setor permitiria essa “virada de chave”.
“E o governo estadual arrecadaria mais, pois o anidro recolhe R$ 0,58 de ICMS por litro e até o fim da safra, seria possível fabricar até 200 milhões de litros, o que representaria R$ 116 milhões em ICMS”, afirma Alexandre Lima, com a experiência de quem também preside a Usina Cooperativa Coaf, de Timbaúba.
Até mesmo ação quase simbólica deverá chegar às mãos da governadora Raquel Lyra, em articulação também feita por deputados estaduais. O apelo para que a frota veicular do Estado use exclusivamente etanol hidratado, como mais uma forma de desviar a cana do açúcar em baixa para o biocombustível.
Articulação setorial a pedido dos canavieiros
Há algumas semanas, as indústrias de açúcar e etanol pernambucanas atenderam a um pedido de socorro dos produtores.
Através de articulação com Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar e da Novabio, já está valendo a inclusão do açúcar refinado no preço final do Consecana, mais um bônus de R$ 5 por tonelada.
Mesmo com o forte baque nas exportações aos Estados Unidos, cuja cota é performada pelo Nordeste, Cunha reconhece a importância de estender apoios à toda a cadeia, mesmo porque a permanência do canavieiro na produção é parte da garantia da entrega futura de cana às usinas.
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