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Brasil perto da meta mundial de consumo de ovos. PE já superou marca

Números marcam o Dia Mundial do Ovo, celebrado nesta sexta-feira
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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OMS recomenda 360 ovos per capta por ano/Foto: Freepik

Nesta segunda sexta-feira de outubro, data em que se comemora o Dia Mundial do Ovo, a boa notícia é que o Brasil se aproxima cada vez mais da meta de consumo recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela World Egg Organization (WEO): 360 ovos por habitante. Pela primeira vez, segundo projeções do Instituto Ovos Brasil, o país deve ultrapassar os 300 ovos per capita em 2026, consolidando-se entre os sete maiores consumidores do mundo.

Em Pernambuco, maior produtor de frango e ovos do Nordeste, essa meta já foi superada há cerca de cinco anos. Graças a um trabalho consistente de conscientização e campanhas educativas, o estado atingiu 320 ovos por pessoa ao ano, ultrapassando a média nacional e se destacando como o primeiro do Nordeste em consumo e produção.

“Há dez anos, o Brasil não figurava nem entre os 30 maiores consumidores de ovos”, lembra Edival Veras, presidente do Instituto Ovos Brasil. “Hoje, estamos na sétima posição, e Pernambuco está à frente, com resultados que mostram o quanto o consumidor passou a reconhecer o ovo como um alimento completo e saudável.” O México está no topo do ranking, com consumo médio de 400 ovos per capta, seguido pelo Japão, com 380, pelos Estados Unidos, com 360.

Edival Veras é vice-presidente da AVIPE e falou sobre impactos da gripe aviária para o agro
Edival Veras é presidente do Instituto Ovos Brasil e vice-presidente da AVIPE /Foto: Divulgação

Criado há 17 anos, o Instituto Ovos Brasil foi decisivo para transformar a relação do brasileiro com o alimento. Quando surgiu, o consumo médio nacional não passava de 120 ovos por pessoa ao ano — número muito abaixo da média global. O principal desafio era combater a resistência de médicos, nutricionistas e donas de casa em relação ao colesterol.

“Ovo injustamente condenado”

“Durante muito tempo, o ovo foi injustamente condenado. As pessoas associavam o alimento ao aumento do colesterol total, sem compreender que o ovo é rico em HDL, o colesterol bom, que protege o organismo”, explica Veras.

Com base em pesquisas científicas e uma forte estratégia de comunicação, o Instituto passou a participar de congressos, envolver profissionais de saúde e lançar campanhas educativas em todo o país. O resultado foi uma mudança de mentalidade. “Quando o consumidor percebeu que o ovo não é vilão, mas aliado da saúde, o consumo explodiu”, afirma.

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A avicultura pernambucana é marcada por modelos de produção distintos: alguns produtores se dedicam exclusivamente à produção de ovos e outros à de frangos/Foto: Reprodução/Agência Brasil

Atletas e profissionais de nutrição também tiveram papel importante nesse avanço. “Antes, muitos consumiam apenas a clara, por causa da albumina. Hoje, entendem que o ideal é consumir o ovo inteiro, porque é na gema que estão vitaminas, minerais, colina e biotina — nutrientes essenciais para o funcionamento do corpo e da mente”, destaca o dirigente.

Além de proteína de alta qualidade, o ovo é apontado por estudos como aliado no combate ao diabetes, na regulação da obesidade e na melhora da função cognitiva. “É um alimento completo, de alto valor biológico e baixo custo”, sustenta Edival Veras.

Pernambuco líder em ovos e frangos

O Dia Mundial do Ovo, celebrado nesta sexta-feira (10), encontra o Nordeste em posição de destaque. Pernambuco, por exemplo, tem produção de ovos e frangos com eficiência produtiva elevada, o que garante preços competitivos ao consumidor e torna o estado referência na avicultura do país.

Atualmente, o estado é o quarto maior produtor de ovos do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, e ocupa a nona posição na produção de frangos.

A avicultura pernambucana é marcada por modelos de produção distintos: alguns produtores se dedicam exclusivamente à produção de ovos e outros à de frangos. A diferença está na genética das aves. As galinhas poedeiras, por exemplo, têm vida útil de até 100 semanas, produzindo ovos com regularidade antes de serem descartadas. Já os frangos de corte chegam ao abate com sete semanas, atingindo cerca de três quilos.

“São duas cadeias diferentes, mas ambas altamente eficientes. Essa produtividade permite que o preço chegue de forma acessível ao consumidor brasileiro, mesmo com períodos do ano em que os custos de ração ficam mais altos”, explica Veras.

Produção de ovos Nordeste Pernambuco Ceará IBGE
Ovo: alimento democrático e nutritivo/Foto: Rodrigo Felix/ANPr

Um dos fatores que ajuda a equilibrar esses custos é o milho produzido em Sergipe, base da alimentação das aves. Durante seis meses do ano, o insumo é adquirido a curta distância — cerca de 400 quilômetros —, o que reduz despesas logísticas. Fora desse período, o milho precisa vir de regiões mais distantes, a até 1.200 quilômetros, o que eleva o custo de produção.

Mesmo assim, o Nordeste é autossuficiente na produção de ovos e importa apenas parte do frango que consome, sobretudo de estados do Sul e do Centro-Oeste.

A campanha internacional “Target 365”, coordenada pela OMS e pela WEO, recomenda o consumo de pelo menos um ovo por dia para garantir os níveis adequados de proteína e micronutrientes essenciais na dieta.

“O Brasil está muito próximo de atingir essa meta, e Pernambuco já é um exemplo de sucesso. É um alimento democrático, nutritivo e fundamental para o desenvolvimento cognitivo, especialmente de crianças e idosos”, conclui o presidente do Instituto Ovos Brasil.

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