
Após a interrupção de fornecimento, as distribuidoras deverão informar à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em até 15 minutos, a previsão de restabelecimento do serviço. A exigência faz parte do projeto RADAR, sistema que vai monitorar, em tempo real, as interrupções de energia elétrica em todo o país. A plataforma permitirá visualizar o número de consumidores sem energia em determinada área, com atualizações contínuas e interface responsiva. A ferramenta foi apresentada na sexta-feira (8) aos presidentes das maiores distribuidoras de energia e está em fase de adaptação, com prazo para implementação plena até janeiro de 2026.
As falhas no fornecimento também se traduziram em impacto financeiro relevante. Em 2024, as distribuidoras de energia do país pagaram R$ 1,122 bilhão em compensações automáticas a consumidores por ultrapassarem os limites de duração e frequência das interrupções. No Nordeste, o valor somou aproximadamente R$ 278 milhões, distribuídos entre todas as concessionárias da região.
Desenvolvido desde 2023, o RADAR foi testado em projeto-piloto com a CPFL Santa Cruz, distribuidora que atua no interior de São Paulo, atendendo municípios como Santa Cruz do Rio Pardo, Ourinhos e Assis. O sistema funcionará com transmissão automática, segura e auditável de dados, garantindo rastreabilidade e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A Agência ressalta que o sistema já está funcional e que o prazo de transição foi concedido para que as distribuidoras adequem seus sistemas à transmissão automática, segura e auditável das informações. O sistema poderá ser acessado por meio do aplicativo ANEEL Consumidor ou pelo site da Agência, na página de relatórios e indicadores interativos de distribuição. O descumprimento das obrigações poderá resultar em advertências, multas proporcionais ao faturamento e abertura de processos administrativos.
O anúncio ocorreu em um momento em que a qualidade do fornecimento de energia ainda apresenta desafios regionais. Dados do Boletim de Monitoramento do Sistema Elétrico mostram que, na média dos primeiros seis meses de 2024, o Brasil registrou 2,45 interrupções por unidade consumidora, com tendência anual de 5,07.
As regiões Norte e Centro-Oeste foram as mais afetadas, com projeções de 10,43 e 7,41 interrupções anuais, respectivamente. O Nordeste apresentou média acumulada de 2,34 interrupções no semestre, projetando 4,87 no ano, índice acima do Sudeste (3,75) e inferior ao Sul (5,61).
Nordeste teve maior suspensão de geração de energia eólica e solar
Embora não lidere o ranking em frequência de quedas de energia, o Nordeste concentrou, em 2024, 75% das horas de geração suspensa em usinas eólicas e solares do país, totalizando mais de 330 mil horas paradas. A região também registrou casos extremos, como no Ceará, onde consumidores ficaram, em média, até 28,2 horas sem energia, com 4,19 interrupções anuais por unidade.
Esses números evidenciam a importância do RADAR para a região, que tem na geração renovável — especialmente eólica e solar — mais de 80% de sua matriz elétrica e depende de uma rede de transmissão eficiente para manter a estabilidade do fornecimento.
No ranking de continuidade da ANEEL, apenas duas distribuidoras nordestinas de grande porte figuraram entre as dez melhores do país em 2024: Energisa Paraíba, na segunda posição com DGC de 0,62, e Neoenergia Cosern (RN), em quarto lugar com DGC de 0,63.
Outras empresas da região apresentaram desempenho inferior, como Enel Ceará, na 24ª posição com DGC de 0,87. Com a implantação plena do RADAR, a expectativa da Agência é que as distribuidoras melhorem o tempo de resposta, reduzam a duração das ocorrências e minimizem prejuízos, especialmente em áreas remotas e dependentes de geração renovável.
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