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Governadores do Ceará e Piauí reagem a tarifaço dos EUA sobre exportações

Ceará, segundo estimam analistas, será o estado da Região Nordeste mais afetado pela sobretaxa americana às exportações aos EUA de produtos brasileiros
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Os governadores do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e do Ceará, Elmano de Freitas (PT), reagiram ao decreto dos Estados Unidos que impõe tarifas adicionais de 40% sobre produtos exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano.
Governadores do Ceará e do Piauí, Elmano de Freitas e Rafael Fonteles. Foto: Divulgação

Os governadores do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e do Ceará, Elmano de Freitas (PT), comentaram, na tarde desta quinta-feira (31), sobre quais serão as reações dos executivos dos dois estados ao decreto dos Estados Unidos que impõe tarifas adicionais de 40% sobre produtos exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano.

Na avaliação de Fonteles, que também preside o Consórcio Nordeste, o Brasil tem feito um bom trabalho por meio da diplomacia, mas é necessário apoio direto da União. Ele informou que participará, no próximo dia 5, de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os demais governadores da região para tratar da questão das tarifas.

“O Consórcio Nordeste terá um encontro com o presidente Lula e com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, para tratarmos do tema em conjunto”, afirmou.

Fonteles acrescentou que, no caso do Piauí, uma das estratégias para reduzir os efeitos das tarifas é a abertura de novos mercados. “Não acredito que haverá solução sem a participação do Governo Federal. O que temos feito no Piauí, especialmente com o mel, é abrir novos mercados — a Investe Piauí conseguiu acesso ao mercado japonês. Essa é uma medida para diminuir os impactos”, explicou.

Ceará reforça união com empresas e produtores

Já o governador do Ceará, estado mais afetado pelas tarifas impostas pelos EUA, reforçou os prejuízos à economia local e defendeu a união de forças políticas estaduais e federais para enfrentar os efeitos da medida.

“Neste momento difícil, estou ao lado das nossas empresas e dos nossos produtores, do maior ao mais humilde, para minimizar os impactos nos seus negócios e para que os empregos dos cearenses sejam preservados”, disse em pronunciamento.

Segundo Elmano, um grupo de trabalho está sendo articulado junto ao MDIC para discutir ações conjuntas. “Estou solicitando uma audiência até domingo para discutirmos. Não se faz negociações isoladas. Precisamos garantir que a economia cearense esteja incluída nas medidas do Governo Federal”, declarou em coletiva de imprensa.

Pernambuco poderá ter prejuízos com nova tarifa de Trump
Tarifaço assinado na última quarta-feira (30) por Donald Trump passam a valer a partir de 6 de agosto. Daniel Torok – White House

Governo do Ceará estuda adquirir produtos locais afetados pelas tarifas

O governador também comentou a possibilidade do Estado adquirir produtos da economia pesqueira, uma alternativa sugerida pelo ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França.

Além dos pescados, Elmano avalia a compra de outros itens prejudicados pelas tarifas, como a castanha de caju, para abastecer escolas, universidades, hospitais e demais equipamentos públicos estaduais.

“Ao mesmo tempo, vamos acompanhar a continuidade das negociações com o governo americano e buscar tempo para abrir novos mercados para esses produtores cearenses. Temos que defender a economia e o emprego do povo brasileiro”, concluiu.

Segundo levantamento do Observatório da Indústria, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aproximadamente 80% dos pescados exportados pelo Ceará têm como destino os Estados Unidos.

A informação consta em documento entregue ao vice-presidente Geraldo Alckmin durante reunião que reuniu representantes do governo estadual, do governo federal e do setor empresarial cearense.

Negociações

A Secretaria de Tesouro dos Estados Unidos (EUA) procurou o Ministério da Fazenda para marcar uma agenda para debater o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump contra parte das exportações brasileiras. Ainda não há data para reunião. O último encontro entre a Fazenda e o secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foi em maio, antes do anúncio da tarifa de 50%.

“A assessoria do secretário Bessent fez contato conosco ontem [quarta-feira, 30] e, finalmente, vai agendar uma segunda conversa. A primeira, como eu havia adiantado, foi em maio, na Califórnia. Haverá agora uma rodada de negociações e vamos levar às autoridades americanas nosso ponto de vista”, disse nesta quinta-feira (31) o ministro Fernando Haddad.

O ministro destacou que é apenas o ponto de partida das negociações. 

“Nós estamos em um ponto de partida mais favorável do que se imaginava. Mas longe do ponto de chegada. Há muita injustiça nas medidas que foram anunciadas ontem”, esclareceu Haddad.

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