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Maratá vai instalar fábrica que marca retomada da moagem de trigo em AL

Nova fábrica da Maratá será instalada em Pilar com capacidade de processar 1.200 toneladas de trigo por dia
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Reunião entre representantes do grupo Maratá e prefeitura de Pilar
Representantes do Grupo Maratá estiveram reunidos com gestores de Pilar para tratar da implantação de fábrica no município. Foto: Ascom Pilar

O grupo sergipano Maratá anunciou que vai instalar uma fábrica de moagem de trigo no município de Pilar, região metropolitana de Maceió. Além de ser a primeira unidade do grupo no estado, a fábrica representa a retomada da moagem de trigo em grande escala em Alagoas, interrompida desde o fechamento do Moinho Motrisa, que operava na capital até 2014.

Representantes da JVA Alimentos, empresa do Grupo Maratá, estiveram reunidos com integrantes da prefeitura de Pilar nesta terça-feira (8) para tratar da instalação da unidade no Distrito Industrial Jorge Barbosa, localizado às margens da BR-316.

A expectativa é que a fábrica processe 1.200 toneladas de trigo por dia. A unidade contará com equipamentos de última geração, alto nível de produtividade e respeito à legislação ambiental, além de gerar empregos e movimentar a economia local.

Segundo a prefeita de Pilar, Fátima Rezende, a instalação vai fortalecer o polo industrial do município. Ela também destacou que a conquista é fruto de articulação política e dos incentivos fiscais ofertados pela gestão municipal.

“A chegada da JVA Alimentos é resultado de uma política consistente de atração de investimentos. Pilar vive um novo tempo, com infraestrutura preparada para receber empreendimentos de grande porte”, afirmou a prefeita.

Em entrevista ao Movimento Econômico, o diretor executivo do Grupo Maratá, Frank Vieira, adiantou que representantes do grupo farão estudos para formalizar o contrato, além de realizar reuniões com o governo de Alagoas para tratar do empreendimento e de incentivos fiscais.

Frank explicou que Pilar foi escolhida pela localização estratégica e pela demanda por um novo moinho capaz de atender às necessidades do mercado local e regional, especialmente após o encerramento das atividades da Motrisa, ocorrido após o rompimento de um dos silos da fábrica, em Maceió, no ano de 2014.

“A ideia é que o moinho de Alagoas abasteça com farinha o mercado local e estados vizinhos, como Pernambuco e Paraíba. No futuro, podemos ampliar a estrutura em Pilar para atender mais mercados”, afirmou.

Vieira também informou que o grupo já possui um moinho em Sergipe e vai construir outro no Porto de Ilhéus, na Bahia. O de Sergipe está voltado exclusivamente para atender as unidades fabris do grupo no estado, enquanto o da Bahia ainda está em fase de definição de perfil de atuação.

Moinho do Grupo Maratá em São Cristóvão Sergipe
Governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, visitou instalações do moinho do Grupo Maratá que entrou em operação no mês de maio na cidade de São Cristóvão.  Foto: Arthur Soares/ Secom SE

Grupo Maratá expande presença no mercado regional

As novas unidades de moagem posicionam o Grupo Maratá entre os principais produtores de farinha no Nordeste, segmento historicamente dominado por gigantes nacionais. A M. Dias Branco, sediada no Ceará, mantém o maior parque moageiro da região, com unidades em Fortaleza, Salvador e Natal, além de centros de distribuição em cidades estratégicas como Recife.

Outro player relevante é a J. Macêdo, dona de marcas como Dona Benta, que também opera moinhos em Fortaleza e Salvador, e manteve por anos uma unidade fabril em Maceió, desativada em 2019. A empresa segue atuando fortemente na região, por meio de ampla rede de distribuição.

Já o Grande Moinho Cearense, em operação desde 1963, também possui presença consolidada no Ceará, completando o cenário das grandes indústrias moageiras da região.

Rompimento de silo interrompeu produção em Maceió

O anúncio do Grupo Maratá sobre a instalação da nova fábrica tem grande relevância para a economia alagoana, que por décadas produziu farinha e derivados no Moinho Motrisa, localizado no bairro do Poço, em Maceió.

As atividades da unidade, pertencente ao Grupo Motrisa (marca Sarandi), foram iniciadas em 1964 e encerradas em abril de 2014, após o rompimento de um dos silos, que liberou toneladas de trigo sobre a Avenida Comendador Leão. O acidente atingiu casas, veículos e deixou cinco pessoas feridas.

A planta industrial da Motrisa moía cerca de 10 mil toneladas de trigo por mês e empregava cerca de 370 pessoas. Era responsável por aproximadamente 40% da produção do grupo, sendo o restante processado em Sergipe. A unidade dispunha de silos de grande porte, esteiras, secadores e sistemas de moagem, equipando Alagoas com uma estrutura industrial hoje ausente no estado.

O Moinho Motrisa mantém desde 2018 uma unidade fabril, no município de Murici, especializada em processamento de farinha especial de massa de pastel, farinha de trigo integral, farinha de pães especiais e mistura para bolo. A unidade possui capacidade de produzir anualmente cinco mil toneladas.

Leia Mais: Maratá investirá R$ 700 mi em fábricas de massas e biscoitos em SE


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