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Com juros altos, imóvel exige mais estratégia para seguir atrativo

Com Focus projetando Selic de 13,75% ao fim de 2026, especialista defende combinação entre renda fixa e imóvel para construção patrimonial
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  1. Juros altos exigem mais estratégia em investimentos.
  2. Mercado imobiliário em Maceió segue aquecido.
  3. Taxa Selic pode ser mantida em 14,50% ao ano.
  4. Especialistas defendem planejamento e análise de risco.
  5. Investidores buscam alternativas de investimento diversificadas.
Maceió mercado imobiliário
Juros altos tem exigido mais estratégia, planejamento e análise de risco de quem busca investir em um imóvel; apesar do cenário, Maceió mantém mercado aquecido nos últimos 12 meses. Foto: Rodrigo Bread

Com a taxa básica de juros ainda em patamar elevado e a renda fixa oferecendo retornos atrativos, investir em imóveis deixou de ser uma decisão baseada apenas na expectativa de valorização. Em um cenário onde o crédito está mais caro e há maior seletividade do comprador, especialistas avaliam que o imóvel segue no radar de quem busca construir patrimônio, mas passou a exigir mais planejamento, análise de risco e estratégia financeira.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom), anuncia na noite desta quarta-feira (17) se mantém a taxa Selic no patamar de 14,50% ao ano. Os analistas estimam que os juros fechem o ano de 2026 em 13,75% ao ano, superando a previsão anterior que era de 13,5% ao ano

​A pesquisa projeta reduções graduais na taxa básica de juros brasileira para os próximos anos. A estimativa do mercado é que a Selic caia para 12% ao ano em 2027, passe para 10,25% ao ano em 2028 e chegue ao patamar de 10% ao ano ao final de 2029.

​O movimento ocorre após o colegiado ter reduzido os juros em 0,25 ponto percentual na reunião de abril. De junho de 2025 a março deste ano, o indicador permaneceu fixado em 15% ao ano, o maior nível registrado em quase 20 anos, sofrendo cortes posteriores diante da retração inflacionária da época.

Segundo Lauro Braga, especialista em mercado imobiliário ouvido pelo Movimento Econômico, o investimento em imóveis ou renda fixa vai exigir mais planejamento para quem busca evoluir na construção patrimonial.

“O mercado financeiro precisa andar de mãos dadas com o mercado imobiliário, e vice-versa. Não dá mais para fazer uma estratégia que separe os dois”, afirma Braga. Segundo ele, nos últimos anos, o imóvel passou a ser visto também como um ativo financeiro, mas com a diferença de seguir lastreado em um bem físico.

“As pessoas não compram mais só para morar. Elas compram para fazer renda, para revender, como investimento. Então, a gente tem uma modalidade de investimento”, avalia.

Na prática, essa mudança tem levado investidores a buscar alternativas diferentes conforme o perfil, o capital disponível e o objetivo de retorno. Há casos em que pode ser mais vantajoso manter recursos aplicados na renda fixa e usar o rendimento para pagar um imóvel na planta. Em outros, o caminho pode ser adquirir uma unidade pronta, com potencial de locação imediata, ou utilizar consórcio e financiamento como forma de alavancagem patrimonial.

Banco Central do Brasil
Comitê Política Monetária do Banco Central do Brasil se reúne esta semana e deve manter taxa Selic no patamar de 14,50% ao ano. Foto: Divulgação

Juros altos reduzem poder de compra

Apesar da atratividade dos imóveis como ativo patrimonial, o cenário de juros elevados impõe limites ao mercado. Braga afirma que a Selic alta retarda decisões de compra, reduz a circulação de dinheiro e achata o poder de compra das famílias e investidores.

“Juros altos nunca ajudam o mercado. Eles fazem com que o dinheiro fique retido. As pessoas deixam de colocar dinheiro na rua, deixam de investir”, diz.

No mercado imobiliário, o impacto aparece principalmente no financiamento. Como grande parte das operações depende de crédito, a elevação dos juros reduz o valor que o comprador consegue financiar com a mesma parcela mensal.

Braga exemplifica que uma parcela de R$ 2 mil pode representar poderes de compra muito diferentes conforme o nível dos juros. Em um cenário mais favorável, esse valor poderia sustentar um financiamento em torno de R$ 250 mil. Com juros mais altos, a mesma parcela pode cair para algo próximo de R$ 180 mil ou R$ 190 mil.

“Quando os juros estão altos, o poder de compra fica achatado. E o mercado imobiliário vive do financiamento. Sem financiamento, praticamente não temos a maior parte das operações”, afirma.

Dados divulgados pela Brain Inteligência Estratégica apontam que em Maceió segue com demanda aquecida, mas também começa a refletir um movimento observado no país em que o desejo de compra continua elevado, especialmente entre os mais jovens, mas a sonhada compra de um imóvel tem sido adiada diante da pressão de jurosrenda preço final.

No acumulado de 12 meses até março, foram vendidas 5.683 unidades verticais em Maceió, alta de 3% em relação ao mesmo intervalo encerrado em março de 2025. Na Região Metropolitana, o avanço foi ainda maior, de 15%, com 244 unidades vendidas. O resultado reforça a percepção de que a demanda segue ativa, mesmo em um ambiente econômico mais restritivo.

O avanço da locação é outro sinal dessa pressão. Segundo a Brain, a busca por aluguel, que ficava entre 16% e 17% das famílias no início de 2024, passou para cerca de 20% em 2025. O movimento indica que parte dos consumidores continua desejando comprar, mas tem migrado para a locação diante das dificuldades de rendacrédito endividamento.

Investidor busca renda, não apenas revenda

A mudança no comportamento do comprador ficou mais evidente depois da pandemia. Segundo Braga, antes desse período, a maior parte dos investidores buscava imóveis com foco na revenda após a valorização durante a obra. Hoje, o perfil dominante é outro.

“Até o momento da pandemia, 75% dos clientes compravam para revender, com a intenção de fazer aquela alavancagem do período de obra. Hoje, já temos um perfil totalmente diferente: 75% compram para fazer renda”, afirma.

Nesse cenário de crédito caro, programas habitacionais com condições diferenciadas tendem a ganhar ainda mais relevância. O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida se tornou uma das principais engrenagens do mercado imobiliário brasileiro e deve continuar avançando, inclusive com maior presença na classe média.

A classe média precisa ser abraçada, porque ficou uma disparidade muito grande entre o preço final dos imóveis e o que ela pode pagar”, avalia.

Lauro Braga consultor imobiliário imóvel
Lauro Braga, consultor imobiliário destaca que imóvel ainda segue atrativo, mesmo dividindo espaço com investimentos em renda fixa. Foto: Assessoria

Imóvel continua relevante, mas exige método

Apesar do cenário instável, o imóvel segue como alternativa relevante para quem busca construir patrimônio, mas a decisão precisa ser cada vez mais técnica, segundo análise do especialista. Em um cenário de juros altos, a compra deve considerar prazo, capacidade de pagamento, renda esperada, liquidez, valorização e risco.

A diferença, segundo ele, é que o imóvel combina características de ativo financeiro com a segurança de um bem físico. Mas, para gerar resultado, precisa ser comprado com método.

“O primeiro passo é buscar um especialista nesse tipo de produto. Quem quer investir precisa alinhar expectativa e realidade, entender quanto pode desembolsar e qual rentabilidade faz sentido para aquela estratégia”, finalizou.

Leia mais: Com Bahia e Maceió no topo, Nordeste concentra 39% do turismo doméstico

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