
O Nordeste concentra atualmente 15,8% dos títulos de doutorado concedidos no Brasil, segundo dados da Capes. Embora essa participação tenha avançado nas últimas décadas, a distribuição regional da produção científica ainda reflete desigualdades históricas. A superação dessas disparidades será o tema central da 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), cujos debates começam nesta segunda-feira (14), no campus Dois Irmãos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), no Recife.
O evento é aberto ao público, com acesso livre e gratuito às atividades. As inscrições podem ser feitas neste link. Para fazer os minicursos, que são pagos, os interessados também precisam entrar na página. São mais de 65 opções.
Com mais de 200 atividades abertas ao público, a programação segue até o dia 19 e tem como eixo o tema “Progresso é ciência em todos os territórios”. A proposta é discutir como ciência, tecnologia e inovação podem contribuir para reduzir desigualdades regionais e sociais — do acesso à pós-graduação ao impacto das políticas públicas nos diferentes biomas e realidades urbanas e rurais.
Segundo Cláudia Linhares, professora da Universidade Federal do Ceará e coordenadora-geral do evento, o objetivo é ampliar o debate sobre os entraves estruturais do financiamento e da valorização da ciência em regiões fora do eixo Sul-Sudeste. “A ciência ainda não alcança todos os territórios de forma equânime”, afirmou.
Equidade de gênero tem programação inédita na SBPC
A edição marca também a criação da SBPC Mulher, iniciativa que inclui debates sobre equidade de gênero na ciência, maternidade, deficiência, envelhecimento e qualidade de vida. O lançamento coincide com a posse de duas mulheres nas presidências das principais entidades científicas do país. Francilene Garcia, professora da Universidade Federal de Campina Grande, assume a presidência da SBPC. Outra cientista, ainda não anunciada oficialmente, assumirá a Academia Brasileira de Ciências.
As mesas da SBPC Mulher devem abordar políticas públicas e mecanismos institucionais para ampliar a participação feminina e promover condições igualitárias no desenvolvimento da carreira científica.
SBPC Jovem amplia acesso à ciência entre estudantes
A programação da SBPC Jovem terá oficinas, planetário, feira de ciências e atividades sobre mudanças climáticas, alimentos ultraprocessados e inteligência artificial. Estudantes da educação básica e jovens pesquisadores terão acesso a minicursos gratuitos sobre temas como hidrogênio verde, poluição do ar, compostagem doméstica e cosmovisões indígenas.
Entre os destaques está um curso voltado à primatologia da Caatinga, com foco na conservação do macaco-prego. O bioma semiárido, presente em grande parte do Nordeste, ainda é sub-representado em pesquisas na área.
Também haverá atividades lúdicas para crianças de até seis anos, como contação de histórias e oficinas de brinquedos, voltadas à iniciação científica na primeira infância.
Recife apresenta trajetória científica e aposta em inovação
A Prefeitura do Recife participa como patrocinadora da SBPC e apresentará um estande interativo na feira científica. O espaço traça uma linha do tempo da ciência e tecnologia na cidade, destacando marcos como a criação da Faculdade de Direito do Recife, do ITEP, do Porto Digital e do CESAR.
A estrutura também apresentará iniciativas como o Conecta Recife, que centraliza serviços digitais da gestão pública, e o programa Embarque Digital, voltado à formação técnica em tecnologia. O estande inclui oficinas de games, impressão 3D, realidade virtual e rodas de conversa sobre juventude e educação tecnológica.
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