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Para economistas, nova alta da Selic é sinal de aperto prolongado

Aumento da Selic surpreende economistas
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Robson Pereira, economista-chefe da Brasilprev
Robson Pereira, economista-chefe da Brasilprev/Foto: divulação

O aumento da taxa Selic para 15% surpreendeu parte relevante do mercado, que apostava na manutenção dos juros no patamar de 14,75%. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) veio em meio a um cenário de inflação persistente, expectativas desancoradas e aumento das incertezas fiscais e políticas no Brasil, além de um ambiente externo mais volátil.

Na avaliação de Robson Pereira, economista-chefe da Brasilprev, o ajuste não estava no radar. “Nossa expectativa era de manutenção. O próprio Banco Central vinha sinalizando que os efeitos do ciclo de aperto anterior ainda estavam sendo processados pela economia. Esse aumento foi uma surpresa, uma espécie de ajuste técnico, necessário para reforçar o compromisso com o controle da inflação em meio a um quadro de riscos elevados”, afirmou.

Para ele, o diagnóstico do Banco Central ficou claro na comunicação: a autoridade monetária está mais preocupada com a dinâmica inflacionária e com a perda de credibilidade das metas. “A inflação cheia e os núcleos seguem acima da meta. As expectativas para 2025 e 2026 continuam desancoradas, em 5,2% e 4,5%, bem acima do centro da meta de 3%. Isso, somado à piora do ambiente fiscal, exige uma resposta mais dura da política monetária”, explica.

Pereira destaca que o Banco Central também mudou o tom na avaliação do cenário. Saiu do comunicado qualquer referência à desaceleração econômica global e entrou uma preocupação explícita com o acirramento das tensões políticas internas. “Essa troca de sinalização mostra que o risco fiscal e institucional passou a ser o elemento central na condução da política monetária. Isso pesa diretamente na formação das expectativas, no câmbio e, consequentemente, na inflação”, avalia.

O economista também chama atenção para outro ponto sensível: a descrição do mercado de trabalho como tendo “algum dinamismo”, o que sinaliza que, apesar de uma certa moderação no crescimento, a atividade segue forte o suficiente para manter a inflação pressionada, sobretudo nos serviços.

Além disso, ele considera que a introdução do termo “período bastante prolongado” no comunicado do Copom deixa claro que os juros permanecerão altos por muito tempo. “É um recado direto ao mercado: não contem com queda de juros tão cedo. Essa alta de agora funciona tanto como ajuste como também como uma trava para as expectativas. Qualquer discussão sobre corte de juros, só mais para o final do ano, e olhe lá.”

Por fim, Robson Pereira resume: “O Banco Central fez um movimento que não estava precificado, que nos pegou de surpresa. Mas, olhando o quadro, é uma decisão defensiva, necessária para evitar que a inflação descole ainda mais da meta, diante de um ambiente onde os riscos fiscais, políticos e externos estão todos jogando contra.”

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André Perfeito, economista /Foto: diulgação

Selic deve seguir elevada

Na mesma linha, o economista André Perfeito avalia que a decisão reflete o entendimento de que a política monetária precisa permanecer “significativamente contracionista” para garantir que a inflação convirja para a meta. Para ele, o uso da expressão “período bastante prolongado” é um claro indicativo de que o Banco Central quer manter os juros altos por mais tempo.

Perfeito também observa que, além do ambiente doméstico, o cenário internacional pesa muito nessa decisão, com a política monetária dos Estados Unidos ainda incerta e um quadro de tensão geopolítica que afeta os mercados emergentes, especialmente via câmbio e preços de commodities.

“O Copom sugere que pode interromper o ciclo de alta para avaliar os efeitos do aperto já realizado. Mantém postura vigilante e não hesitará em retomar altas se necessário”, diz.

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