
A Petrobras deve iniciar no segundo semestre de 2025 as obras do Trem 2 da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Ipojuca, Pernambuco. Os contratos, assinados nesta segunda-feira (16) com a Consag Engenharia, somam R$ 4,9 bilhões e preveem a geração de aproximadamente 30 mil empregos diretos e indiretos durante a execução. A medida integra o Plano Estratégico 2024–2028 da estatal e está entre as prioridades do Novo PAC para o setor energético. A meta é dobrar a capacidade de refino da unidade, de 130 mil para 260 mil barris por dia até 2029.
Com essa ampliação, a RNEST se tornará a segunda maior refinaria da Petrobras em capacidade instalada, atrás apenas da Replan, em Paulínia (SP). A construção do Trem 2 havia sido interrompida em 2015 no contexto da Operação Lava Jato, e sua retomada representa não apenas a reativação de um projeto paralisado, mas um reposicionamento da Petrobras em relação à política de expansão do refino, com foco no abastecimento regional e redução da dependência externa de derivados.
Os contratos abrangem a implantação da Unidade de Coqueamento Retardado, da Unidade de Hidrotratamento de Diesel S10, da nova Unidade de Destilação Atmosférica, além de estruturas de serviços auxiliares, utilidades e geração de hidrogênio. A licitação foi dividida em sete lotes e atraiu propostas de empresas como Tenenge, Possebon, Engeform e Elos Engenharia. As primeiras entregas estão previstas para 2027, com conclusão integral estimada até o fim de 2029.

Trem 1 passou por modernização
Enquanto isso, o Trem 1 da refinaria passou por um processo de modernização em março de 2025, com investimento de R$ 93 milhões que elevou sua capacidade de 115 mil para 130 mil barris por dia. Desde dezembro de 2024, essa unidade opera com a tecnologia SNOX, que converte emissões atmosféricas de dióxidos de enxofre (SOx) e nitrogênio (NOx) em ácido sulfúrico — reaproveitado comercialmente. A refinaria é responsável por cerca de 12% da produção nacional de diesel S10, com uma taxa de conversão de 70% do petróleo cru em diesel de baixo teor de enxofre (10 ppm).
Para a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, “a RNEST é estratégica para o Brasil, hub da Petrobras nas regiões Norte e Nordeste. Os contratos para a retomada das obras revelam o compromisso da empresa com o desenvolvimento do país, representando a expansão da nossa capacidade de refino e viabilizando o aumento da produção de derivados para atender às demandas da sociedade e do mercado”.
Instalada no Complexo Industrial Portuário de Suape, a RNEST combina sistemas de automação e controle ambiental com eficiência energética e elevado aproveitamento de petróleo pesado nacional. A refinaria produz principalmente diesel S10, além de gasolina, GLP, nafta e coque. A entrada em operação do Trem 2 permitirá agregar ainda mais valor à produção, ao mesmo tempo em que fortalece a segurança energética do país e reduz a necessidade de importações.
A importância regional da Abreu e Lima e os impactos no Nordeste
A RNEST é hoje a principal unidade de refino em operação no Nordeste, respondendo por uma parcela relevante do fornecimento regional de diesel. Com a expansão, a capacidade instalada da refinaria representará mais da metade da produção potencial de derivados na região. O estado de Pernambuco, que já abriga infraestrutura portuária estratégica e conexões logísticas para abastecimento por cabotagem, consolida-se como polo industrial de energia, ampliando a geração de empregos e a arrecadação de tributos estaduais e municipais.
Segundo dados da ANP, o Nordeste responde por cerca de 15% do consumo nacional de combustíveis, com destaque para diesel e GLP. A ampliação da RNEST reduzirá gargalos logísticos, incrementará a produção regional e fortalecerá a autonomia da Petrobras no fornecimento interno, contribuindo para maior estabilidade de preços e maior previsibilidade no atendimento à demanda de estados como Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas.
Além disso, a tecnologia empregada na refinaria — especialmente nas unidades de hidrotratamento e no sistema SNOX — permitirá operar com padrões internacionais de controle ambiental, o que se alinha às metas de sustentabilidade e transição energética previstas no Plano Estratégico da Petrobras.
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