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Emprego industrial registra queda após 18 meses de crescimento

Queda de 0,4% no emprego reflete desaceleração da atividade industrial em abril, segundo os Indicadores Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
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Segundo a CNI, o número de postos de trabalho do setor industrial caiu 0,4% entre março e abril, algo que não ocorria desde setembro de 2023. Foto: Gabriel Pinhero/CNI

O número de trabalhadores da indústria brasileira caiu pela primeira vez em 18 meses. Conforme os Indicadores Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados nesta sexta-feira (6), o volume de empregos no setor recuou 0,4% entre março e abril, movimento que não era observado desde setembro de 2023.

Apesar da retração em abril, o emprego industrial acumula alta de 0,7% no período de janeiro a abril de 2025, em comparação com os quatro meses anteriores. Na comparação anual, frente ao mesmo período de 2024, o crescimento é de 2,6%.

De acordo com o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, o comportamento do emprego industrial tende a ser gradual em resposta às condições econômicas. “Uma queda mensal de 0,4% é bastante significativa e reflete a desaceleração da indústria”, afirmou. Segundo ele, o crescimento da produção nos últimos meses sustentou a geração de empregos por 17 meses consecutivos, estabilidade em março e a retração em abril decorrem da redução recente na demanda e na atividade industrial.

Rendimento médio dos trabalhadores avança

Paralelamente, outros indicadores relacionados ao mercado de trabalho industrial apresentaram crescimento em abril. A massa salarial real aumentou 4,4%, revertendo as quedas de 0,3% em fevereiro e 2,5% em março. Contudo, no acumulado do primeiro quadrimestre, a massa salarial registra retração de 1,3% frente ao último quadrimestre de 2024.

O rendimento médio dos trabalhadores da indústria — que inclui salários, participação nos lucros e indenizações — subiu 5% entre março e abril. Apesar da recuperação, o indicador permanece 2,5% abaixo do nível observado no final de 2024.

Queda no faturamento e na utilização da capacidade instalada

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) da indústria caiu 0,6 ponto percentual em abril, atingindo 77,9%. A média da UCI entre janeiro e abril é 0,6 ponto percentual inferior à registrada nos quatro meses anteriores.

“A queda da UCI foi significativa e reforça o cenário de desaceleração da indústria, já evidenciado pelo comportamento do faturamento e das horas trabalhadas na produção”, explicou Marcelo Azevedo.

O faturamento real da indústria apresentou retração de 0,8% em abril, após ter caído 2,1% em março. Apesar das duas quedas consecutivas, o faturamento acumulou alta de 2,4% no primeiro quadrimestre de 2025, em relação aos quatro meses finais de 2024.

As horas trabalhadas na produção mantiveram-se praticamente estáveis em abril, com leve recuo de 0,3%. No acumulado entre janeiro e abril, o indicador registra crescimento de 0,9% em comparação com o período de setembro a dezembro de 2024.

Informações regionais da produção industrial

A produção industrial no Nordeste representou 13,2% da indústria de transformação nacional em 2024, conforme os dados mais recentes da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do IBGE. No estado de Pernambuco, a indústria de transformação respondeu por cerca de 6,5% do PIB estadual em 2023, com destaque para os segmentos de alimentos e bebidas, produtos químicos e metalurgia. A região tem enfrentado oscilações no nível de atividade, acompanhando a tendência nacional observada nos últimos meses.

*Com informações da CNI

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