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Entre trigo, combustíveis e cruzeiros, Porto de Fortaleza mira recorde em 2026

Companhia Docas do Ceará, que administra o Porto de Fortaleza, projeta nove escalas de navios e 14 mil passageiros na próxima temporada enquanto movimentação de cargas cresce 10% no semestre e supera meta institucional

De Fortaleza

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~6:38
  1. Porto de Fortaleza movimenta 2,5 milhões de toneladas no primeiro semestre, crescimento de 10% comparado ao período anterior.
  2. Cruzeiros crescem 70% na temporada 2026/2027, com nove escalas esperadas e 14 mil passageiros entre outubro e abril.
  3. Terminal de Passageiros recebe investimento de R$ 6 milhões em requalificação de acesso viário e melhorias estruturais gerais.
  4. Carga geral lidera crescimento impulsionada por equipamentos eólicos, contêineres e granéis líquidos e sólidos agrícolas.
  5. CDC projeta movimentação de 5 milhões de toneladas para 2026, superando meta institucional estabelecida previamente.
erminal Marítimo de Passageiros do Porto de Fortaleza, operado pela ABA Infra, recebeu requalificação de R$ 6 milhões no acesso viário - Foto: Divulgação
erminal Marítimo de Passageiros do Porto de Fortaleza, operado pela ABA Infra, recebeu requalificação de R$ 6 milhões no acesso viário – Foto: Divulgação

O Porto de Fortaleza fechou o primeiro semestre de 2026 com 2.589.359 toneladas movimentadas, alta de 10,06% sobre igual período de 2025 e 6,87% acima da meta traçada pela Companhia Docas do Ceará (CDC), empresa pública federal que administra o porto, para o intervalo. Ao mesmo tempo, a estatal projeta crescimento de 70% no número de escalas de cruzeiros na temporada 2026/2027, de cinco para nove navios, entre outubro e abril, com 14 mil passageiros esperados. 

“O crescimento previsto é de aproximadamente 70% no número de navios, demonstrando a retomada do mercado e o fortalecimento do destino Fortaleza no roteiro dos cruzeiros marítimos”, afirmou o diretor-presidente da CDC, o engenheiro civil Quintino Vieira, em entrevista exclusiva ao Movimento Econômico.

Terminal de passageiros recebe obra de R$ 6 milhões

O Terminal Marítimo de Passageiros, operado pela ABA Infra, concessionária responsável pela gestão do equipamento por contrato de arrendamento, acaba de concluir uma requalificação de R$ 6 milhões em seu acesso viário. Segundo Vieira, o objetivo é “proporcionar mais segurança, fluidez e conforto aos usuários, além de qualificar a experiência de passageiros, turistas, organizadores de eventos e operadores logísticos”. A CDC também executa a modernização do sistema de iluminação em LED (diodo emissor de luz) de toda a área do porto e a ampliação do videomonitoramento.

Apesar de concebido como equipamento multifuncional, apto a sediar eventos corporativos, culturais e institucionais, o diretor reconhece que “a principal vocação do Terminal Marítimo é receber navios de cruzeiro durante a temporada, que tradicionalmente ocorre entre os meses de outubro e abril”. Questionado sobre o que ainda limita a chegada de mais cruzeiros a Fortaleza, Vieira foi direto: “o principal desafio é ampliar a competitividade de Fortaleza como destino de cruzeiros no cenário nacional e internacional”. Segundo ele, “hoje, o Porto de Fortaleza possui capacidade operacional e acesso aquaviário capaz de receber cruzeiros de grande porte”, ou seja, a limitação não é estrutural, mas de atratividade turística, custo operacional e integração com outros portos das rotas.

Porto de Fortaleza espera nove escalas de cruzeiros na temporada 2026/2027, alta de 70% sobre a temporada anterior - Foto: Divulgação
Porto de Fortaleza espera nove escalas de cruzeiros na temporada 2026/2027, alta de 70% sobre a temporada anterior – Foto: Divulgação

Trigo, combustíveis e contêineres puxam as cargas

Na movimentação de cargas, o crescimento é disseminado: carga geral avançou 30,14%, puxada por equipamentos do setor eólico, como pás e máquinas, contêineres subiram 14,57%, granéis líquidos 7,63%, granéis sólidos agrícolas 9,93% e granéis sólidos minerais 1,40%, este último batendo recorde histórico mensal em maio de 2026. A meta institucional da CDC para 2026 é de 5.083.000 toneladas, alta de 2,51% sobre 2025. “O resultado alcançado, no entanto, superou essa projeção com um desempenho 6,87% acima da meta, o que demonstra o fortalecimento da competitividade e da capacidade operacional do Porto de Fortaleza”, disse Vieira.

Os granéis líquidos, combustíveis como diesel, gasolina, GLP (gás liquefeito de petróleo) e QAV (querosene de aviação),  respondem por 48,4% do volume do semestre. Os granéis sólidos somam 36,3%, entre agrícolas (21,6%, com destaque para o trigo) e minerais (14,7%). É no trigo que está um dos dados mais expressivos citados pelo diretor: “O Porto de Fortaleza movimenta cerca de 1,2 milhão de toneladas de trigo por ano, sendo atualmente o maior porto movimentador desse produto no Brasil, à frente de portos como o de Santos”, afirmou Vieira, atribuindo o desempenho à presença de três grandes moinhos instalados na poligonal portuária. 

O trigo chega majoritariamente da Argentina, dos portos de Rosário, San Lorenzo e San Pedro, enquanto o coque de petróleo vem dos Estados Unidos e da Colômbia, e combustíveis do México e do Caribe. Nas exportações, frutas destinadas ao porto de Roterdã, na Holanda, e a outros mercados europeus lideram a pauta. Vieira também apontou a nova linha de cabotagem operada pelo grupo CMA CGM em parceria com a Mercosul Line, iniciada em abril, como fator que deve sustentar o crescimento no segundo semestre, ao lado do desempenho recorde dos granéis sólidos minerais.

Presidente da Companhia Docas do Ceará, Quintino Vieira afirma que Porto de Fortaleza deverá encerrar 2026 acima das metas de movimentação de cargas - Foto: Divulgação
Presidente da Companhia Docas do Ceará, Quintino Vieira afirma que Porto de Fortaleza deverá encerrar 2026 acima das metas de movimentação de cargas – Foto: Divulgação

Novos terminais e ampliação do canal de acesso

O plano de expansão da CDC para os próximos cinco anos passa pelo arrendamento de três novos terminais, identificados internamente como MUC 03, MUC 04 e MUC 05: dois destinados a granéis sólidos minerais (MUC 03 e MUC 05) e um a contêineres e carga geral (MUC 04). Paralelamente, estudos aquaviários conduzidos pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico e Engenharia da USP (Universidade de São Paulo) resultaram na ampliação do Canal Oeste e na identificação de um novo canal natural, o Canal Norte-Sul, com até 12 metros de profundidade, ambos em processo de atualização das cartas náuticas junto à Marinha do Brasil.

“Com a reavaliação do Canal Oeste, o Porto ampliou seu calado operacional de 8 para 11,75 metros, independentemente da maré, permitindo a atracação de embarcações de maior porte e aumentando sua capacidade de movimentação de cargas”, explicou Vieira. A nova sinalização náutica também amplia a largura do canal de 160 para 220 metros. “Em uma segunda etapa, o complexo contará com dois canais de acesso, fortalecendo sua competitividade logística e criando melhores condições para expandir suas operações”, completou.

Ainda assim, o diretor reconhece um limite estrutural à expansão física: “O Porto de Fortaleza é um porto cidade, o que naturalmente impõe limites para sua expansão física. Por isso, a estratégia de crescimento está baseada na otimização da infraestrutura existente, na modernização operacional e na atração de investimentos privados.”

Movimentação de cargas no Porto de Fortaleza cresceu 10,06% no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior - Foto: Divulgação
Movimentação de cargas no Porto de Fortaleza cresceu 10,06% no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior – Foto: Divulgação

Fortaleza e Pecém: papéis complementares, não concorrentes

Diretamente questionado sobre como o Porto de Fortaleza se posiciona diante do Complexo do Pecém, historicamente o principal destino de investimentos portuários do Ceará, Vieira rejeitou a ideia de disputa: “O Porto de Fortaleza e o Complexo do Pecém desempenham papéis complementares na logística do Ceará, com vocações distintas e estratégicas para o desenvolvimento do Estado.”

Segundo ele, “o Complexo do Pecém possui uma forte vocação industrial, voltada para grandes projetos, cadeias produtivas e operações de maior escala”, enquanto “o Porto de Fortaleza se consolida como um porto-cidade, beneficiado por sua localização estratégica na capital.” Para o diretor, “essa complementaridade entre os terminais fortalece a infraestrutura logística cearense, amplia a competitividade do Estado e oferece soluções diversificadas para o setor produtivo”.

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