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Ciguaterra: idosa é intubada e RN alerta para risco da cioba e outros peixes

Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) orienta consumidores sobre espécies de maior risco, sintomas da intoxicação e cuidados na compra de pescado após aumento dos casos registrados de ciguaterra no estado
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  1. Idosa é intubada após consumir cioba contaminada por ciguatera em Natal no final de junho.
  2. Rio Grande do Norte registra 148 casos de ciguatera em 2026, superando os 88 casos de 2025 inteiro.
  3. Ciguatoxina não altera aparência, cheiro ou sabor do peixe e resiste a qualquer método de preparo culinário.
  4. Peixes predadores grandes como bicuda, cioba e dourado concentram maiores níveis da toxina marinha acumulada.
  5. Sintomas da intoxicação surgem poucas horas após consumo e combinam manifestações gastrointestinais com problemas neurológicos.
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Concentrações mais elevadas da toxina que causa a intoxixação por ciguaterra são encontradas nos peixes maiores considerados predadores de alto-mar. Foto: Alessandro Marques/Procon Natal

Uma idosa precisou ser internada e intubada após consumir uma cioba durante uma refeição de moqueca preparada em casa em Natal no dia 27 de junho. O pescado, proveniente do litoral do Rio Grande do Norte, é apontado como a provável causa da intoxicação por ciguatera, doença causada por uma toxina produzida por microalgas marinhas que pode se acumular em peixes predadores. O caso de Fátima Santos, 72 anos, que ganhou repercussão nesta semana, levou a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) a reforçar o alerta sobre o avanço da doença, que já soma 148 casos registrados em 2026, número superior aos 88 casos contabilizados durante todo o ano de 2025.

Desde que iniciou o monitoramento da doença, em 2022, a Sesap contabiliza 259 casos de ciguatera, distribuídos em 46 surtos, além de dois óbitos. O aumento das notificações também reflete a inclusão da doença na lista estadual de notificação compulsória, ampliando a capacidade de identificação e acompanhamento dos casos pelos serviços de saúde.

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados pela ciguatoxina, uma neurotoxina produzida por microalgas marinhas que se acumula ao longo da cadeia alimentar. A substância não altera a aparência, o cheiro nem o sabor do pescado e também não é eliminada pelo cozimento, congelamento, fritura ou qualquer outro método de preparo, tornando impossível identificar um peixe contaminado apenas pela observação.

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Peixes predadores concentram maior risco

As investigações conduzidas pela Sesap mostram que a maior parte dos casos registrados no estado está relacionada ao consumo de peixes predadores de grande porte, que acumulam concentrações mais elevadas da toxina. Entre as espécies mais frequentemente associadas aos surtos estão a bicuda (barracuda), a cioba, a arabaiana, o dourado, a pescada-branca, o pargo, o sirigado, o robalo e o galo-do-alto.

As autoridades sanitárias ressaltam, entretanto, que isso não significa que todos os exemplares dessas espécies estejam contaminados. O risco está associado principalmente a peixes maiores, mais velhos e capturados em áreas onde a toxina circula naturalmente. Em contrapartida, espécies de pequeno porte e ciclo de vida mais curto, como sardinha, manjuba e tainha, além dos peixes produzidos em aquicultura, apresentam menor probabilidade de bioacumular a toxina. Ainda assim, especialistas recomendam priorizar pescado de procedência conhecida e comercializado em estabelecimentos que permitam rastrear sua origem.

Sintomas podem surgir poucas horas após o consumo

Os sintomas da intoxicação por ciguatera costumam aparecer poucas horas após a ingestão do peixe contaminado e combinam manifestações gastrointestinais e neurológicas. Náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais geralmente são os primeiros sinais, seguidos por formigamento nas mãos, nos pés e na boca, coceira intensa, dores musculares e uma alteração característica da percepção térmica, em que alimentos ou objetos frios passam a ser percebidos como quentes e vice-versa.

Nos casos mais graves, a intoxicação pode provocar queda da pressão arterial, redução dos batimentos cardíacos, dificuldade respiratória e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva, como ocorreu com a paciente atendida no Rio Grande do Norte.

Atendimento médico para ciguaterra deve ser imediato

Como a ciguatoxina não é destruída por qualquer forma de preparo do pescado, a prevenção depende principalmente da escolha do peixe e da sua procedência. A Sesap orienta que qualquer pessoa que apresente sintomas após consumir pescado procure atendimento médico imediatamente, informando, sempre que possível, a espécie ingerida e preservando eventuais sobras do alimento para auxiliar a investigação epidemiológica.

Não existe um antídoto específico para a ciguatera. O tratamento é baseado no controle dos sintomas e no suporte clínico ao paciente. Para reduzir o risco de novos casos, a recomendação é evitar o consumo de peixes predadores de grande porte oriundos de áreas com histórico da doença e dar preferência a fornecedores que adotem procedimentos de rastreabilidade e controle da origem do pescado.

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