
O município de Pilar, região Metropolitana de Maceió, vai concentrar investimentos em escala bilionária pelos próximos anos com a construção de novas termelétricas. Além dos sete projetos da Origem Energia, a Mercurio Partners vai aportar R$ 1,4 bilhão para a construção de uma usina termelétrica (UTE) movida a gás natural, com previsão de início de operação em 2028.
O empreendimento foi vencedor do último Leilão de Reserva de Capacidade de Potência (LRCAP), realizado em março pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
A UTE da Mercurio Partners terá 250 MW de capacidade e o projeto já recebeu licença prévia ambiental do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA). O CEO do grupo, Alexandre Americano, disse ao Movimento Econômico que a previsão de iniciar a operação é no segundo semestre de 2028. “A UTE vai contribuir para a segurança energética do país e durante sua construção, deve gerar mais de mil empregos”, comentou.
No último dia 10 de julho, a Mercurio Partners assinou contrato com a empresa espanhola Guascor Energy para a aquisição de 208 motogeradores de 1,3 MW cada. A transação envolveu um investimento de 100 € milhões, em torno de R$ 590 milhões.
“A aquisição dos motogeradores da UTE Pilar reafirma nossa estratégia de crescer com a viabilização de projetos inovadores e rentáveis em nosso portfólio. A nossa capacidade de execução e excelência operacional têm garantido retornos consistentes nos ativos desenvolvidos pela Mercurio”, afirmou Americano.
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O CEO da companhia disse também que está em negociação com fornecedores locais para firmar parcerias para abastecer a termelétrica, não descartando uma possibilidade de compartilhamento de infraestrutura com a Origem Energia, que já explora gás natural no município e possui projeto em andamento para estocar gás natural e sua planta.
Alexandre Americano também disse que a Mercurio pretende ampliar sua operação na região Nordeste, com “projetos semelhantes à UTE de Pilar”.

Petróleo e gás transformam Pilar em hub energético
Com oito projetos de termelétricas movidas a gás natural, o primeiro projeto do país para estocar o combustível de forma subterrânea e a exploração de petróleo, o município concentra hoje grandes investimentos e se posiciona de forma estratégica no mercado regional energético.
A Origem Energia foi outra vencedora do LRCAP com os projetos usinas Pilar e Pilar Nova, previstas para outubro de 2028, bem como os projetos Manguaba I, II, III, IV e V, com entrada em operação programada para agosto de 2029. Movidas a gás natural, as termelétricas somarão aproximadamente 320MW de capacidade instalada em 2028 e, 50MW adicionais em 2029. O cronograma da empresa prevê um investimento de R$ 2 bilhões até 2030 somente nestes novos empreendimentos.
Paralelo a isso, a companhia avança com o projeto de Estocagem Subterrânea de Gás Natural (ESGN), que será a primeira do Brasil e da América Latina.
Serão utilizados reservatórios depletados do próprio Campo de Pilar, com capacidade inicial de 106 milhões de m³/ano e expansão prevista até 500 milhões de m³/ano. O projeto exigiu a criação de um arcabouço regulatório inédito no Brasil, construído junto com ANP, IMA e Ministério de Minas e Energia. A previsão é que o projeto fique disponível ao mercado no segundo semestre de 2026.
Pilar também se tornou o maior campo extrator onshore de petróleo no Nordeste. A Origem Energia adquiriu o Polo Alagoas da Petrobras por US$ 300 milhões e cobre 420 km² de área de exploração e inclui quatro campos terrestres — Anambé, Arapaçu, Furado e Pilar — além do campo de Paru, em águas rasas, a Unidade de Processamento de Gás Natural de Alagoas (UPGN-AL), com capacidade de 1,8 milhão de m³/dia, e uma malha de 480 km de dutos.
Dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) de março deste ano apontam que os três maiores poços de Pilar, 7-PIR-272D-AL (680 barris/dia), 3-ORGM-2D-AL (625 barris/dia) e 3-ORGM-19D-AL (601 barris/dia), ocupam o 2º, 3º e 4º lugares no ranking nacional de poços terrestres, atrás apenas de Arara Azul, no Amazonas.
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