
A evolução da infraestrutura logística do Nordeste vem criando oportunidades para crescimento de demanda por implementos rodoviários. Portos, o agronegócio e cadeias como de cimento e petróleo e gás tem demandado mais peças para o transporte e logística, segundo avaliação da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir).
Um dos principais exemplos é o Complexo do Pecém, no Ceará, onde a expansão portuária, a instalação de novas indústrias e a implantação de um porto seco para atender à Transnordestina ampliam a movimentação de cargas e a procura por soluções de transporte.
O presidente da Anfir, José Carlos Spricigo, disse ao Movimento Econômico que o desenvolvimento portuário acompanhado no Ceará beneficia tanto implementos voltados ao transporte de contêineres quanto equipamentos destinados à logística industrial, distribuição regional e prestação de serviços. “A ampliação da cabotagem, dos centros logísticos e das cadeias de distribuição reforça ainda mais essa tendência, tornando o Nordeste uma região cada vez mais estratégica para o transporte de cargas”, afirmou.
Além do setor portuário, o agronegócio continua sendo um importante vetor de demanda para o segmento. Spricigo chama atenção para a diversidade econômica que tem impulsionado a busca por novos implementos rodoviários.
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“Os grãos produzidos no Oeste da Bahia e na região do MATOPIBA continuam sendo um importante vetor de demanda. Entretanto, cadeias como a fruticultura irrigada do Rio Grande do Norte e do Ceará têm papel igualmente relevante. A região de Mossoró, por exemplo, as exportações de frutas têm movimentado implementos frigorificados, porta-contêineres e veículos destinados à logística de exportação”, destacou.
A crescente expansão da mineração e da indústria cimenteira e o setor de petróleo e gás também estão entre segmentos responsáveis por demanda no Nordeste, segundo a Associação. “São fatores que ampliam continuamente as oportunidades para os fabricantes de implementos rodoviários”, completou.

Juros altos são entrave para renovação de frota de implementos no NE
Mesmo com o crescimento da demanda puxada por diversos setores, os emplacamentos de implementos rodoviários recuaram 6,7% no Nordeste no primeiro semestre de 2026, queda inferior à retração nacional de 7,5%. O custo do crédito é apontado como principal obstáculo à renovação das frotas.
Segundo balanço da Anfir, foram emplacadas 5.888 unidades do segmento leve e 2.774 do segmento pesado na região entre janeiro e junho. Em igual período de 2025, foram 6.200 e 3.089 unidades, respectivamente.
No cenário nacional, a indústria de implementos rodoviários registrou em junho seu melhor desempenho no primeiro semestre de 2026. No mês foram emplacados 12.318 produtos, crescimento de 4,3% sobre maio (11.810 unidades). O resultado total do semestre apresentou recuo de 7,5% em relação a igual período de 2025. De janeiro a junho deste ano a indústria vendeu 66.736 produtos, contra 72.179 unidades no primeiro semestre de 2025.
José Carlos Spricigo explicou que as altas taxas de juros continuam sendo um dos principais fatores que limitam a renovação da frota de implementos rodoviários também no Nordeste.
“Existe uma demanda reprimida e muitas empresas precisam renovar seus equipamentos, mas já possuem linhas de crédito comprometidas, o que acaba adiando a decisão de investimento. Ao mesmo tempo, observamos que, quando surgem linhas de financiamento com taxas mais competitivas, especialmente programas regionais voltados ao desenvolvimento do Nordeste, a receptividade do mercado é bastante positiva. Isso demonstra que o problema não é falta de necessidade de renovação, mas sim o acesso a crédito em condições adequadas”, disse.
Spricigo também alertou que o aumento nos preços dos combustíveis e o frete pressionado alteraram o comportamento de muitas empresas de transporte e embarcadores. O setor tem observado que muitas companhias que antes terceirizavam suas frotas, voltaram a operar com veículos próprios, na tentativa de ter maior controle sobre os custos disponibilidade dos veículos e qualidade do serviço.
“Esse movimento acaba criando oportunidades para a aquisição de novos implementos rodoviários, principalmente por empresas que optam pela verticalização da logística. Ou seja, apesar do aumento dos custos operacionais representar um desafio, ele também tem levado parte do mercado a investir em equipamentos próprios como forma de aumentar a eficiência e reduzir a dependência de terceiros”, avaliou.
Para o segundo semestre, a Associação aguarda que as vendas relativas a segunda fase do programa Move Brasil reflitam em recuperação para o setor. “O programa é importante como alavanca de negócios, mas ainda precisamos que sejam tomadas outras medidas que forneçam uma base sólida de crescimento na economia como um todo. É fundamental que os empresários tenham uma visão de futuro de curto e médio prazo em que haja certeza de estabilidade para que as decisões de negócios sejam tomadas com segurança”, disse.
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