
A assinatura da Medida Provisória que garante R$ 300 milhões em subvenção para produtores de cana-de-açúcar do Nordeste deve amenizar, mas não resolve por completo a crise enfrentada pelos produtores em Alagoas. O estado deve receber R$ 90 milhões, mas a falta de insumos está comprometendo o plantio de inverno no estado, importante para garantir um canavial produtivo na próxima safra.
A safra 2025/2026 encerrou com 20% de perdas para os produtores, segundo estimativas da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana). O clima severo, com baixa precipitação pluviométrica e a queda de 40% no valor do ATR do açúcar foram desafiadores para os produtores.
O presidente da entidade, Edgar Antunes, explicou ao Movimento Econômico que a subvenção aprovada pelo presidente Lula vai ajudar, mas não resolve a situação em Alagoas.
“O plantio de inverno está muito difícil. Ninguém [produtores] tem dinheiro para manter as socarias nem adubar suas plantações. Quanto mais demorar esse plantio, vai comprometer a safra que vem. Estamos buscando todas as formas de ajudar os produtores do estado”, disse.
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A subvenção vinha sendo pleiteada por diversas associações que representam os produtores de cana-de-açúcar no Nordeste. Em Alagoas, o pleito foi encaminhado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal) ao governo federal, que buscava garantir um subsídio que amenizasse as altas taxas de juros, tarifas e os efeitos da seca durante a última safra.
Os produtores de Alagoas devem receber cerca de R$ 90 milhões e aguardam a conclusão da tramitação no Congresso para que os valores sejam liberados. “Isso pode demorar de 30 a 60 dias e já estamos mobilizados para entender como vai ser feito o pagamento. Estamos já em contato com o Ministério da Agricultura também”, afirmou.
Durante o lançamento do Plano Safra, o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Mota, disse que a Medida Provisória foi um compromisso assumido pela casa com os produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste. Ele afirmou que o valor garantido pela subvenção vai beneficiar oito em cada dez produtores da região.
“Essas famílias enfrentaram três choques ao mesmo tempo: o tarifaço norte-americano, que taxou as cotas de exportação do Nordeste, a queda do preço do açúcar no mercado interno e o aumento do custo dos insumos para produzir. Para o pequeno produtor, o resultado disso foi ver o seu canavial parado e a sua renda no vermelho. Mas a Câmara está atuando para mitigar esse problema e por isso, todo diálogo é fundamental”, afirmou.

Produtores de cana mantém pedido de ajuda a governo de Alagoas
Os produtores também seguem em diálogo para viabilizar auxílio por parte do Governo de Alagoas. A Asplana encabeçou reuniões com a Secretaria da Fazenda e buscava subvenção emergencial de R$ 12 por tonelada de cana produzida.
No início de maio, Edgar esteve reunido com a secretária da Fazenda de Alagoas, Renata Santos e com o secretário especial da Receita Estadual, Francisco Suruagy, e entregou um documento com demandas e solicitações para minimizar os impactos no setor canavieiro.
Na ocasião, a Sefaz informou que a condução do tema segue alinhada à responsabilidade fiscal e ao compromisso com o desenvolvimento econômico do estado.
“A princípio, estávamos pleiteando auxílio com adubos e fertilizantes, como ocorreu em Pernambuco, mas como houve demora por parte do governo, esse período da adubação já ficou tarde para os produtores. Mas a situação segue complicada e vamos cobrar o estado esse auxílio aos produtores”, completou.
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