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Enquanto Brasil encolhe, Bahia tem safra recorde e quer tecer o próprio algodão

O desempenho consolida a Bahia como o segundo maior produtor de algodão do País, atrás apenas do Mato Grosso
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  1. Bahia eleva produção de algodão a 852,7 mil toneladas, crescimento de 16% ante safra anterior
  2. Estado consolida posição como segundo maior produtor nacional, atrás apenas do Mato Grosso
  3. Investimentos em irrigação e automação aumentam produtividade média para 2.030 quilos por hectare
  4. Oitenta por cento da produção baiana de algodão é exportada para mercados asiáticos
  5. Brasil deve encerrar ciclo 2025/2026 como maior exportador mundial de algodão
Colheita de algodão na Bahia - Foto: Divulgação
Bahia é o segundo maior produtor de algodão do País, atrás apenas do Mato Grosso. Cerca de 80% da produção é enviada para o mercado asiático – Foto: Divulgação

Enquanto a produção nacional de algodão deve recuar 8,2% na safra 2025/2026, a Bahia segue na contramão e amplia sua participação no mercado. O estado deverá colher 852,7 mil toneladas de pluma, volume cerca de 16% superior ao da safra anterior, quando foram produzidas 736,6 mil toneladas.

O desempenho consolida a Bahia como o segundo maior produtor do País, atrás apenas do Mato Grosso, e eleva sua participação para aproximadamente 22% da produção brasileira, estimada em 3,9 milhões de toneladas pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

Além do crescimento da produção, a área plantada passou de 413,1 mil para 417,9 mil hectares, enquanto a produtividade média deverá atingir 2.030 quilos de pluma por hectare, acima da média nacional projetada de 1.954 quilos por hectare. Os números reforçam o avanço tecnológico da cotonicultura baiana e a importância do estado para a liderança brasileira no mercado internacional.

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O bom desempenho da safra ocorre em um momento favorável para o setor. As exportações brasileiras devem encerrar o ciclo comercial 2025/2026 em novo recorde, com aproximadamente 3,3 milhões de toneladas embarcadas, consolidando o Brasil como o maior exportador mundial de algodão.

algodão bahia infográfico
Fontes: Abapa, Abrapa, Seagri-BA – Arte: IA/ME

Tecnologia impulsiona produtividade do algodão

O crescimento da produção baiana não está associado apenas à expansão da área cultivada. Segundo o diretor-executivo da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Gustavo Prado, os investimentos em tecnologia, especialmente em irrigação e automação, vêm elevando a eficiência das lavouras e permitindo ganhos consistentes de produtividade.

“Hoje temos cerca de 170 mil hectares irrigados. Os sistemas estão cada vez mais automatizados, com sensores que monitoram a umidade do solo e acionam a irrigação apenas quando necessário. Isso torna a produção mais eficiente e sustentável”, afirma.

O uso de agricultura de precisão também se tornou rotina nas fazendas baianas. Monitoramento diário de pragas, aplicação localizada de fertilizantes e defensivos e equipamentos de alta tecnologia ajudam a reduzir custos e aumentar o rendimento das lavouras.

A qualidade da fibra também diferencia a produção estadual. Segundo Prado, a pluma produzida na Bahia se destaca pelo alto padrão de coloração e brilho, características valorizadas pelo mercado internacional.

“Esse ano tivemos condições climáticas muito favoráveis durante a colheita, praticamente sem chuvas. Isso deve resultar em uma pluma ainda mais branca e com excelente qualidade, um diferencial importante para os compradores”, ressalta.

algodão bahia Douglas Orth - Foto: Divulgação
Douglas Orth, produtor de algodão há quase 30 anos, comemora números da safra recorde no Oeste baiano – Foto: Divulgação

Oeste concentra quase toda a produção

A cotonicultura baiana está concentrada no Oeste do estado, responsável por praticamente toda a produção estadual. Municípios como São Desidério, Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Correntina e Formosa do Rio Preto figuram entre os maiores produtores do País.

Produtor de algodão em Correntina desde 1998, Gustavo Orth acompanhou toda a evolução da cultura na região. Para ele, o crescimento registrado nos últimos anos mostra que ainda existe espaço para expansão.

“Há menos de dez anos a Bahia cultivava pouco mais de 250 mil hectares de algodão. Hoje já são quase 418 mil hectares. Esse crescimento foi construído com investimento em tecnologia, profissionalização e aumento das áreas irrigadas”, afirma.

Orth destaca que sua propriedade utiliza agricultura de precisão em todas as etapas da produção. “Fazemos monitoramento diário das lavouras, análise detalhada do solo e aplicação localizada de insumos. O objetivo é produzir mais utilizando os recursos de forma eficiente”, explica.

Bahia fortalece presença no mercado internacional

Cerca de 80% da produção baiana é destinada ao mercado externo. Os principais compradores são China, Paquistão, Vietnã, Turquia e Bangladesh, países que abastecem grandes polos mundiais da indústria têxtil.

Segundo Gustavo Prado, o aumento das exportações é consequência direta da competitividade alcançada pelo algodão brasileiro. “A Bahia produz muito mais do que o mercado nacional consegue consumir. A qualidade da nossa pluma abriu espaço nos mercados internacionais e hoje somos reconhecidos entre os principais fornecedores do mundo”, afirma.

Grande parte da fibra exportada é transformada em fios, tecidos e peças de vestuário na Ásia antes de retornar ao mercado brasileiro e europeu na forma de produtos industrializados.

Para Orth, esse cenário evidencia uma oportunidade para ampliar a industrialização no País. “O Brasil produz mais algodão do que consome, mas ainda tem uma indústria têxtil que cresce pouco. Existe espaço para agregar mais valor aqui, transformando essa pluma em fios, tecidos e roupas antes da exportação.”

Representante da Seagri-BA, Assis Pinheiro Filho afirma que o algodão impulsiona outros segmentos, como logística, comércio, serviços e infraestrutura – Foto: Manuela Cavadas/Seagri BA

Verticalização da cadeia é prioridade para o Estado

Embora a Bahia já seja um dos principais polos produtores de algodão do País, o Governo do Estado avalia que o próximo passo para ampliar os ganhos econômicos passa pela industrialização da cadeia produtiva. A estratégia é reduzir a exportação da pluma como matéria-prima e atrair investimentos para transformar o algodão em fios, tecidos e confecções dentro do próprio estado, ampliando a geração de empregos e renda.

Segundo o diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri), Assis Pinheiro Filho, o algodão ocupa posição estratégica na economia baiana por movimentar bilhões de reais anualmente e impulsionar diversos segmentos, como logística, comércio, serviços e infraestrutura, especialmente no Oeste do estado.

“A cadeia do algodão é uma das mais relevantes do agronegócio baiano e exerce um efeito multiplicador sobre a economia regional. Nosso desafio agora é avançar na agregação de valor. Exportar a pluma é importante, mas transformar essa matéria-prima em fios, tecidos e produtos têxteis dentro da Bahia representa um enorme potencial para geração de empregos formais, retenção de renda e fortalecimento da indústria”, afirma.

Para alcançar esse objetivo, o governo atua em parceria com a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). Entre as prioridades estão o combate permanente ao bicudo-do-algodoeiro, investimentos em pesquisa para o desenvolvimento de variedades mais resistentes ao estresse hídrico e melhorias na infraestrutura logística, incluindo a recuperação de estradas vicinais e a modernização dos principais corredores de escoamento da produção no Oeste baiano.

De acordo com Assis Pinheiro Filho, a melhoria da logística é um fator decisivo para aumentar a competitividade da produção estadual. “Estamos trabalhando para reduzir o custo do transporte até os portos de Salvador e Santos e criar condições para atrair novos investimentos industriais”, destaca.

Leia também: Com safra recorde, Oeste da Bahia atrai mais de R$ 3,3 bi em investimentos

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