
A combinação entre produção recorde, alta produtividade e diversificação de culturas colocou o Oeste da Bahia entre os principais polos agrícolas do país e consolidou a região como motor do agronegócio nordestino. Com destaque para soja, milho e algodão, a safra baiana de cereais, oleaginosas e leguminosas deve alcançar 13,3 milhões de toneladas em 2026, alta de 3,2% sobre 2025, segundo o IBGE. O desempenho ajuda a explicar a nova rodada de investimentos anunciada durante a Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, que já ultrapassa os R$ 3,34 bilhões para energia, crédito, fertilizantes, infraestrutura, tecnologia e máquinas.
De acordo com o quinto Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado representa um novo recorde para a safra do estado e é puxado principalmente pela soja, cuja produção está estimada em 8,93 milhões de toneladas, crescimento de 3,8% em relação a 2025.
A área plantada com a oleaginosa no estado é de aproximadamente 2,18 milhões de ha. Com o avanço na safra e na área plantada, o rendimento médio de 4,1 toneladas/ha, que é 2,1% maior que o da safra anterior.
As duas safras anuais do milho, estimadas pelo IBGE, devem alcançar 2,80 milhões de toneladas, o que representa aumento de 2,3% na comparação anual. Com relação à área plantada, houve aumento de 5,0% em relação à estimativa da safra anterior que foi de 600 mil ha.
A primeira safra do cereal está projetada em 2,09 milhões de toneladas, 8,1% acima do observado em 2025. Já para a segunda safra é esperado um recuo de 11,5% em relação à colheita anterior, com expectativa de 714 mil toneladas. A demanda crescente do milho decorre do seu maior consumo na produção de etanol, iniciativa recente de indústrias baianas.
Já o algodão (caroço e pluma), tem uma produção estimada em 1,84 milhão de toneladas, o que representa aumento de 2,8% em relação ao ano de 2025, graças às condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. A estimativa revela que o estado da Bahia se mantém como o maior produtor da Região Nordeste e o segundo maior do Brasil, responsável por 20,3% da safra nacional, atrás apenas do Mato Grosso (68,7% da safra nacional). A área plantada com a fibra totalizou 410 mil ha e cresceu 2,5%, em relação à safra 2025.

Fertilizantes e Algodão puxam investimentos em Luís Eduardo Magalhães
O aumento da produção de grãos no Oeste baiano tem atraído investimentos. A cidade de Luís Eduardo Magalhães, considerada o principal polo do agronegócio baiano, inaugurou durante o Bahia Farm Show o maior Centro de Análise de Fibras da América Latina, construído pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), ao lado do complexo da feira. O investimento foi superior a R$ 120 milhões e a planta terá capacidade para processar até 70 mil amostras de algodão por dia, em uma estrutura de 5.200 metros quadrados.
“Quando um importador em Bangladesh, no Paquistão ou na China decide comprar nosso algodão, ele pode ficar seguro do que vai levar para a sua indústria. A transação comercial começa aqui”, disse o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto Costa.
Também durante a feira, a Galvani, empresa que atua na produção e distribuição de fertilizantes fosfatados na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), inaugurou o Armazém de Distribuição de Luís Eduardo Magalhães (ADLEM).
A unidade integra a estratégia de expansão da Galvani na Bahia, contou com aporte de R$ 21 milhões, ampliando a capacidade operacional da empresa para atender os clientes e fortalecer a estratégia logística da companhia. O grupo também anunciou outros R$ 2,13 milhões para obra de Intervenção da Via Marginal à BR-242, executada em parceria com a prefeitura municipal.
“São investimentos que fortalecem não apenas a operação da Galvani, mas também a infraestrutura regional e o desenvolvimento do Oeste baiano. Acreditamos em um crescimento sustentável, conectado às necessidades do agronegócio, das comunidades e das pessoas que vivem e trabalham na região”, destaca Marcelo Silvestre, Diretor-Presidente da Galvani.

Oeste baiano atrai investimentos em energia e financiamento rurais
A Neoenergia Coelba está ampliando seus investimentos na infraestrutura da matriz energética da região Oeste da Bahia. Os recursos fazem parte do plano de investimentos de R$ 25 bilhões previsto para todo o estado entre 2026 e 2030, considerado o maior da história da distribuidora. Cerca de R$ 3,2 bilhões serão destinados exclusivamente para o oeste, com objetivo de ampliar e fortalecer a rede de distribuição, impulsionando o potencial de desenvolvimento do agronegócio.
De acordo com o superintendente de Operações da Neoenergia Coelba, Leonardo Santana, os investimentos na região contemplam a construção de novas subestações, ampliação de estruturas já existentes e implantação de linhas de distribuição em média e alta tensão. Ao todo, serão 25 intervenções que deverão ampliar em cerca de 93% a oferta de energia no Oeste baiano.
“A expansão da infraestrutura elétrica terá impacto direto sobre o agronegócio regional, criando condições para atender novas demandas energéticas e impulsionar o crescimento das atividades produtivas. Com maior disponibilidade de energia, produtores e empresas poderão ampliar operações, investir em novas tecnologias, aumentar a produção e gerar mais empregos”, disse.
O Banco do Nordeste também anunciou durante o Bahia Farm Show aumento dos limites de financiamento para os portes médio e grande no Plano Safra, que será lançado em julho.
Para a participação do FNE, serão 10% a mais para custeio e comercialização (médio até 70% e grande até 60%); com elevação também em 10% para investimentos acima de R$30 milhões (médio porte até 80% e grande porte até 70%).
Com 59 agências espalhadas na Bahia, o BNB é responsável por 50% dos financiamentos rurais do estado. Segundo o superintendente de agronegócio e microfinança rural do BNB, Luiz Sérgio Farias Machado, foram R$ 4,3 bilhões em negócios em 2025 só com a agricultura empresarial, sendo R$ 3,2 bilhões somente no oeste baiano.

Empresas apostam em maquinário e tecnologia para impulsionar safra
Durante a feira em Luís Eduardo Magalhães, empresas de máquinas agrícolas anunciaram expansão, de olho no crescimento da produção e da necessidade de garantir a produtores maquinários mais eficientes.
A Valtra inaugurou sua terceira unidade na região e informou que vai oferecer maquinário de alta potência, como tratores das séries Q5 e S6, plantadeira Momentum, além da linha de pulverizadores e do distribuidor DryBox.
“A abertura desta nova loja em Luís Eduardo Magalhães representa um marco estratégico para a Valtra. O oeste da Bahia é um polo fundamental para o agronegócio brasileiro e com essa expansão ficaremos ainda mais próximos dos produtores, entregando nosso portfólio completo, que une potência, inteligência e eficiência operacional”, destaca Claudio Esteves, Diretor Comercial da Valtra.
Já a alemã Fendt levou para a Bahia Farm Show máquinas para pequenas e médias propriedades que tem foco na eficiência operacional da lavoura e redução de consumo de combustível.
“Essa é uma região estratégica para o agro brasileiro. Hoje, o produtor tem um perfil altamente técnico, cujo foco está em verticalizar a produção, extraindo o máximo de eficiência e rentabilidade de cada hectare. É exatamente nesse cenário que a Fendt se consolida como a parceira definitiva, com alta tecnologia para garantir resultados superiores desde o preparo do solo até a colheita”, destaca Rafael Antonio Costa, Diretor Comercial da Fendt.
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