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NE pode se tornar o maior mercado de baterias em escala comercial no país

O primeiro leilão para o setor, muda o peso econômico dos projetos e favorece regiões - como o Nordeste - onde a rede precisa de reforço das baterias

De Recife
CEO do Movimento Econômico
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~3:31
  1. Brasil terá primeiro leilão de baterias em dezembro de 2026, transformando matriz energética do país
  2. Nordeste concentra parques eólicos e solares, necessitando reforço elétrico local urgente para estabilidade
  3. Baterias atuarão como formadores de rede, estabilizando sistema elétrico de forma autônoma e independente
  4. Contratos de 15 anos com fornecimento a partir de agosto de 2028 garantem segurança aos investidores
  5. Desenho regulatório permite projetos híbridos e reduz barreiras, favorecendo empreendimentos em regiões com geração renovável
Linhas de transmissão - Axia Energia
O leilão de baterias pode contribuir para aliviar congestionamentos na distribuição de energia/Foto: Axia Energia/Divulgação

O primeiro leilão para armazenamento em baterias do Brasil, previsto para dezembro de 2026, pode mudar a realidade do Nordeste, região que hoje enfrenta os efeitos da forte concentração de parques de geração limpa. A expansão acelerada das energias eólica e solar transformou o Nordeste em protagonista da transição energética, mas também aumentou a pressão sobre uma rede de transmissão que não cresceu no mesmo ritmo. O leilão foi desenhado para tecnologias capazes de atuar justamente onde a rede elétrica é mais sensível.

O ONS e a EPE publicaram, em 23 de junho, as regras técnicas do certame. Os projetos interessados em participar terão de operar como formadores de rede, no chamado curtailment. Na prática, isso significa que as baterias precisarão ajudar a estabilizar o sistema elétrico de forma autônoma, controlando tensão e frequência, em vez de apenas seguir as condições da rede ao redor.

Nesse cenário, a bateria deixa de ser apenas um equipamento para armazenar energia. Passa a cumprir uma função sistêmica, ajudando a manter a confiabilidade da operação, dando suporte à rede em momentos de instabilidade e agregando valor especialmente em áreas com forte presença de fontes renováveis.

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Essa exigência muda o peso econômico dos projetos e favorece regiões onde a rede é mais sensível e precisa de reforço local. É exatamente nesse ponto que o Nordeste ganha destaque. O leilão pode contribuir para aliviar congestionamentos, reduzir restrições de escoamento e diminuir cortes de geração renovável, conhecidos no setor como curtailment. Por isso, a região pode despontar como o primeiro grande mercado de baterias em escala comercial no país.

Nordeste precisa de baterias

Como o Nordeste reúne grande concentração de parques eólicos e solares, além de uma demanda crescente por reforço elétrico local, a região se torna naturalmente mais atrativa para os primeiros projetos. A nota técnica do ONS e da EPE não menciona o Nordeste de forma explícita, mas estabelece critérios que fazem mais sentido em redes com menor robustez, como a capacidade de controlar tensão e frequência de forma autônoma e responder rapidamente a perturbações.

O primeiro leilão de armazenamento em baterias também deve oferecer contratos de 15 anos, com início de fornecimento previsto para agosto de 2028. Esse horizonte dá mais segurança para projetos estruturados em áreas com grande presença de geração renovável e necessidade de suporte ao sistema. Além disso, o desenho regulatório abre espaço tanto para novos empreendimentos quanto para arranjos associados a usinas já existentes, o que pode reduzir barreiras de entrada e favorecer projetos híbridos.

Isso não significa que o Nordeste será o único destino dos investimentos. O leilão será nacional e outras regiões também poderão disputar projetos, especialmente onde houver boas condições de conexão, licenciamento e custo. Mas, na fase inicial de implantação desse novo mercado, a combinação entre forte expansão renovável, rede de transmissão pressionada e necessidade de estabilização local cria uma vantagem clara para a região. No setor elétrico, novas tecnologias costumam avançar primeiro onde resolvem problemas mais urgentes. No caso das baterias, esse endereço tende a ser o Nordeste.

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