
O Porto de Maceió tem ampliado ações e parcerias que buscam tornar a atividade no terminal portuário mais sustentável. Um dos projetos que está em estudo é a implantação de uma unidade Onshore Power Supply (OPS) para gerar energia em terra para navios de cruzeiros que passam pela capital alagoana durante a alta temporada.
Segundo o coordenador ambiental do Porto de Maceió, Aldo Flores, a grande demanda de navios de cruzeiro que passam pela capital durante a alta temporada motivou a elaboração do estudo, buscando alternativas para que a passagem desses navios seja mais sustentável.
“Enquanto eles estão atracados, os navios de cruzeiro mantêm os motores, que são movidos a combustíveis fósseis, ligados. Iniciamos este estudo para avaliar a viabilidade técnica e financeira para instalar um OPS [Onshore Power Supply], para fornecermos energia elétrica a esses navios. Isso diminui drasticamente a emissão de gases no nosso Porto e passa para as companhias de Cruzeiro a visão de que o Porto de Maceió é um porto preocupado com a descarbonização e alinhado as metas da Organização Marítima Internacional”, disse Flores.
A instalação do OPS também é uma oportunidade de gerar renda ao Porto por meio de geração de energia limpa para abastecimento das embarcações.
A temporada 2025/2026 de cruzeiros foi encerrada com a passagem de 35 navios de cruzeiros pelo Porto de Maceió, hoje o segundo com maior movimentação de cruzeiristas no Nordeste. A próxima temporada, prevista para iniciar no mês de novembro e prosseguir até abril de 2027 manterá Maceió na rota das principais armadoras de cruzeiros que navegam pelo país.
Descarbonização avança no Porto de Maceió
Além deste projeto, a administração do terminal portuário de Maceió vem implementando outras ações, amparadas no inventário de emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE).
Segundo Aldo Flores, os documentos de 2022 a 2024 garantiram a elaboração de um plano de mitigação que já está em fase de implantação. Paralelo a isso, o terminal portuário também vem estabelecendo parcerias internacionais para gestão de resíduos plásticos no oceano.

O Porto de Maceió foi escolhido para ser terminal de demonstração na América Latina no projeto global GloLitter e passou a integrar um grupo de terminais usados como estudo de caso para aprimorar a gestão de resíduos de embarcações e reduzir o lixo plástico marinho. A iniciativa é conduzida pela Organização Marítima Internacional (IMO), com participação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e cooperação técnica do Porto de Antuérpia-Bruges Internacional.
“Nossas ações chamaram atenção da ANTAQ e agora estudamos em parceria com porto da Antuérpia a viabilidade técnica e financeira para criarmos um centro de recebimento de resíduos plásticos gerados por embarcações. Isso vai gerar sandbox regulatório inspirado numa diretiva da União Europeia, no intuito de instituir uma taxa para retirada desses resíduos aqui no nosso Porto. Então o Porto de Maceió está, de fato, na vanguarda dessa discussão no país”, destacou.
Indústria e CT&I desenvolvem soluções para o Porto de Maceió
Durante a oitava Caravana da Inovação Portuária, do Ministério dos Portos e Aeroportos, realizada em Maceió na quinta-feira (2) ações que vem sendo desenvolvidas para auxiliar a agenda verde do Porto de Maceió foram debatidas.
Segundo o diretor de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade Industrial da Federação das Indústrias de Alagoas, Júlio Zorzal, Alagoas está diante de uma janela de oportunidades frente aos recursos destinados pelo Governo Federal ao Nordeste e a indústria precisa estar capacitada para poder aproveitar este momento para desenvolver a cadeia produtiva. Ele destacou que a Fiea passou a incluir o Porto de Maceió nas discussões sobre descarbonização e inovação industrial, com foco em tecnologias capazes de reduzir as emissões na cadeia logística.

A agenda reúne setor produtivo, poder público, academia, Senai e empresas em torno de soluções como eletrificação de embarcações atracadas, uso de energia renovável e desenvolvimento de equipamentos mais eficientes. O tema integra o Grupo de Trabalho de Baixo Carbono e Recursos Naturais, lançado este ano pela entidade e que reúne cerca de 20 empresas.
“O Porto faz parte desse debate porque está no eixo central da cadeia produtiva, que é o transporte. Podemos pensar em tecnologias de eletrificação para navios que chegam ao porto, reduzindo o uso de combustíveis e utilizando energia elétrica renovável, além de equipamentos e motores que contribuam, ao longo do tempo, para diminuir a emissão de gases de efeito estufa”, destacou.
Já Pedro Ivo, do Centro de Inovação de Jaraguá, destacou que o Porto é um dos setores que pode ser atendido pelas tecnologias desenvolvidas no local. As empresas que desenvolvem soluções vêm trabalhando em uma estrutura voltada ao desenvolvimento e à personalização de equipamentos eletrônicos para a indústria.
Uma das propostas consiste em instalar três linhas automatizadas para produção de hardware embarcado em Alagoas, permitindo adaptar chips, placas e outros dispositivos às necessidades de setores como o portuário, que demandam soluções tecnológicas específicas e hoje enfrentam dificuldades para acessar fornecedores em pequena escala.
“O setor portuário pode utilizar muito bem essa linha inédita em nível Nordeste. A ideia é produzir hardware aqui em Alagoas, fazendo a montagem, adequação e personalização de chips e equipamentos para atender às demandas da indústria”, afirmou Pedro Ivo.
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