
Conhecer as paisagens, as pinturas rupestres, as trilhas e a riqueza cultural do Vale do Catimbau sem precisar sair de casa já é possível. Um projeto lançado pelo pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), em parceria com o TikTok e o Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô permite que visitantes explorem um dos mais importantes patrimônios arqueológicos do Brasil por meio de uma experiência imersiva em realidade virtual, que combina tecnologia, turismo e valorização das comunidades locais. O projeto pode ser acessado por este link.
O Movimento Econômico desenvolveu a série de reportagens “Descobrindo o Vale do Catimbau”. Na primeira matéria, apresentamos o projeto de capacitação de negócios locais da cadeia o turismo por parte do Sebrae. Já na segunda matéria, mostramos como a trajetória da Vinícola Rupestre e como a produção de vinho pode incrementar os negócios da região. O terceiro texto mostra o trabalho desenvolvido por mulheres da região através da Cooperativa de Produção do Vale do Catimbau (COOP Catimbau) que vem transformando o fruto do licuri, ou ouricuri, como é mais conhecido em Pernambuco, em óleos, sabonetes, biojoias, artesanato e alimentos, criando oportunidades para dezenas de mulheres da região.
Além de oferecer um passeio virtual, a plataforma pretende ampliar a visibilidade do destino, estimular o turismo sustentável e criar novas oportunidades para micro e pequenos empreendedores que atuam na região.
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Localizado no Agreste pernambucano, o Vale do Catimbau abriga o Parque Nacional do Catimbau, criado em 2002, com mais de 62 mil hectares. Considerado o segundo maior sítio arqueológico do Brasil, o território reúne formações rochosas, centenas de pinturas rupestres, trilhas e áreas de grande importância ambiental, histórica e cultural.
Comunidades participaram da construção
A plataforma começou a ser desenvolvida em agosto de 2025 e foi construída de forma colaborativa. Comunidades quilombolas e indígenas do entorno do parque participaram da definição dos locais que seriam registrados e das histórias que passariam a integrar a experiência virtual. Também colaboraram a Prefeitura de Buíque, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Sebrae e outras instituições.
O resultado é um ambiente digital que reúne um mapa tridimensional interativo do território, relatos de lideranças comunitárias, guias de turismo, artesãos e empreendedores, além de apresentar trilhas, sítios arqueológicos, pinturas rupestres e espaços utilizados em rituais indígenas, sempre com autorização e mediação do ICMBio.
O acesso pode ser feito pela internet ou com o uso de óculos de realidade virtual. A plataforma também funciona como uma vitrine para pequenos negócios locais, incluindo ateliês, iniciativas comunitárias e empreendimentos ligados ao turismo e ao artesanato.
Tecnologia como ferramenta de desenvolvimento
Além de proporcionar uma visita imersiva, o projeto utiliza escaneamento em 3D para preservar digitalmente parte do patrimônio do Vale do Catimbau. A tecnologia também será utilizada como ferramenta de educação patrimonial e de promoção turística, fortalecendo a economia local por meio da valorização da cultura e dos saberes tradicionais.
Segundo o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, a proposta demonstra que inovação tecnológica e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos quando as comunidades são colocadas no centro das políticas públicas.
“O empreendedorismo também nasce da identidade de um território. Ao conectar tecnologia, turismo e empreendedorismo, estamos ampliando a visibilidade dos pequenos negócios locais e criando condições para que o desenvolvimento sustentável se traduza em mais renda e mais oportunidades para quem vive no território. É assim que o Governo Federal promove o desenvolvimento: valorizando as vocações de cada região, preservando nosso patrimônio e transformando cultura e inovação em oportunidades para quem empreende”, afirmou.
Turismo, cultura e empreendedorismo
Para o diretor de Responsabilidade Social do TikTok no Brasil, Handemba Mutana, o projeto tem potencial para ampliar o alcance internacional do Vale do Catimbau e gerar benefícios permanentes para os moradores da região.
“No TikTok, acreditamos no poder da tecnologia como ferramenta para amplificar histórias que celebram a identidade cultural. Para além de projetar o Catimbau, tanto nacionalmente como globalmente, e reforçar seu potencial turístico, queremos que esta iniciativa traga impactos reais para a comunidade local. Implementamos com muito sucesso uma estratégia semelhante no Parque Memorial Quilombo dos Palmares e conectamos os mesmos parceiros do Vamos Subir a Serra para ampliar o nosso impacto no Nordeste. É uma experiência transformadora, impacta empreendedores da região e estabelece um compromisso de longo prazo com a valorização e a proteção do Vale”, afirmou.
A experiência foi inspirada em um projeto semelhante realizado no Parque Memorial Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga (AL), que também utilizou tecnologia 360º para democratizar o acesso ao patrimônio cultural brasileiro.
Preservação e geração de renda
A gestora do Projeto Vamos Subir a Serra, Simone Benchimol, destacou que o projeto foi concebido em diálogo com as comunidades locais. “Esse projeto é também um instrumento de preservação da memória e valorização dos saberes locais, construído em diálogo com as comunidades do território”, disse.
Já a coordenadora-geral do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, Valdice Gomes, avalia que a iniciativa fortalece o potencial do Catimbau como destino de turismo arqueológico e referência em inovação socioambiental. “É gratificante poder colaborar com essa ação que une o saber ancestral com a modernidade, visando a valorização e fortalecimento do Parque Nacional do Catimbau enquanto importante rota de turismo arqueológico e território de inovação socioambiental”, afirmou.
Além da plataforma, o projeto prevê ações de capacitação para empreendedores da região, conectando pequenos negócios a oportunidades de qualificação e promoção. A expectativa é ampliar o fluxo turístico, fortalecer a economia local e consolidar o Vale do Catimbau como um polo de turismo sustentável e de base comunitária. A entrega oficial da iniciativa para a população local ocorrerá em um evento previsto para acontecer em breve no próprio parque.
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