
O Recife foi escolhido como a primeira cidade a implementar um projeto internacional de economia circular liderado pela Fundação Ellen MacArthur, organização britânica reconhecida mundialmente por iniciativas voltadas à sustentabilidade. A parceria, formalizada nesta quarta-feira (1º), prevê mobilizar mais de US$ 50 milhões (cerca de R$ 300 milhões) ao longo dos próximos cinco a sete anos para fortalecer a reciclagem, ampliar a coleta seletiva, reduzir a poluição por resíduos plásticos e impulsionar a inclusão produtiva de cooperativas e catadores.
A iniciativa reúne poder público, empresas, organizações da sociedade civil e cooperativas de reciclagem e representa a segunda etapa de um trabalho iniciado com a publicação do relatório “Fechando o Ciclo: Transformando os Sistemas de Resíduos Urbanos e Protegendo os Rios do Brasil”, elaborado pela Fundação Ellen MacArthur e pela Clean Rivers.
O documento apresenta estratégias para reduzir o vazamento de resíduos, especialmente plásticos, para rios e oceanos. Recife foi escolhida para colocar esse modelo em prática.
Recife como referência em economia circular
Segundo a Fundação Ellen MacArthur, a capital pernambucana foi selecionada por reunir iniciativas consolidadas em reciclagem, coleta seletiva e economia circular, além de apresentar capacidade de articulação entre diferentes atores e características semelhantes às de outros grandes centros urbanos brasileiros e do Sul Global, permitindo que as soluções desenvolvidas possam ser replicadas em outras localidades.
O projeto está estruturado em três eixos, com fortalecimento da economia circular em toda a cadeia dos resíduos, combate ao descarte irregular e à poluição dos rios, além da ampliação da inclusão produtiva de cooperativas e catadores.
A próxima fase do projeto prevê a elaboração de um plano de trabalho entre Prefeitura, empresas, cooperativas e instituições parceiras, definindo metas, cronogramas e responsabilidades para a implementação das ações nos próximos meses.
A expectativa é que a experiência do Recife sirva de modelo para outras cidades brasileiras e internacionais na construção de sistemas mais eficientes de gestão de resíduos e economia circular.
Para o prefeito Victor Marques, a parceria fortalece uma política ambiental que já vinha sendo construída pelo município. “Nossa cidade conta com diversas iniciativas para proporcionar ainda mais sustentabilidade e agora vamos contar com esse reforço, transformando ainda mais o Recife em referência mundial”, afirmou.
Para a diretora da Fundação Ellen MacArthur para a América Latina, Luisa Santiago, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar a economia circular.
“O Brasil tem os ingredientes para transformar a forma como gerencia a coleta e a reciclagem, incluindo bases regulatórias sólidas, vontade política e uma rede sofisticada de quase um milhão de catadores, que são o motor do sistema de reciclagem do país. (…) Estamos animados para trabalhar com o Recife e começar um novo modelo de colaboração entre cidades e empresas para fechar essa lacuna, com a esperança de inspirar cidades ao redor do mundo a seguir o mesmo caminho”, declarou.
A CEO da Clean Rivers, Deborah Backus, destacou que o fortalecimento da gestão de resíduos reduz a chegada de lixo aos cursos d’água e aos oceanos.
“O Recife é o lugar certo para iniciarmos nosso trabalho, por ser uma cidade definida por sua vasta rede de cursos d’água que deságuam no Atlântico Sul. Esta parceria é única enquanto esforço multiparticipante para enfrentar o vazamento e a poluição por resíduos”, afirmou.
Nova ecoestação amplia estrutura
Durante a cerimônia, a Prefeitura também inaugurou a Ecoestação Vila do Papel, no bairro de São José, a 17ª unidade do programa Recife Limpa. Com a entrega, a cidade mais que dobrou sua rede de pontos de entrega voluntária de resíduos.
O equipamento recebe resíduos da construção civil, recicláveis, móveis, restos de poda, materiais volumosos e itens de logística reversa, reduzindo o descarte irregular e funcionando como ponto de apoio aos catadores.
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