
O cultivo de eucalipto tem ganhado espaço em Alagoas e se mostrado uma opção de diversificação de culturas também para o setor pecuário. O Sebrae, em parceria com a Federação das Indústrias de Alagoas (FIEA) e a Embrapa Tabuleiros Costeiros, tem buscado identificar clones mais adaptáveis às condições climáticas do estado, com destaque para experiências já em curso em municípios da Zona da Mata alagoana.
Os estudos vêm sendo desenvolvidos desde 2008 e as pesquisas são coordenadas pela Federação das Indústrias, que utiliza clones geneticamente selecionados com características como crescimento acelerado, resistência a pragas, maior produtividade e melhor qualidade da madeira. Essas variedades passaram a ser avaliadas tanto em plantios florestais quanto em sistemas integrados com a pecuária.
Segundo estudo publicado pela FIEA, a área plantada no estado passou de 2.525 para 27.692 hectares na última década.
Na primeira etapa das pesquisas, foram testados 40 clones oriundos de diferentes regiões do país. Os resultados demonstraram boa adaptação às condições locais. Em um segundo ciclo, o número de variedades avaliadas chegou a 100, já incorporando o sistema silvipastoril como foco dos estudos.
A partir dessa parceria, foram implantadas Unidades de Referência Técnica (URTs) em diferentes regiões do estado. Atualmente, existem áreas de acompanhamento em Passo de Camaragibe, Maceió e Pão de Açúcar, onde os resultados seguem sendo monitorados por equipes técnicas.

Produtor aposta no cultivo de eucalipto e na pecuária
Um dos exemplos é observado no sistema silvipastoril, que tem sido acompanhado de perto pelas equipes na Fazenda Buenos Aires, localizada no município de Passo de Camaragibe.
Com plantio iniciado em 2020, há integração de eucaliptos com pecuária e pastagem na mesma área, o que tem possibilitado ao produtor José Nogueira produzir carne e madeira ao mesmo tempo em sua propriedade.
Atualmente, os pés de eucalipto ultrapassam os cinco anos de desenvolvimento, período considerado adequado para diferentes possibilidades de comercialização da madeira. Mas os benefícios começaram a ser percebidos muito antes do retorno financeiro.
Durante o verão, especialmente entre dezembro e janeiro, parte da propriedade apresenta redução da cobertura vegetal em razão das condições climáticas da região. Nas áreas onde o sistema silvipastoril foi implantado, porém, o capim permaneceu verde graças ao sombreamento proporcionado pelas árvores. O resultado foi um ambiente mais confortável para os animais e melhores condições para a atividade pecuária.
“Você continua com a pecuária, potencializa a atividade e ainda cria uma reserva financeira com o eucalipto. A pastagem também se beneficia porque, ao receber menos luminosidade, melhora o crescimento e aumenta a proteína do capim em cerca de 10% a 12%. Essa é a grande vantagem do sistema silvipastoril”, destaca o produtor José Nogueira.
Os planos da propriedade envolvem a comercialização da madeira em ciclos mais longos, enquanto o sistema segue contribuindo para o desempenho da pecuária.
Ele explicou que o primeiro ciclo de plantio registrou clones com mais de 90 metros cúbicos por hectare, já o segundo obteve mais de 140 metros cúbicos por hectare.
“Como o plantio mais antigo está sendo utilizado para acompanhamento técnico, ainda não realizamos o corte. A ideia é acompanhar o desenvolvimento por mais tempo, entre seis e oito anos, retirando junto com os plantios mais novos. Dependendo da finalidade da madeira, o ciclo muda. Para biomassa e energia, pode ser de cinco anos. Já para a serraria, o período costuma ser maior”, explica o produtor.

Eucalipto tem futuro sustentável em Alagoas, diz Sebrae
Com boa luminosidade regime de chuvas regular na Zona da Mata e acompanhamento técnico, a atividade é vista pelo Sebrae como promissora para os próximos anos.
As oportunidades econômicas relacionadas ao cultivo abrangem diferentes segmentos, como construção rural, mourões de cerca, serraria, lenha industrial, biomassa energética, móveis e celulose, dependendo da escala de produção.
Desde 2018, o Sebrae Alagoas realiza capacitações voltadas a técnicos e produtores, com foco na implantação adequada do sistema e no fortalecimento da cultura no estado. O primeiro ano de desenvolvimento é considerado o período mais sensível, exigindo maior atenção ao manejo e ao acompanhamento técnico.
“Acompanhamos todo o processo, desde a escolha e o planejamento da área até o pós-plantio. Realizamos análise de solo, definição da fertilização, preparo da área, plantio e manutenção. No sistema silvipastoril, geralmente aguardamos cerca de um ano para introduzir os animais, garantindo que a área esteja preparada para as atividades da propriedade”, explica Adalberto Silva, consultor do Sebrae especializado na cultura.
Para a analista de Competitividade Setorial do Sebrae Alagoas, Cristina Loureiro, o objetivo é ampliar o acesso dos produtores às mudas e fortalecer a formação de consultores especializados na área, além de aproximar a produção de madeira de setores como construção civil e móveis, ampliando as possibilidades de mercado para os produtores rurais do estado.
“Uma madeira que ultrapassa os cinco anos passa a ter aplicações mais sofisticadas, como na construção civil, o que aumenta seu valor agregado. Enquanto isso, o produtor utiliza a floresta como uma poupança. Ele planta as árvores para fornecer sombra aos animais e deixa que elas cresçam. Se no futuro precisar de recursos para a propriedade, poderá comercializar essa madeira”, destaca Cristina.
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