- Publicidade -

Justiça de Alagoas avança para encerrar falência da Laginha, do Grupo João Lyra

Processo do grupo João Lyra ainda tem embargos, recuperação de ativos, acordo com banco estrangeiro e imóveis a serem incorporados
- Publicidade -
Ouvir o Artigo
~4:06
  1. Justiça de Alagoas avança no caso Laginha.
  2. Grupo João Lyra entrou com pedido de recuperação.
  3. Processo se arrasta desde 2008 em Alagoas.
  4. Sentença de encerramento representa avanço relevante.
  5. Acordo evita passivo de R$ 26 milhões.
Usina-Laginha Grupo João Lyra
Considerado um dos maiores casos de falência empresarial, Grupo João Lyra tinha cinco usinas, mas entrou com pedido de recuperação judicial em 2008. Foto: Divulgação

A falência da Laginha Agroindustrial, empresa do antigo Grupo João Lyra, entrou em fase final após sentença de encerramento proferida pela Justiça de Alagoas. Apesar disso, o processo ainda não está completamente concluído do ponto de vista operacional, já que existem trâmites a serem cumpridos, que incluem análise de embargos, recuperação de ativos e homologação de acordos. 

O caso se arrasta desde 2008 e envolve uma das maiores falências empresariais de Alagoas. A sentença de encerramento representa um avanço relevante para a conclusão do processo e na decisão mais recente, do dia 15 de junho e proferida pela Comarca de Coruripe, determinou que a administradora judicial, o Comitê de Credores e o espólio de João José Pereira de Lyra se manifestem sobre 14 embargos de declaração apresentados contra a sentença de encerramento e contra decisão anterior.

Parte desses pedidos busca alterar pontos relacionados a reservas de crédito, valores e estrutura de pagamentos, o que levou o juízo a abrir prazo para manifestação antes de julgar as contestações.

Entre as medidas autorizadas está a contratação de estrutura para a reintegração de posse da Fazenda Riachão do Casado, localizada na Usina Uruba, no município de Atalaia, visando recuperar e conservar um bem pertencente ao acervo da massa falida.

Decisão prevê acordos e pagamento de débitos do Grupo João Lyra

Outro ponto relevante da decisão foi a homologação de um acordo envolvendo a massa falida, o Bank of China, o espólio de João José Pereira de Lyra e seus herdeiros. A transação encerra uma disputa relacionada a operações de crédito e recursos que estavam em discussão em instâncias superiores.

Na prática, o acordo evita que um passivo estimado em cerca de R$ 26 milhões volte a pesar sobre a massa falida. Isso ocorre porque o espólio e os herdeiros renunciaram ao direito de cobrar da massa valores ligados a uma das cédulas de crédito em discussão.

Para o juízo, a composição traz benefício à coletividade de credores, ao reduzir incertezas e ajudar a estabilizar a estrutura de pagamentos definida ao longo do processo. A decisão também registra que foram protocoladas desistências de recursos especiais relacionados ao caso.

A Justiça também autorizou o pagamento de uma guia DARF de R$ 78.660,73, referente a uma transação tributária federal vinculada a débito inscrito em dívida ativa. O valor atualizado da dívida era de R$ 205.648,99, mas a adesão ao programa de transação permitiu desconto de 61,75%.

A decisão também registra que a administradora judicial identificou dois imóveis da massa falida que ainda não haviam sido arrecadados. Um deles fica em Teotônio Vilela e o outro em Coruripe.

A Justiça admitiu a incorporação dos bens ao acervo da massa, mas determinou a apresentação dos laudos de avaliação em até 30 dias e das certidões de registro dos imóveis em até 15 dias. Somente depois dessas etapas a arrecadação poderá ser homologada de forma definitiva.

A medida reforça que, mesmo após a sentença de encerramento, ainda há ativos sendo localizados, avaliados e incorporados ao processo.

História da Laginha

A Laginha Agroindústria S/A foi fundada pelo empresário e ex-deputado federal, João Lyra, morto aos 90 anos em 2021 em decorrência da Covid. O empresário era pai de seis filhos, sendo a mais conhecida Thereza Collor, ex-mulher de Pedro Collor de Mello, irmão do ex-presidente da República, Fernando Collor de Melo.

Quando esteve no auge, o empresário nascido em Pernambuco, controlava cinco usinas de cana-de-açúcar, sendo a principal delas a Usina Guaxuma, em Coruripe, além de outras três situadas em Alagoas e uma em Minas Gerais.

O pedido de recuperação judicial foi ajuizado em 2008 e em 2014 o Tribunal de Justiça de Alagoas decretou a falência empresarial.

Leia Mais: Justiça aceita denúncia contra Braskem e ex-gestores por desastre em Maceió

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -