
A Transnordestina Logística (TLSA) assinou nesta terça-feira (16) a ordem de serviço para a construção do ramal ferroviário que vai conectar o lote 11 da ferrovia ao Terminal de Uso Privado (TUP) da Nordeste Logística (Nelog), futuro terminal de cargas no Complexo do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza. O investimento combinado no ramal, no terminal e em uma esteira de escoamento de mercadorias soma R$ 3,6 bilhões. Desse total, R$ 3 bilhões são destinados ao terminal, que ainda passará por processo de concorrência antes do início das obras, e R$ 500 milhões à esteira, que vai escoar cargas como grãos e fertilizantes.
O ramal tem extensão de 8,3 km e passa pelos municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante. As obras desta etapa incluem duas obras de arte especiais, uma ponte para descarga de minério e um viaduto ferroviário, além de uma moega ferroviária destinada à descarga de grãos. A movimentação de terra prevista é de 4,3 milhões de m³, volume equivalente a 1.700 piscinas olímpicas.
A ordem de serviço foi assinada pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas, pelo diretor-presidente da Transnordestina Logística, Ismael Trinks, pelo diretor executivo de Infraestrutura e Logística da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Tufi Daher Filho, e pelo diretor da Marquise Infraestrutura, Renan Carvalho, entre outras autoridades.
O TUP Nelog vai funcionar como terminal de armazenagem e movimentação de cargas, integrando a Transnordestina ao Complexo do Pecém. A capacidade operacional, a ser atingida de forma gradual, é de 30 milhões de toneladas por ano, em cargas como grãos, minérios, fertilizantes, carga geral e contêineres. Apesar da concorrência ainda pendente, a TLSA afirma que a construção do terminal deve começar ainda este ano. A previsão é que a estrutura entre em operação em 2028. Só na primeira fase de implantação, o empreendimento tem potencial para gerar cerca de mil empregos diretos durante a construção.

Ferrovia avança no Ceará
A Fase I da Transnordestina, que vai de Paes Landim, no Piauí, até o porto do Pecém, no Ceará, tem 82% de avanço físico e deve ficar concluída no final de 2027, viabilizando a conexão direta com o porto. Desde dezembro de 2025, trens já circulam em fase de testes operacionais, transportando cargas como milho e sorgo entre os dois estados.
Para o diretor executivo de Infraestrutura e Logística da CSN, Tufi Daher Filho, o terminal de cargas é o elo que faltava para que a ferrovia cumprisse sua função logística por completo. “Essa aqui é a cereja do bolo. Não adiantava chegar ao porto com a ferrovia e não ter um terminal para recepcionar os grãos, para trazer e importar os fertilizantes e combustíveis e tantas outras cargas que tem pelo Brasil e que a logística é impeditiva”, afirmou.
Daher Filho destacou ainda o avanço das obras ao longo da ferrovia. “É uma alegria voltar ao Ceará, onde fui condecorado cidadão cearense. Hoje temos do lote 4 ao 11 e agora o ramal do Porto do Pecém. Isso prova que a empresa cearense está preparada, que a mão de obra está preparada, que tem empresa pujante e que entrega”, disse. Ele também citou um recorde nacional registrado recentemente nas obras: “Foi em um domingo recente que a Transnordestina bateu o recorde brasileiro de montagem de superestrutura em um dia, foi 1,7 km de superestrutura montado em um dia”.
Sobre o cronograma, o executivo da CSN projetou que, até o final de 2027, a estrutura que começa a ser construída agora já estará operacional: “Final de 2027 tudo isso que está começando hoje já terá silos de grãos, moega para receber os grãos, recepção de fertilizantes, uma estrutura gigante para receber minérios, se tiver minérios, são 84 hectares para poder expandir”.

Conexão com o Complexo do Pecém
O presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino, avalia que os investimentos em curso reforçam a posição do porto na logística nacional. “É uma estratégia bem complexa pelo volume de investimentos e coisas que acontecem ao mesmo tempo, temos hoje um dos portos mais eficientes do país, por isso essa demanda. Conquistamos uma nova rota na Ásia, hoje uma mercadoria da China que levava até 75 dias para chegar no Ceará, hoje ela chega em até 35 dias, isso deu uma movimentação muito maior pra gente. Esse emaranhado de investimentos que hoje a gente tem aqui no complexo são fundamentais para nossa economia”, afirmou.
Quintino destacou ainda o potencial de expansão da área destinada ao terminal. “Queremos conectar essas obras, todas acabam tendo relação. O tanque de tancagem já está negociando com a Transnordestina para movimentar esse combustível. Queremos que os projetos conversem e sejam benéficos. Temos chances de aumentar esses 84 hectares iniciais. Todo o nosso perímetro é de 19 mil hectares, temos capacidade tanto terrestre como marítima”, disse.

O secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fábio Feijó, relacionou os investimentos na ferrovia a um projeto mais amplo de interiorização do desenvolvimento. “Mais do que crescimento, o que buscamos é o desenvolvimento econômico: transformar a riqueza em benefícios reais para o nosso povo, promovendo a interiorização do desenvolvimento. Cada grande investidor atrai um ecossistema que apoia as comunidades locais com projetos sociais. A Transnordestina é o nosso grande instrumento para levar essa pujança ao interior do Ceará. Cada ramal e porto seco que implementamos abre espaço para novos complexos industriais. Isso é inteligência estratégica posta em prática em um estado com tantos desafios naturais”, afirmou.
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