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Governo estuda ligar Transnordestina ao Matopiba e a portos do Norte do país

Durante roadshow para apresentar carteira de projetos ferroviários, ministro falou de projeto que avalia conexão com Transnordestina
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  1. Governo estuda conectar Transnordestina ao corredor ferroviário Açailândia-Barcarena.
  2. Ministro George Santoro apresenta carteira ferroviária em roadshow na B3.
  3. Conexão pode ligar ao Matopiba e portos do Norte do país.
  4. Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental será contratado.
  5. Projeto pode dar mais alternativas logísticas para cargas do Matopiba.
Ministro George Santoro apresentou carteira de investimentos em rodovias em roadshow na B3, em São Paulo
Ministro George Santoro apresentou carteira de investimentos em ferrovias em roadshow na B3, em São Paulo. Foto: Luiz Siqueira

O Ministério dos Transportes afirmou que estuda conectar a Transnordestina ao futuro corredor ferroviário Açailândia-Barcarena, projeto que pode ampliar a integração logística entre o Nordeste, o Matopiba e o Arco Norte. A informação foi revelada pelo ministro dos Transportes, George Santoro, durante roadshow realizado na B3, em São Paulo, nesta quinta-feira (11) para apresentação da carteira ferroviária do governo federal.

Segundo Santoro, a Infra S.A. deverá contratar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) da conexão entre a Transnordestina e a Ferrovia Norte-Sul. A definição ainda depende da análise sobre qual traçado será mais eficiente para a movimentação de cargas e para a logística nacional, com possibilidades de ligação pelo Tocantins ou pelo Maranhão.

“A intenção nossa é conectar ou no Tocantins ou no Maranhão. Nós estamos vendo o que é melhor para a carga e para a logística nacional, como é que nós vamos trabalhar isso”, afirmou.

Durante a apresentação, o ministro disse que a ideia é integrar dois corredores ferroviários paralelos. De um lado, a Transnordestina, que avança em direção aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco. De outro, o eixo Açailândia-Barcarena, que conecta a saída norte da Ferrovia Norte-Sul ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena, no Pará.

“É uma conexão importante, conectando dois corredores logísticos paralelos, um ao outro. E aí você tem acesso a mais portos. Além de Barcarena, você tem acesso a Itaqui, a Pecém e a Suape. Ou a carga também pode descer”, afirmou Santoro.

Transnordestina ferrovia
Transnordestina está em obras avançadas no trecho que liga Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto de Pecém, no Ceará; trecho pernambucano segue com obras paralisadas. Foto: Divulgação

Conexão com Transnordestina pode ampliar acesso a quatro portos

O projeto de corredor ferroviário entre Açailândia e Barcarena corta uma região estratégica para o escoamento de cargas do Matopiba, fronteira agrícola formada por áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Durante a apresentação, Santoro afirmou que a ligação com a Transnordestina pode dar mais alternativas logísticas para cargas que hoje percorrem longas distâncias até os portos. Segundo ele, a diversificação de rotas será essencial diante do crescimento previsto da produção no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso.

“Quando a gente faz a métrica a partir do Mato Grosso, que é o estado que vai apresentar o maior crescimento de carga nos próximos 20 anos, a carga anda mais de 2 mil quilômetros. E essa carga precisa ter opções para ela não ter que parar em algum porto”, disse o ministro.

A conexão também pode reforçar a complementaridade entre portos do Arco Norte e do Nordeste, criando alternativas para escoamento por Barcarena, no Pará; Itaqui, no Maranhão; Pecém, no Ceará; e Suape, em Pernambuco. A lógica defendida pelo governo é ampliar a competição entre rotas e terminais, reduzindo gargalos e custos logísticos.

Porto vila do Conde Barcarena Para
Porto Vila do Conde, em Barcarena, no Pará, é estratégico para escoar produção de grãos e outros produtos e pode ganhar mais relevância com projetos de conexão ferroviários. Foto: Divulgação

Carteira ferroviária mira reduzir gargalos logísticos

Durante o roadshow, Santoro afirmou que o Brasil enfrenta um desafio logístico crescente diante da expansão prevista no volume de cargas. Segundo ele, o país já é o quinto maior do mundo em volume de toneladas transportadas e pode avançar para a segunda ou terceira posição, o que exigirá investimentos em ferrovias, rodovias, hidrovias e portos.

A carteira ferroviária apresentada pelo Ministério dos Transportes prevê cerca de R$ 160 bilhões em CAPEX e oito leilões ferroviários, além de projetos de trem de passageiros, terminais logísticos e chamamentos públicos para trechos ociosos. Considerando investimentos e operação, a estimativa é que os projetos possam movimentar cerca de R$ 600 bilhões entre CAPEX e OPEX.

Entre os projetos citados estão a Ferrogrão, a Malha Oeste, a Malha Sul, o Anel Ferroviário do Sudeste, o corredor Minas-Rio, a extensão da Norte-Sul até Barcarena, além de projetos de VLTs, trens turísticos e terminais logísticos da Infra S.A.

“O desafio logístico é muito grande, mas os dados mostram que os corredores logísticos tenham problemas futuros se a gente não investir em ferrovias”, disse.

O ministro defendeu que os projetos sejam planejados como corredores logísticos integrados, e não como obras isoladas. A carteira ferroviária apresentada pelo governo foi estruturada para dialogar com concessões rodoviárias, hidrovias e terminais portuários, com foco em redução de custo logístico e aumento da competitividade das exportações.

“A ideia aqui é olhar o corredor logístico como um todo. E é por isso que a carteira de ferrovias está totalmente interligada com a carteira de rodovias, a atual e, principalmente, a futura, e com a carteira de hidrovias”, afirmou Santoro.

Segundo ele, a estratégia foi construída a partir de uma governança entre ministérios ligados à infraestrutura, Casa Civil e Planejamento, com foco em interoperabilidade entre os modais e redução do frete interno. O ministro destacou que o custo logístico é decisivo para a competitividade brasileira, especialmente porque grande parte das exportações nacionais é formada por commodities.

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“Transnordestina até Suape é prioridade”, diz presidente da Infra S.A.

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