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Clima favorável puxa produtividade e faz Nordeste crescer 11,7% em grãos

Chuvas mais regulares elevam produtividade no Nordeste, que projeta 35,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, alta de 11,7%. Ceará avança 160,5% e Piauí cresce 21,2%
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  1. Clima favorável amplia produção de grãos no Nordeste em 11,7%, superando média nacional de 1,8%.
  2. Bahia alcança recorde histórico de produtividade em soja com 4.260 kg/ha graças às condições climáticas favoráveis.
  3. Piauí registra maior avanço regional com crescimento de 21,2% e investimento tecnológico dos produtores de soja.
  4. Maranhão projeta 8,99 milhões de toneladas com implantação de biorrefinaria impulsionando expansão do milho em Balsas.
  5. Ceará lidera salto de produtividade com aumento de 160,5% graças à distribuição equilibrada de chuvas em 2026.
Produção de soja registra alta no Nordeste produtividade safra de grãos
Dentre os principais grãos, relatório da Conab consolida-se um aumento na produção de soja em relação ao período anterior, o que representa um novo recorde. Foto: Agência Brasil

Os campos do Nordeste devem colher 35,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, alta de 11,7% em relação às 31,4 milhões de toneladas do ciclo anterior, segundo o 9º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira (11). O crescimento regional supera em mais de seis vezes a média nacional de 1,8% e é puxado por uma combinação de expansão de área, ganhos de produtividade e condições climáticas mais favoráveis em estados historicamente vulneráveis à seca.

A Bahia, maior produtora de grãos do Nordeste, projeta 15,74 milhões de toneladas, alta de 12,3%. A soja baiana bate recorde histórico de produtividade nesta safra, estimada em 4.260 kg/ha, resultado das boas condições climáticas e da ampliação das lavouras irrigadas. O milho da 1ª safra avança com a colheita alcançando 75% da área no final de maio, com produtividades superiores às da última safra. O sorgo cresce na Bahia com lavouras em fase de enchimento de grãos em São Desidério e boas perspectivas de produção.

O Piauí registra o maior avanço de produção entre os estados nordestinos: 21,2%, saltando de 6,26 milhões para 7,58 milhões de toneladas. A soja piauiense encerra o ciclo com produtividade estimada em 3.955 kg/ha, alta de 15% em relação à safra anterior, reflexo de boas condições climáticas e de maior investimento tecnológico dos produtores. O milho da 1ª safra avança com colheita em 38% da área, enquanto o sorgo — cultivado como alternativa ao milho 2ª safra pela janela de plantio mais favorável — se desenvolve em boas condições entre enchimento e maturação em municípios como Palmeira do Piauí. O algodão piauiense apresenta tendência de revisão positiva de produtividade, com ampliação das áreas irrigadas confirmada nesta safra.

O Maranhão, segundo maior produtor nordestino, projeta 8,99 milhões de toneladas, crescimento de 2,3%. A soja maranhense avançou para 92% da área colhida no final de maio, com produtividade estimada em 3.540 kg/ha. O milho da 1ª safra expande área em 6%, impulsionado pela implantação de uma unidade de biorrefinaria em Balsas para produção de etanol e subprodutos inaugurada em 2025. O sorgo maranhense foi semeado em 2ª safra nas áreas em que o milho perdeu a janela ideal de plantio por atraso na colheita da soja, com colheita prevista entre julho e agosto.

Ceará lidera o salto de produtividade

O caso mais expressivo da safra nordestina está no Ceará. A produtividade cearense avança 160,5%, de 379 para 988 kg/ha, e a produção total do estado sobe 149,8%, de 356,1 mil para 889,6 mil toneladas, mesmo com recuo de 4,1% na área plantada. O salto é explicado por chuvas em volumes normais e com distribuição mais equilibrada ao longo de 2026, em contraste com as condições adversas do ciclo anterior. O feijão-caupi cearense, com colheita alcançando cerca de um terço da área no final de maio, projeta produtividade média superior ao ano anterior. O amendoim, cultivado na 2ª safra em regiões de serra, se desenvolve em condições normais, beneficiado por chuvas 25% acima da média histórica no quadrimestre fevereiro-maio.

A região do Matopiba — que reúne o sul do Maranhão, Tocantins, o sul do Piauí e o oeste da Bahia — registra crescimento de 11,4% na produção de grãos, totalizando 25,4 milhões de toneladas. Pernambuco mantém área praticamente estável (-0,5%), com o feijão-caupi e o feijão-comum concentrados no Sertão e no Agreste pernambucano apresentando bom desenvolvimento, embora a restrição hídrica recente tenha impactado o enchimento de grãos do milho 2ª safra em Bodocó.

Alagoas expande área em 6,7% e produz 228,6 mil toneladas, com o milho 3ª safra desenvolvendo-se em condições ideais nas regiões do Agreste e da Bacia Leiteira. A Paraíba avança 27,2% na produção, com feijão-caupi no Sertão paraibano e milho em consórcio como principais culturas. O Rio Grande do Norte registra alta de 65% em produtividade, de 274 para 451 kg/ha, com produção de 48,8 mil toneladas (+58,4%).

Produção nacional chegará a 358,6 milhões de toneladas

No conjunto do país, a safra 2025/26 projeta 358,6 milhões de toneladas de grãos em 83,5 milhões de hectares, alta de 1,8% e novo recorde histórico na série da Conab, com produtividade média nacional de 4.295 kg/ha. A soja lidera com 180,3 milhões de toneladas e produtividade de 3.712 kg/ha, o sétimo recorde nas últimas dez safras.

O milho da 1ª safra bate recorde de produtividade com 7.110 kg/ha e produção de 29,3 milhões de toneladas (+17,7%). O sorgo registra o maior crescimento percentual entre os grãos acompanhados: +24,9%, com 7,62 milhões de toneladas. O arroz projeta 11,1 milhões de toneladas (-13,2%), reflexo da redução de área, e o feijão soma cerca de 3 milhões de toneladas nas três safras (-0,5%).

A Conab garante que os volumes de arroz e feijão asseguram o abastecimento do mercado interno. No mercado externo, as exportações de soja estão estimadas em 116,1 milhões de toneladas, com processamento de 61,58 milhões de toneladas e estoque de passagem projetado em 9,2 milhões de toneladas. O estoque de milho deve alcançar 13,25 milhões de toneladas ao final de janeiro de 2027, e o estoque de feijão foi atualizado para 288,5 mil toneladas ao final de dezembro de 2026.

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