
Os campos do Nordeste devem colher 35,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, alta de 11,7% em relação às 31,4 milhões de toneladas do ciclo anterior, segundo o 9º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira (11). O crescimento regional supera em mais de seis vezes a média nacional de 1,8% e é puxado por uma combinação de expansão de área, ganhos de produtividade e condições climáticas mais favoráveis em estados historicamente vulneráveis à seca.
A Bahia, maior produtora de grãos do Nordeste, projeta 15,74 milhões de toneladas, alta de 12,3%. A soja baiana bate recorde histórico de produtividade nesta safra, estimada em 4.260 kg/ha, resultado das boas condições climáticas e da ampliação das lavouras irrigadas. O milho da 1ª safra avança com a colheita alcançando 75% da área no final de maio, com produtividades superiores às da última safra. O sorgo cresce na Bahia com lavouras em fase de enchimento de grãos em São Desidério e boas perspectivas de produção.
O Piauí registra o maior avanço de produção entre os estados nordestinos: 21,2%, saltando de 6,26 milhões para 7,58 milhões de toneladas. A soja piauiense encerra o ciclo com produtividade estimada em 3.955 kg/ha, alta de 15% em relação à safra anterior, reflexo de boas condições climáticas e de maior investimento tecnológico dos produtores. O milho da 1ª safra avança com colheita em 38% da área, enquanto o sorgo — cultivado como alternativa ao milho 2ª safra pela janela de plantio mais favorável — se desenvolve em boas condições entre enchimento e maturação em municípios como Palmeira do Piauí. O algodão piauiense apresenta tendência de revisão positiva de produtividade, com ampliação das áreas irrigadas confirmada nesta safra.
O Maranhão, segundo maior produtor nordestino, projeta 8,99 milhões de toneladas, crescimento de 2,3%. A soja maranhense avançou para 92% da área colhida no final de maio, com produtividade estimada em 3.540 kg/ha. O milho da 1ª safra expande área em 6%, impulsionado pela implantação de uma unidade de biorrefinaria em Balsas para produção de etanol e subprodutos inaugurada em 2025. O sorgo maranhense foi semeado em 2ª safra nas áreas em que o milho perdeu a janela ideal de plantio por atraso na colheita da soja, com colheita prevista entre julho e agosto.
Ceará lidera o salto de produtividade
O caso mais expressivo da safra nordestina está no Ceará. A produtividade cearense avança 160,5%, de 379 para 988 kg/ha, e a produção total do estado sobe 149,8%, de 356,1 mil para 889,6 mil toneladas, mesmo com recuo de 4,1% na área plantada. O salto é explicado por chuvas em volumes normais e com distribuição mais equilibrada ao longo de 2026, em contraste com as condições adversas do ciclo anterior. O feijão-caupi cearense, com colheita alcançando cerca de um terço da área no final de maio, projeta produtividade média superior ao ano anterior. O amendoim, cultivado na 2ª safra em regiões de serra, se desenvolve em condições normais, beneficiado por chuvas 25% acima da média histórica no quadrimestre fevereiro-maio.
A região do Matopiba — que reúne o sul do Maranhão, Tocantins, o sul do Piauí e o oeste da Bahia — registra crescimento de 11,4% na produção de grãos, totalizando 25,4 milhões de toneladas. Pernambuco mantém área praticamente estável (-0,5%), com o feijão-caupi e o feijão-comum concentrados no Sertão e no Agreste pernambucano apresentando bom desenvolvimento, embora a restrição hídrica recente tenha impactado o enchimento de grãos do milho 2ª safra em Bodocó.
Alagoas expande área em 6,7% e produz 228,6 mil toneladas, com o milho 3ª safra desenvolvendo-se em condições ideais nas regiões do Agreste e da Bacia Leiteira. A Paraíba avança 27,2% na produção, com feijão-caupi no Sertão paraibano e milho em consórcio como principais culturas. O Rio Grande do Norte registra alta de 65% em produtividade, de 274 para 451 kg/ha, com produção de 48,8 mil toneladas (+58,4%).
Produção nacional chegará a 358,6 milhões de toneladas
No conjunto do país, a safra 2025/26 projeta 358,6 milhões de toneladas de grãos em 83,5 milhões de hectares, alta de 1,8% e novo recorde histórico na série da Conab, com produtividade média nacional de 4.295 kg/ha. A soja lidera com 180,3 milhões de toneladas e produtividade de 3.712 kg/ha, o sétimo recorde nas últimas dez safras.
O milho da 1ª safra bate recorde de produtividade com 7.110 kg/ha e produção de 29,3 milhões de toneladas (+17,7%). O sorgo registra o maior crescimento percentual entre os grãos acompanhados: +24,9%, com 7,62 milhões de toneladas. O arroz projeta 11,1 milhões de toneladas (-13,2%), reflexo da redução de área, e o feijão soma cerca de 3 milhões de toneladas nas três safras (-0,5%).
A Conab garante que os volumes de arroz e feijão asseguram o abastecimento do mercado interno. No mercado externo, as exportações de soja estão estimadas em 116,1 milhões de toneladas, com processamento de 61,58 milhões de toneladas e estoque de passagem projetado em 9,2 milhões de toneladas. O estoque de milho deve alcançar 13,25 milhões de toneladas ao final de janeiro de 2027, e o estoque de feijão foi atualizado para 288,5 mil toneladas ao final de dezembro de 2026.
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