
Uma chamada pública de R$ 60 milhões para recuperação de terras degradadas na Caatinga foi anunciada em parceria pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Nordeste (BNB). O programa Recaatingar, que teve o edital lançado, receberá aportes iguais de R$ 30 milhões de cada banco para financiar entre 15 e 25 projetos de restauração ambiental e produção sustentável. As propostas selecionadas em nove estados devem focar em municípios com alta vulnerabilidade climática e social na Região Nordeste e no norte de Minas Gerais.
A iniciativa atende ao avanço dos riscos de desertificação no Semiárido, onde se estima que entre 42% e 46% da cobertura vegetal original da Caatinga já foi suprimida.
O projeto é gerido em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e receberá propostas de entidades sem fins lucrativos e órgãos públicos por meio da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS).
Critérios financeiros e divisão de recursos regionais
O edital estipula que cada projeto aprovado receberá aportes de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões, destinados a intervenções em áreas de 50 a 100 hectares com prazo de execução de até 60 meses.
Os proponentes devem apresentar uma contrapartida mínima de 5% do valor solicitado, que pode ser composta por bens, serviços ou infraestrutura. A distribuição dos recursos priorizará os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Minas Gerais.
A triagem dos municípios elegíveis tomou como base os dados do Observatório da Caatinga e Desertificação, que classifica as regiões pelas taxas de pobreza rural, aridez e perda de solo. O modelo de seleção fixa que pelo menos um projeto seja contemplado por estado participante para descentralizar os investimentos produtivos.
Impacto produtivo e investimentos no Semiárido
As propostas devem integrar a recomposição de espécies nativas ao fortalecimento da agricultura familiar, sistemas agroflorestais e tecnologias de captação de água. Os investimentos vão cobrir desde a assistência técnica e capacitação comunitária até a estruturação de cooperativas e ações de manejo integrado do fogo para prevenção de incêndios florestais.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, detalhou o posicionamento estratégico da instituição no bioma, que concentra 28 milhões de habitantes em mais de mil municípios.
“O BNDES está ampliando sua atuação na Caatinga com uma estratégia que já soma cerca de R$ 1,28 bilhão em iniciativas voltadas ao Semiárido e une combate à desertificação, inclusão produtiva e enfrentamento da emergência climática”, explica Mercadante.
“O Recaatingar mostra que recuperar áreas degradadas também é gerar renda, fortalecer a agricultura familiar e criar condições para que as populações do Semiárido permaneçam em seus territórios com mais segurança hídrica, produtiva e ambiental”, acrescenta.
Continuidade das políticas de sustentabilidade
Este novo edital atua como a primeira chamada da segunda fase do programa Floresta Viva. O presidente do BNB, Paulo Câmara, destacou que o montante atual complementa outras verbas específicas direcionadas ao desenvolvimento regional em períodos anteriores.
“Trata-se de uma ação continuada no âmbito da iniciativa Floresta Viva. Em 2025, nós já disponibilizamos mais de R$ 40 milhões em dois outros editais. Temos o compromisso de apoio o desenvolvimento sustentável em toda nossa área de atuação, seguindo as orientações do presidente Lula e contando com apoio do BNDES”, afirma o dirigente do BNDES.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, defendeu o modelo participativo adotado na formatação do projeto. “O Recaatingar nasce para apoiar soluções construídas nos territórios, com participação das comunidades, combinando recuperação ambiental, produção sustentável, água, renda e permanência das famílias no Semiárido”, afirma a diretora.
Leia também: Selo Verde reconhece práticas sustentáveis de 16 empresas em Pernambuco










