
O Recife Antigo atravessa uma nova fase de transformação urbana e econômica. Após décadas convivendo com imóveis vazios, baixa ocupação residencial e concentração de atividades apenas no horário comercial, o bairro histórico começa a consolidar um novo ciclo de investimentos privados voltados para moradia, turismo, gastronomia, hotelaria e economia criativa.
A mais recente iniciativa desse movimento é o Terraço Rio Branco, empreendimento de uso misto que será construído na Avenida Rio Branco, uma das áreas mais emblemáticas do Centro Histórico da capital pernambucana. O projeto reunirá unidades residenciais compactas, mercado gastronômico e rooftop abertos ao público, além de áreas de convivência.
O empreendimento chega em meio a uma sequência de investimentos que vêm mudando a dinâmica do Recife Antigo. Entre eles, os residenciais Silos 215 e 240, da Moura Dubeux, e a recuperação do Moinho Recife para se tornar um prédio comercial. Na área de hotelaria e turismo, o bairro ganhou recentemente o Moto by Hilton.
O bairro ainda recebeu edições recentes da CasaCor Pernambuco, iniciativa que ajudou a reposicionar o Recife Antigo como vitrine de arquitetura, design, urbanismo e ocupação criativa dos imóveis históricos. O entorno do Recife Antigo também passou a concentrar equipamentos como o Recife Expo Center e o Novotel Marina Recife.
Investimentos com apoio público
Além da movimentação privada, o poder público também vem ampliando ações de requalificação urbana. Nesta semana, a Prefeitura do Recife realizou o leilão da primeira Parceria Público-Privada (PPP) de locação social do Brasil, batizado de Morar no Centro, que prevê a implantação, manutenção e operação de seis empreendimentos nos bairros de Santo Antônio, São José, Boa Vista e Cabanga.
Para a chefe do Gabinete do Recentro, Ana Paula Vilaça, o novo empreendimento no Recife Antigo reforça uma mudança importante na lógica urbana do Recife Antigo. “A Prefeitura do Recife celebra a chegada de mais um investimento no território da área central. Um novo projeto totalmente licenciado pelos órgãos da Prefeitura e pelo Iphan será instalado no endereço mais nobre, em plena Avenida Rio Branco”, afirmou.
Segundo ela, a proposta vai além da construção de um edifício residencial. “Vamos ter um edifício de uso misto, com uso residencial, áreas de convivência e rooftop aberto para a população. Através desse projeto teremos mais opções de moradia na área central, atraindo consequentemente comércio, serviços e movimentando o Centro do Recife todos os dias da semana, inclusive à noite e nos finais de semana”, destacou.
O CEO da GMG Premiere, empresa responsável pelo empreendimento, Guilherme Guerra, afirma que a ausência histórica de moradia sempre foi um dos principais entraves para o desenvolvimento pleno do Recife Antigo. “O bairro não tinha vida própria. Você tinha as pessoas trabalhando das 8h às 18h, mas à noite não havia oferta residencial que prendesse as pessoas ali”, afirmou.
Segundo ele, o Recife Antigo já possuía forte atividade econômica, especialmente impulsionada pelo Porto Digital, mas ainda carecia de uma dinâmica urbana mais permanente. “O Porto Digital já emprega mais de 25 mil pessoas, mas, pela falta de oferta residencial, as pessoas eram obrigadas a morar em outras localidades. E, sem moradores, o bairro nunca teve farmácia, padaria, mercadinho, essas demandas próprias de um bairro comum”, explicou.
Para Guerra, a chegada dos novos empreendimentos começa a mudar essa realidade. “A partir do surgimento das primeiras moradias e das primeiras ofertas de hospedagem, como o Hotel Marina, o Moinho, o Silo e o Moto by Hilton, a gente começou a entender que havia espaço para empreender ofertando aquilo que faltava no bairro: moradia”, afirmou.
O modelo de uso misto adotado no Terraço Rio Branco segue uma tendência internacional de revitalização de centros históricos por meio da integração entre moradia, lazer, comércio e serviços. Além das operações internas, o projeto prevê ocupação das calçadas com mesas e áreas de convivência, reforçando o conceito de boulevard gastronômico.
Centro do Recife volta ao radar do mercado
A retomada de investimentos no Recife Antigo acompanha uma tendência observada em diversas cidades brasileiras, com a reocupação de áreas centrais históricas com foco em habitação, turismo, inovação e economia criativa.
Nos últimos anos, o Recife passou a intensificar políticas públicas voltadas à recuperação da região central, incluindo incentivos fiscais, simplificação de licenciamento e estímulo à ocupação residencial. “A Prefeitura do Recife tem dado todo o suporte, desde incentivos fiscais até a desburocratização na aprovação dos projetos”, destacou Ana Paula Vilaça.
Ela acredita que os novos empreendimentos têm potencial para impulsionar um ciclo mais amplo de recuperação urbana. “Empreendimentos como Moinho Recife, Hotel Marina e o Recife Expo Center vêm dinamizando toda a região, atraindo pessoas e deixando nosso Centro vivo novamente”, afirmou.
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