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Expansão da Refinaria Abreu e Lima impulsiona nova onda de investimentos portuários

Segundo Armando Monteiro Bisneto, Suape entra agora em uma nova etapa de crescimento, com investimentos de R$ 2 bilhões
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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~5:11
  1. Granéis líquidos representam 60% da movimentação de Suape e crescerão com duplicação da Refinaria Abreu e Lima.
  2. Porto investe R$ 140 milhões em recuperação e ampliação dos píeres para absorver aumento de demanda de combustíveis.
  3. Implantação dos Cais 6 e 7 ampliará significativamente capacidade operacional e permitirá receber cargas inéditas em Suape.
  4. Suape negocia parceria estratégica com Porto de Antuérpia-Bruges europeu para fortalecer conexões internacionais e comerciais.
  5. Ferrovia Transnordestina pode adicionar 16 milhões de toneladas anuais à movimentação atual de 25 milhões de toneladas.
Trem 2 da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Ipojuca, Litoral Sul de Pernambuco
Combustíveis responderam por 60% da movimentação e Suape em 2025, volume que vai crescer mais com a duplicação da produção na Refinaria Abreu e Lima/Foto: Petrobras/Divulgação

Suape vive um “momento de inflexão estratégica”, com um pipeline de R$ 2 bilhões em investimentos e mais de 10 projetos ativos entre obras, arrendamentos e concessões. A afirmação foi feita pelo presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Armando Monteiro Bisneto, durante palestra realizada na Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), na última segunda-feira.

Segundo Armando Monteiro Bisneto, o porto entra agora em uma nova etapa de crescimento, impulsionada principalmente pela ampliação da Refinaria Abreu e Lima. Atualmente, os granéis líquidos representam cerca de 60% de toda a movimentação de cargas de Suape. Com a previsão de duplicação da capacidade da refinaria, Suape prepara investimentos de R$ 140 milhões voltados à recuperação e ampliação dos Píeres de Granéis Líquidos (PGL-1 e PGL-2), ampliando a capacidade operacional para absorver o crescimento da demanda.

Dentro desse novo ciclo, Armando Monteiro Bisneto destacou a implantação dos Cais 6 e 7 como um dos projetos mais estratégicos do complexo. Segundo ele, os novos berços permitirão não apenas ampliar significativamente a capacidade operacional do porto, mas também receber cargas inéditas em Suape.

Os projetos fazem parte de um amplo plano de arrendamentos e modernização da infraestrutura portuária. Entre os empreendimentos mais avançados estão o terminal SUA01, voltado à movimentação de veículos, e o terminal SUA08, destinado à carga de projeto e apoio offshore, com previsão de investimentos em torno de R$ 115 milhões. Já o terminal SUA06 prevê aportes estimados em R$ 75 milhões.

Os maiores projetos ainda estão em fase de estruturação, como o Lote 14, voltado à movimentação de granéis líquidos, e o terminal SUA09, que sozinho pode atrair cerca de R$ 800 milhões em investimentos.

Suape também iniciou aproximação com o Porto de Antuérpia-Bruges, o segundo maior complexo portuário da Europa, que pode se tornar um parceiro estratégico do terminal pernambucano. Segundo Armando Monteiro Bisneto, o interesse europeu está relacionado à posição geográfica privilegiada de Suape, à estrutura de águas profundas, ao potencial de expansão industrial e à capacidade de conexão com mercados da Europa, África e América do Norte.

O modelo guarda semelhanças com a relação construída pelo Porto do Pecém, no Ceará, com o Porto de Roterdã, na Holanda. Diferentemente do caso cearense, porém, Suape não discute participação acionária ou cogestão internacional neste momento.

O tema da Transnordestina também esteve presente na apresentação. A conexão ferroviária pode adicionar cerca de 16 milhões de toneladas por ano à movimentação do porto, que atualmente gira em torno de 25 milhões de toneladas anuais.

Apesar disso, o presidente afirmou que Suape não ficará paralisado aguardando a conclusão da ferrovia. A estratégia do complexo é ampliar, desde já, sua área de influência logística, atraindo cargas por rodovia e novas rotas marítimas.

Para isso, Suape contratou estudos de hinterlândia e inteligência marítima voltados à prospecção de cargas e novas linhas internacionais. O objetivo é ampliar a capacidade de atração de produtos industriais, cargas agrícolas e operações de exportação oriundas não apenas de Pernambuco, mas também de outros estados do Nordeste e do Centro-Oeste.

Porto da Antuérpia-Bruges
Porto da Antuérpia-Bruges: interesse em Suape/Foto: Wikipedia

Frutas de volta

Até o fim do ano, deve ser retomada a exportação de frutas por Suape. Pernambuco é um dos maiores produtores nacionais de frutas irrigadas, mas perdeu essa carga para portos concorrentes do Nordeste. A expectativa inicial é de que as frutas movimentem aproximadamente 15 mil contêineres.

ZPE como lacuna competitiva

Armando Monteiro Bisneto também reconheceu que Pernambuco enfrenta uma importante lacuna competitiva em relação ao Ceará: a ausência de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) plenamente operacional. Segundo ele, tem havido conversas para tirar a ZPE do papel, mas, para isso, é preciso convergência entre a futura ZPE pública de Suape e a ZPE privada do Cone, que detém a concessão, mas não avançou com a operação.

APM Terminals

Será no dia 12 de junho a inauguração do novo terminal da APM Terminals, com presença prevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da governadora Raquel Lyra. O empreendimento será o primeiro terminal de contêineres 100% eletrificado da América Latina, com investimento inicial de R$ 2,1 bilhões e capacidade inicial de movimentação de 400 mil TEUs.

Venda do Cais Leste

Armando Monteiro Bisneto externou sua preocupação com a venda do Cais Leste pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS). Segundo ele, a possível transformação da área em terminal privado de tancagem e carga geral pode criar um ambiente de competição assimétrica em relação aos operadores instalados no porto organizado. A avaliação da direção de Suape é a de que o movimento pode comprometer o equilíbrio concorrencial do complexo, já que operadores externos não estariam submetidos às mesmas obrigações tarifárias e de arrendamento enfrentadas pelos atuais arrendatários do porto.

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